JORNALEGO
Nº 15, em 20 de Setembro de 2002
Crônica crônica
FICÇÃO OU REALIDADE?
Esta é a crônica de
um tempo permissivo, de drogas liberadas.
Esse tempo
é quando?
Nesse tempo, boa
parte da população transporta consigo um certo tipo de droga, utilizando-a a
qualquer hora, à vista de todos, nas vias e lugares públicos e privados, na
presença de menores. Sua venda é disseminada em todas as "boas casas do ramo" e
em bibocas suburbanas e rurais.
Seu uso
indiscriminado e descriminalizado conta com o apoio de acessórios, para sua
queima ou recolhimento dos restos, alguns de finíssimo acabamento, verdadeiras
obras de arte, portáteis ou expostos em salas de visitas, escritórios,
corredores, vestíbulos etc.
No início as
mulheres usavam-na às escondidas, com alguma reserva, depois o uso alastrou-se.
Até pré-adolescentes, na faixa dos 11 a 13 anos, num esforço de auto-afirmação,
a consomem.
Nesse tempo, para
celebrar alegrias e aliviar aflições, outra droga é abertamente utilizada. Sua
indústria requintada a apresenta sob vários tipos e marcas, em embalagens
riquíssimas. Casas especializadas na venda e no consumo proliferam aos milhares.
Seu comércio se faz ao lado de alimentos e produtos para o uso familiar. A
disseminação do seu consumo elevou a posição de destaque o espaço a ela dedicado
na decoração de ambientes.
Nesse tempo,
completamente aceitas e liberadas, essas drogas estão presentes em todas as
festas de aniversário, casamento, batizado, celebração de negócios, encontros e
papos de amigos. Não causam o mínimo constrangimento aos usuários ou a quem quer
que seja.
Os efeitos maléficos, a curto e longo prazo,
para a saúde e no comportamento social do usuário, que poderiam impor algum
limite ao consumo das mesmas, são relevados, a despeito de uma tênue
antipropaganda.
Esta é a crônica de
um tempo de drogas liberadas.
Esse tempo
é quando?
Esse tempo
é agora.
É tempo de
tabaco e álcool.
Esta crônica não embute
julgamentos de qualquer natureza, especialmente de ordem moral. Se isso se
desse, o autor seria o primeiro a fazer a sua “mea culpa” ou pelo menos sua
“meia-culpa”. Ela também não pretende oferecer argumento que justifique a
aceitação de outros tipos de droga. Seu único objetivo é tentar um certo
tratamento literário a um pequeno registro dos nossos costumes.
Genserico Encarnação Júnior
eeegense@terra.com.br
Itapoã, Vila Velha (ES).
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