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Economia & Energia
No 22 - Setembro-Outubro 2000   ISSN 1518-2932

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Descrição do Módulo Macroeconômico - Programa Projetar_e 
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4 - Inserindo ou Alterando Cenários

O programa prevê o trabalho com diferentes cenários, que podem ser acoplados a outros programas, como o de projeções regionais ou de demanda de energia. Para economia de espaço no disco do computador e para facilitar a substituição do cenário econômico em outras aplicações, guardam-se apenas os dados fundamentais destes cenários. É de se enfatizar que estes dados são suficientes para rodar  o cenário novamente e obter todos os resultados: gráficos e  tabelas.

Igualmente os dados históricos são agrupados em uma única planilha que permite sua fácil atualização. Pode-se usar esta planilha para inserir ou atualizar os dados históricos que serão tomados em consideração, mediante a ação "Entrar Dados", em qualquer dos cenários considerados.

A revisão de cenários ou dos dados históricos é feita através do menu pelas ações indicadas no item "Entrada", veja Figura 6.

 

Figura 6: Entrada de dados históricos ou de dados relativos o cenário através do menu.

 No que concerne aos cenários, o programa permite três ações: introdução de um novo cenário, revisão do atualmente em uso (atual) ou revisão de um cenário existente. Pode-se ainda, como ilustraremos no exemplo a seguir, partir de um cenário existente para a configuração de um novo. Assinalando um cenário existente, teríamos:

 

Figura 7: A célula em vermelho indica a variável a ser mudada  e a coluna em negrito assinala os dados de entrada correspondentes ao cenário atual.   No local da caixa  indicada pelo título "Cenário Econômico",  poderá ser feita a escolha de um dos cenários existentes por meio da barra de rolagem (assinalar  um cenário não preenchido pode resultar em erros). Os  dados de entrada, dos cenários disponíveis, são guardados nessa planilha (observe as colunas ao lado da em negrito).

Para optar pelo cenário "inercial", por exemplo, deve-se escolhê-lo na "caixa de escolha" indicada pelo título "Cenário Econômico". O programa, então, alterará todos os dados de entrada de acordo com o cenário selecionado.

5 - Projeção da Poupança Territorial

Se escolhermos a ação "Rever Atual", veja Figura 7, iniciaremos a revisão do cenário atual, o qual poderá ser transformado em um novo cenário, no  final  do processo. Abaixo mostraremos a evolução  em um exemplo prático:

Conforme mencionado acima, ao clicarmos "Rever Atual" o programa  nos transporta para a primeira tela do processo de construção do cenário, que corresponde à variável Poupança Territorial.

Cabe destacar, que a maioria das telas do programa permite retornar à tela anterior ou passar para a próxima, acionando os botões correspondentes. Normalmente, "Retornar" não modifica a ação anterior e "Próximo Dado" introduz as novas informações no cenário, indo em seguida para a tela correspondente ao próximo passo do procedimento . O título em vermelho assinala o parâmetro que se espera seja atualizado.

No presente caso, diferentemente do que acontece no geral, ao selecionar "Retornar" o programa conduz à tela de escolha do último ano de dados conhecidos cuja planilha, normalmente, só é acionada quando necessitamos mudar o referido ano.

A variável em questão, veja Figura 8, é a Poupança Territorial (P) que é a fração do PIB anual não consumida. Ou seja, dado o PIB ( Y ) e  o consumo ( C ) temos:

            P = (Y-C)/Y = 1 - C/Y

Esta "renúncia ao consumo" é uma variável relativamente "bem comportada" no passado, como pode-se ver no gráfico da figura abaixo, sendo que a forte oscilação, no final da década de 90, pode ser atribuída às variações nos preços relativos. A taxa de poupança territorial é determinante na projeção do investimento, como será visto a seguir. A representação do passado, como já assinalamos, visa orientar a escolha de sua evolução futura.

 

 Figura 8: Primeira tela de introdução de dados,  na qual a principal variável a ser alterada refere-se ao comportamento da  Poupança Territorial.  Também é possível alterar  o nome do cenário, o último ano conhecido e o ano atual.

 O valor da  Poupança Territorial era crescente nas últimas décadas, e indicava um fator positivo para o crescimento econômico. Aparentemente,  o Plano Real teve forte influência nesse parâmetro e desestimulou a poupança interna,  incentivando o consumo. Parte da melhora da condição de vida verificada no período deveu-se a esta redução da poupança em benefício do consumo. Como será visto, a entrada de recursos externos não chegou a compensar esta queda da poupança interna na formação do investimento.

Na planilha utilizada, considerou-se, como último ano de dados conhecidos, o de 1998. Na medida em que existam estimativas, mesmo que parciais, dos dados referentes a 1999, pode ser conveniente utilizá-los como base da projeção. Isto é feito através dos comandos: "Mudar Último Ano"; e, "Entrada" Þ "Rever  Dados Históricos".

Pode-se, ainda mudar o "ano atual" que, no programa, resulta na alteração de anos intermediários, como será indicado mais adiante. Este procedimento é adotado em algumas projeções no Setor Elétrico e também é seguido nessa versão do programa. Essa flexibilidade de anos de referência permite introduzir novos anos na série histórica, quando se tornam disponíveis.

Para a projeção, foi suposto que a poupança territorial tenderia, no futuro, a uma fração constante do PIB. Este valor limite foi usado para ajustar uma curva logística. O cenário "inercial" supõe uma saturação em 21% do PIB que representa o melhor ajuste para os dados do passado. Mesmo sendo este valor 3% superior ao dos anos 1996 a 1997, ele conduz a um crescimento do PIB inferior a 2% ao ano nas próximas duas décadas. Em nosso cenário de referência, consideramos que a poupança territorial retomaria ao comportamento   de crescimento anterior ao Plano Real e  tenderia a um valor de 27% do PIB. Esta mudança  é realizada  mediante a alteração  do valor limite, na casa indicada pelo título em vermelho  na Figura 8. O novo resultado é mostrado na Figura 9.

Figura 9: A opção por um limite de poupança territorial de 27% do PIB conduz a valores da  Poupança  Territorial, coerentes com os verificados em anos anteriores ao Plano Real, e gera um maior crescimento econômico. Enfatiza-se que esta alteração no comportamento da série,  implica ações correspondentes na política econômica.

Como pode ser visto na Figura 9, a variação da Poupança Territorial implica numa retomada da disposição de trocar consumo por investimento real (em bens de capital fixo). Para "casar" o ajuste com os dados históricos, usou-se uma função de Poisson, cujo parâmetro pode ser alterado de maneira a suavizar, com diferentes retardos no tempo, a transição entre o último dado histórico e a projeção.

6 - Projeção da Razão Capital/Produto



[1] Este déficit cresceu no início dos anos 90  e parece estar relacionado com as mudanças no câmbio. Em 1991, a queda da diferença entre paralelo e oficial  que aumentou o volume das transações no oficial relacionadas às viagens e às remessas e, em 1994, a sobrevalorização do Real  que estimulou as viagens ao exterior.