Descrição do Módulo Macroeconômico -
Programa Projetar_e
(Continuação 2)
O
programa prevê o trabalho com diferentes cenários, que podem ser acoplados a outros
programas, como o de projeções regionais ou de demanda de energia. Para economia de
espaço no disco do computador e para facilitar a substituição do cenário econômico em
outras aplicações, guardam-se apenas os dados fundamentais destes cenários. É de se
enfatizar que estes dados são suficientes para rodar
o cenário novamente e obter todos os resultados: gráficos e tabelas.
Igualmente
os dados históricos são agrupados em uma única planilha que permite sua fácil
atualização. Pode-se usar esta planilha para inserir ou atualizar os dados históricos
que serão tomados em consideração, mediante a ação "Entrar Dados", em
qualquer dos cenários considerados.
A
revisão de cenários ou dos dados históricos é feita através do menu pelas ações
indicadas no item "Entrada", veja Figura 6.

Figura 6: Entrada de dados históricos ou de dados relativos o
cenário através do menu.
No que concerne aos cenários, o programa permite
três ações: introdução de um novo cenário, revisão do atualmente em uso (atual) ou
revisão de um cenário existente. Pode-se ainda, como ilustraremos no exemplo a seguir,
partir de um cenário existente para a configuração de um novo. Assinalando um cenário
existente, teríamos:

Figura 7: A célula em vermelho indica a
variável a ser mudada e a coluna em negrito
assinala os dados de entrada correspondentes ao cenário atual. No local da caixa indicada pelo título "Cenário
Econômico", poderá ser feita a escolha
de um dos cenários existentes por meio da barra de rolagem (assinalar um cenário não preenchido pode resultar em
erros). Os dados de entrada, dos cenários
disponíveis, são guardados nessa planilha (observe as colunas ao lado da em negrito).
Para
optar pelo cenário "inercial", por exemplo, deve-se escolhê-lo na "caixa
de escolha" indicada pelo título "Cenário Econômico". O programa,
então, alterará todos os dados de entrada de acordo com o cenário selecionado.
5 - Projeção da Poupança Territorial
Se
escolhermos a ação "Rever Atual", veja Figura 7, iniciaremos a revisão do
cenário atual, o qual poderá ser transformado em um novo cenário, no final do
processo. Abaixo mostraremos a evolução em
um exemplo prático:
Conforme
mencionado acima, ao clicarmos "Rever Atual" o programa nos transporta para a primeira tela do processo de
construção do cenário, que corresponde à variável Poupança Territorial.
Cabe
destacar, que a maioria das telas do programa permite retornar à tela anterior ou passar
para a próxima, acionando os botões correspondentes. Normalmente, "Retornar"
não modifica a ação anterior e "Próximo Dado" introduz as novas
informações no cenário, indo em seguida para a tela correspondente ao próximo passo do
procedimento . O título em vermelho assinala o parâmetro que se espera seja atualizado.
No
presente caso, diferentemente do que acontece no geral, ao selecionar "Retornar"
o programa conduz à tela de escolha do último ano de dados conhecidos cuja planilha,
normalmente, só é acionada quando necessitamos mudar o referido ano.
A
variável em questão, veja Figura 8, é a Poupança Territorial (P) que é a fração do
PIB anual não consumida. Ou seja, dado o PIB ( Y ) e
o consumo ( C ) temos:
P = (Y-C)/Y
= 1 - C/Y
Esta
"renúncia ao consumo" é uma variável relativamente "bem comportada"
no passado, como pode-se ver no gráfico da figura abaixo, sendo que a forte oscilação,
no final da década de 90, pode ser atribuída às variações nos preços relativos. A
taxa de poupança territorial é determinante na projeção do investimento, como será
visto a seguir. A representação do passado, como já assinalamos, visa orientar a
escolha de sua evolução futura.
Figura 8: Primeira tela de introdução de dados, na qual a principal variável a ser alterada
refere-se ao comportamento da Poupança
Territorial. Também é possível alterar o nome do cenário, o último ano conhecido e o
ano atual.
O valor da Poupança Territorial era crescente nas últimas
décadas, e indicava um fator positivo para o crescimento econômico. Aparentemente, o Plano Real teve forte influência nesse
parâmetro e desestimulou a poupança interna, incentivando
o consumo. Parte da melhora da condição de vida verificada no período deveu-se a esta
redução da poupança em benefício do consumo. Como será visto, a entrada de recursos
externos não chegou a compensar esta queda da poupança interna na formação do
investimento.
Na planilha
utilizada, considerou-se, como último ano de dados conhecidos, o de 1998. Na medida em
que existam estimativas, mesmo que parciais, dos dados referentes a 1999, pode ser
conveniente utilizá-los como base da projeção. Isto é feito através dos comandos:
"Mudar Último Ano"; e, "Entrada" Þ "Rever
Dados Históricos".
Pode-se, ainda mudar
o "ano atual" que, no programa, resulta na alteração de anos intermediários,
como será indicado mais adiante. Este procedimento é adotado em algumas projeções no
Setor Elétrico e também é seguido nessa versão do programa. Essa flexibilidade de anos
de referência permite introduzir novos anos na série histórica, quando se tornam
disponíveis.
Para a
projeção, foi suposto que a poupança territorial tenderia, no futuro, a uma fração
constante do PIB. Este valor limite foi usado para ajustar uma curva logística. O
cenário "inercial" supõe uma saturação em 21% do PIB que representa o melhor
ajuste para os dados do passado. Mesmo sendo este valor 3% superior ao dos anos 1996 a
1997, ele conduz a um crescimento do PIB inferior a 2% ao ano nas próximas duas décadas.
Em nosso cenário de referência, consideramos que a poupança territorial retomaria ao
comportamento de crescimento anterior
ao Plano Real e tenderia a um valor de 27% do
PIB. Esta mudança é realizada mediante a alteração do valor limite, na casa indicada pelo título em
vermelho na Figura 8. O novo resultado é
mostrado na Figura 9.

Figura 9: A opção por um limite de poupança territorial de 27% do
PIB conduz a valores da Poupança Territorial, coerentes com os verificados em anos
anteriores ao Plano Real, e gera um maior crescimento econômico. Enfatiza-se que esta
alteração no comportamento da série, implica
ações correspondentes na política econômica.
Como pode
ser visto na Figura 9, a variação da Poupança Territorial implica numa retomada da
disposição de trocar consumo por investimento real (em bens de capital fixo). Para
"casar" o ajuste com os dados históricos, usou-se uma função de Poisson, cujo
parâmetro pode ser alterado de maneira a suavizar, com diferentes retardos no tempo, a
transição entre o último dado histórico e a projeção.
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