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ANO VII - N° 210, em 10 de fevereiro de 2009. Máximas ATÉ TU BRUTUS!
O escritor pouco criativo, na ânsia de publicar algo, apela para a compilação de citações famosas. Pois não é que caí nessa esparrela! Enquanto as musas também vivem a sua crise, transcrevo alguns pensamentos pescados em recentes leituras. Não gosto muito de citações. Parecem-me um tanto arrogantes quando usadas por alguém para defender seus pontos de vista. Os nomes dos autores (geralmente figuras célebres e cultas, quando não sábias) inibem um eventual interlocutor com opinião diferente. Isso também pode ocorrer com o leitor, quanto às suas convicções. Não é meu objetivo fazer com que o leitor compartilhe o que penso, já que sou conivente com as escolhas feitas. Além disso, as frases isoladas estão soltas dos contextos em que estavam inseridas, esses sim, muito mais ricos do que os simples e ligeiros excertos. Por exemplo: as últimas palavras do imperador romano Júlio César que encabeçam este texto. As citações são apresentadas a seguir, na mesma ordem em que as fui colecionando, ao longo de quase sete anos de vida do JORNALEGO, sem nenhuma organização posterior. Vamos a elas:
“É apenas por causa daqueles que não têm esperança que a esperança nos foi dada.” Walter Benjamim, escritor, filósofo e sociólogo alemão. “Nenhum poder, um pouco de saber, um pouco de sabedoria e o máximo de sabor possível.” Roland Barthes, escritor, sociólogo francês. “A política é a forma mais perfeita de generosidade. Somente a política pode acabar com a miséria, a fome e implementar direitos humanos na civilização.” Frei Betto, escritor, sacerdote católico, brasileiro. “Escrever é tornar-se. Não poeta ou escritor. Mas tornar-se. Intransitivamente.” Trinh T. Minh-ha, cineasta, escritor vietnamita. “Eu pretendo terminar meus dias acreditando de novo na regeneração humana, na irmandade entre os povos e no Papai Noel.” Luis Fernando Veríssimo, escritor brasileiro. “Vencereis, mas não convencereis. Vencereis porque vos sobra força bruta. Mas não convencereis. Porque convencer significa persuadir. E, para persuadir, necessitais de algo que vos falta: razão e direito de luta.” D. Miguel de Unamuno, poeta e filósofo espanhol, reitor da Universidade de Salamanca, em 12-10-1936, citado por Rubens Ricupero em 23-03-2003 em seu artigo da Folha de São Paulo (FSP), em alusão à invasão do Iraque pelos EUA. “Não há nenhum sofrimento que anule a vida, o homem precisa aprender a estar acima do sofrimento.” Sérgio Britto, ator brasileiro. “Escrever é calcular com palavras. A tarefa do escritor não é apenas a de anotar o que já existe, mas a de criar algo a existir.” Frases feitas a partir de texto de Clarice Lispector, escritora brasileira, natural da Ucrânia. “A fé só pode ter como objeto o que não pode ser demonstrado nem sequer conhecido e aquele que crê deixa de pensar.” Immanuel Kant, filósofo alemão. “Que seria, pois, de nós, sem a ajuda do que não existe?” Paul Valéry, escritor e poeta francês in Breve Epístola sobre o Mito. Epígrafe do livro de Mario Vargas Llosa (escritor peruano) “O Paraíso na Outra Esquina”. “A ficção é a única coisa na qual podemos acreditar.” Juan José Saer, escritor e ensaísta argentino. “A vida é mesmo mortal, a morte é que é vital.” Santo Agostinho, citado por Carlos Heitor Cony, jornalista e escritor brasileiro. “As pessoas costumam confundir o fim dos seus privilégios com o fim do mundo.” Luís Fernando Veríssimo, escritor brasileiro. “A verdade também se inventa.” Antonio Machado, poeta espanhol. “Este animal é malvado. Defende-se quando atacado.” Advertência do dono de um cão. “Nenhum homem tem plena consciência das engenhosas artimanhas a que recorre para escapar à sombra terrível do conhecimento de sua própria pessoa.” Joseph Conrad, escritor ucraniano, in Lord Jim. “A liberdade do eu nasce da fuga do eu.” Trecho retirado de texto de Sueli Cavendish, professora visitante do Departamento de Ciência da Literatura da UFRJ, sobre o livro “Os Invictos” de Willian Faulkner (Idéias, JB, 25-10-2003). “A realidade é um livro e a felicidade de cada indivíduo depende de sua capacidade de leitura.” Trecho retirado de texto de Luciano Trigo, sobre o livro “As Cidades Invisíveis”, de Italo Calvino, escritor cubano