JORNALEGO
Em 06 de Agosto de 2002.
Edição Extraordinária
ACRE DOCE
Hoje, o
JORNALEGO registra e comemora com prazer o centenário da Revolução Acreana, uma
bela página da história recente de nosso país, pouco conhecida pelos
brasileiros. Seus habitantes costumam dizer, com orgulho, que o Acre é único
Estado da Federação que lutou para fazer parte do Brasil.
A seguir um
pequeno histórico de sua grande história.
A região,
depois dos indígenas, foi povoada por nordestinos que, fugindo das secas,
procuravam sua subsistência através da exploração da borracha. Até o início do
século XX, a região pertencia à Bolívia. Desde as primeiras décadas do século
XIX, no entanto, a maioria de sua população foi formada por brasileiros que
exploravam os seringais e não obedeciam à autoridade boliviana.
Em disputa pela nova riqueza, a região foi
sempre cobiçada pela Bolívia e pelo Peru, tendo por trás interesses ingleses e
americanos, o que provocou inúmeras guerras. Diante dessa situação, o espanhol
Galvez*, proclamou o Estado independente do Acre, em 1899, tentando criar um
país moldado nos ideais da Revolução Francesa.
O Governo Brasileiro de então mandou
forças para combater Galvez, com o intuito de devolver a região à Bolívia (e aos
ingleses e americanos, "por supuesto"). Com a derrota de Galvez, o Bolivian
Syndicate, testa-de-ferro dos interesses alienígenas, passou a dominar a
exploração da borracha na região.
Os brasileiros, então, se revoltaram em 1902,
sob o comando do gaúcho Plácido de Castro e os conflitos só terminaram com
a assinatura do Tratado de Petrópolis, em 17/11/1903, quando o
Acre foi incorporado ao Brasil como território federal. Pelo tratado, o Brasil recebeu a
posse definitiva da região em troca de áreas no Mato Grosso, do pagamento de
dois milhões de libras esterlinas e do compromisso de construir a estrada de
ferro Madeira-Mamoré.
A vitória dessa revolta é que se comemora hoje
com feriado estadual.
Os tratados de Petrópolis e do Rio de Janeiro
estabeleceram os limites definitivos ao mapa do Brasil naquele extremo oeste.
Nessas negociações destacou-se a participação do Barão do Rio Branco nas gestões
diplomáticas com os dois países. Como se sabe, a diplomacia é a continuação da
guerra com outros métodos ou vice-versa.
A transformação do Acre de Território Federal
para Estado se deu no Governo Goulart, em 1962. O Estado do Acre é maior do que
os Estados do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, juntos. O acesso rodoviário ao
resto do país só se deu muito recentemente, em 1990, com a construção da estrada
(BR) que liga Porto Velho (Rondônia) à capital Rio Branco.
O entusiasmo do redator do JORNALEGO pelo Acre
se dá pela importância de sua história, que conheceu a partir de duas visitas ao
Estado e, finalmente, mas não em último lugar, pelo fato de seu terceiro neto
ter nascido ali, onde ainda vive com seus pais, e, aonde todos vão bem,
obrigado.
*
Leitura indicada: “GALVEZ, O IMPERADOR DO ACRE”, de Márcio Souza.
Genserico Encarnação
Júnior
Itapoã, Vila Velha
(ES)
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