ANO IX - Nº. 252, em 20 de junho de
2010.
Poesia
VIDA QUE TE
QUERO VIVA
No lusco-fusco da tarde que cai,
O lusco-fusco da vida que se
esvai.
Não te quero tanto quanto antes,
Minha amada querida,
Querida de tanta vida,
Vida minha.
Correr atrás da bola,
Da pipa e do balão
Nos folguedos de São João,
Ir “em busca... das raparigas em
flor”!
Perseguir futuro incerto!
Como era bom viver!
Lembro-me bem.
Demo-nos as mãos a cruzar
Europa, França e Bahia.
Gozamos juntos os amores da
amada,
Provamos a doçura dos frutos
colhidos
Da árvore do conhecimento algum
proveito.
Contigo subi aos céus e desci ao
purgatório,
Estacionamos no limbo
Das consciências tranquilizadas,
Dos desejos que não foram
tantos,
Portanto, sofrimentos nem
tantos.
Da mutação d’outrora
À manutenção d’agora.
Da espontaneidade vital
À distanásia fatal:
Vida teúda e manteúda.
Vida te quero viva!
Não mais o sentido da vida,
Mas o sentido de viver.