radicado na Itália (Prova & Verso, O Globo, 25-10-2003). “A memória evoca o vivido, é precisa, exata, implacável, mas não produz nada de novo, esse é o seu limite. A imaginação, ao contrário, não pode evocar nada, porque não pode recordar, e esse é o seu limite, mas em compensação produz algo novo, alguma coisa que antes não existia, que nunca existiu.” Antonio Tabucchi, escritor italiano, in Está Ficando Tarde Demais. “O sonho de uma civilização brasileira parece perder-se em um cenário de indivíduos privados, cínicos, desinteressados do mundo público e desprovidos de responsabilidade perante seus semelhantes.” Heloisa Maria Murgel Starling, pesquisadora brasileira, FSP de 13-06-2004. “A finalidade maior do escritor é tocar o coração dos outros, mostrando o próprio.” Thomas Hardy, escritor inglês. “Torna-se escravo aquele que coloca sua vida acima de sua liberdade. Torna-se senhor aquele que coloca sua liberdade acima de sua vida.” César Benjamim, cientista político brasileiro. “A literatura não é, como tantos supõem. Um passatempo. É uma nutrição.” Cecília Meireles, poeta brasileira. “A grande felicidade seria a de estar-se inteiramente só, em companhia de alguém.” Antônio Maria, jornalista e compositor brasileiro. “Só a sua não-existência justificaria Deus pelas atrocidades do mundo.” Aldous Huxley, escritor inglês. “Na solidão da velhice vive-se de ausências, há tantas verdades para serem esquecidas e uma fonte de fábulas que podem tornar-se verdades.” Milton Hatoum, escritor brasileiro, in Relato de um Certo Oriente. “É preciso estar-se, sempre, bêbado. Embebedai-vos, embebedai-vos sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude.” Charles Baudelaire, poeta francês. “Aos deuses peço só que me concedam o nada lhes pedir.” José Saramago, escritor português. “Nada é negligenciável, nada tampouco é importante, tudo é indiferente.” Um personagem de Leon Tolstoi, escritor russo, in Guerra e Paz. “Entre a dor e o nada, escolho a dor.” Willian Faulkner, escritor norte-americano. “Entre a dor e o uísque, escolho o uísque.” Willian Faulkner, parodiando a citação anterior. “Alegre é a gente viver devagarinho, miudinho, não se importando demais com coisa nenhuma.” João Guimarães Rosa, escritor e diplomata brasileiro, in Campo Geral/Miguilim, do Corpo de Baile. “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.” Graciliano Ramos, escritor brasileiro.
“Felicidade é, talvez, não ter nada e sentir-se rico.” Marilena Soneghet, escritora e poeta brasileira (crônica em A Gazeta-ES, em 02-05-2008). “Na toada em que anda a questão indígena, dia chegará que os índios não mais atrapalharão ‘os brasileiros’ na sua tarefa histórica de construir uma nação destruindo a própria terra e sua gente.” Marcelo Leite, jornalista brasileiro (FSP, 20-04-08, caderno Mais). “A grandeza do cosmos não se guarda no infinito, mas no brevíssimo segundo cósmico em que ao homem é permitida a ousadia de escrever.” José Castello, crítico literário brasileiro (O Globo, 19-04-08, caderno Prosa & Verso). “Vivemos com um corpo cristão: um corpo dualista, esquizofrênico, mutilado, cindido entre a alma imaterial e o corpo material, que gerou a neurose de nossa civilização cristã.” Michel Onfray, filósofo francês ( FSP, Mais, 13-04-08). “O fim dos grandes discursos marxistas deixou o terreno livre, mas nenhum discurso racionalista o ocupou; assim, são os ‘pensamentos’ mais fáceis, isto é, os pensamentos mágicos, os mitos, as fábulas, portanto as religiões que reúnem todos os apoios, pois sempre se prefere uma fábula que conforte (a religião) a um pensamento que inquiete (a filosofia).” Michel Onfray, idem (FSP, Mais, 13-04-08). “A perfeição não existe, mas a imperfeição me incomoda muito.” João Gilberto, cantor brasileiro. Sobre o século 21 – “Talvez as pessoas nem precisem mais de arte, pois estão ocupadas pela mídia, ocupadas em ficar adormecidas. Não têm paciência e não querem profundidade.” Meredith Monk, cantora, coreógrafa, multiartista americana (?). “Nada é tão espantoso quanto a vida, exceto a literatura.” Orhan Pamuk, escritor turco. “A literatura não é o lugar onde o real está, mas de onde o real advém.” Josefina Ludmer, crítica argentina.
Genserico Encarnação Júnior, 69. Itapoã, Vila Velha (ES)
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