JORNALEGO
Nº 20, em 10 de Novembro de 2002.
Conto
O MUNDO ENCANTADO DA VELHICE
- Estou me sentindo renovado e revigorado com
esta vida folgada! Estou adorando! O perigo é me acostumar! Estou lembrando das
férias de colégio, dos meus tempos de criança.
- Ontem à noite, fui com a Mariana e um casal
de amigos a Guarapari. Chegamos por volta das dez num barzinho à beira-mar e por
ali ficamos até pouco mais de meia-noite. A lua estava cheia refletindo-se no
mar, sentamo-nos numa varanda que avançava por sobre a areia, de onde chegávamos
a ouvir o barulho das ondas misturado a canções antigas que um violonista
entoava. O ambiente estava ótimo, conversamos bastante, comemos algo e depois
fomos para uma casa de shows. Assistimos a uma banda de Brasília. O ambiente
amplo, aberto, continha uma multidão histérica que nos contagiou. Deu pra mexer
um pouco o corpo. Foi um bom programa a despeito de alguns cheiros estranhos,
embora conhecidos (!).Saímos por volta das três horas. Bebi quase nada, pois
teríamos que voltar para Vila Velha e eu era o motorista. Para completar, uma
noite clara, a estrada vazia e bem cuidada e um CD tocando uma música maneira
fecharam em grande estilo a nossa noitada.
- Hoje acordei relativamente cedo pra quem foi
dormir quase às quatro e fui caminhar na praia, pela beira d’água porque a maré
estava baixa e a faixa de areia era extensa e plana. Andei por toda a Praia da
Costa, de Itapoã até o Clube Libanês. Na volta, encontrei amigos, batemos um
papo, dei uma mergulhada e voltei pra casa. Não sem antes jogar um frescobol, o
que me fez suar bastante e eliminar as toxinas acumuladas na noite de ontem.
- Almocei com a Mariana e me joguei com ela na rede da
varanda, dando até pra tirar uma soneca. Depois vi outra derrota do nosso
Flamengo na TV. Vamos acabar rebaixados para a segunda divisão. Ao cair da tarde
fomos ao cinema no Metrópolis. Não dá pra ir aos shoppings em fim de semana. É
uma verdadeira multidão a comer e a criançada a entulhar os cinemas.
- Deixei Mariana em casa e vim correndo até
aqui. Tenho que me preparar porque a noite é uma criança e eu preciso aproveitar
bem o tempo que ainda me resta. Hoje ainda tem uma festa de aniversário de um
amigo em Camburi e amanhã churrasco em Jacaraípe.
- Bem! Estou meio atrasado. Vou indo,
rapidinho. Fui, vô.
- Estou lhe esperando pro lanche de amanhã. Não
se esqueça. Ficamos por aqui, ansiosos, quase que imobilizados o dia inteiro,
contando as horas, olhando o mar e vendo TV, esperando sua visita pra contar
como estão indo essas férias capixabas.
- Tchau, vó.
- Um beijo na minha xará.
- Vejo vocês amanhã!
Genserico Encarnação Júnior
Itapoã, Vila Velha (ES)
eeegense@terra.com.br
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