A utilização de centros de excelência como
instrumento para facilitar o desenvolvimento de empresas e países, estados
e mesmo municípios através da inovação é uma prática já amadurecida que
vem encontrando crescente aplicação em grandes empresas e governos.
Podem-se destacar as redes da Petrobras, IBM e da Airbus entre as empresas
e, por iniciativa governamental, os do Canadá (tecnologia e
comercialização) e do Reino Unido (administração). No Brasil, a Petrobras
que aplica um modelo próprio desde 1996, decidiu em 2007 ampliar a
experiência instalando Espaços Centros e Redes de Excelência junto a
universidades, para desenvolvimento e aplicação da metodologia. O primeiro
Espaço foi instalado junto a COPPE/UFRJ onde a metodologia já vem sendo
desenvolvida em cooperação com a Petrobras desde a metade da década de
noventa. Descrevem-se o modelo adotado, os principais exemplos de sua
aplicação e as atividades a serem exercidas pelo Espaço.
The use of excellence centers
as a tool for assisting the development of enterprises and countries
through innovation is a mature practice that has been increasingly applied
by companies and governments. One can point out the IBM and Airbus
networks among the enterprises and regarding governments, Canada
(technology and commercialization) and the United Kingdom
(administration). In Brazil Petrobras has applied the model since 1992 and
it has decided to amplify the experience by installing centers at
universities in order to develop and apply the methodology. The first
Space Centers/Networks of Excellence was installed at COPPE/UFRJ where the
methodology has been developed together with Petrobras since the beginning
of the 1990s. Another space is programmed for the Federal University of
Bahia. The adopted model, the main examples and the activities involved
are described.
Palavras-chave:
Redes de Excelência, Centros de Excelência, Inovação, Gestão.
O Brasil vem firmando o entendimento de que
para criar a riqueza nacional sustentada é urgente elevar
significativamente os investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento e
Inovação (P&D&I) e reunir os recursos disponíveis em consórcios para,
assim, avançar em ciência, tecnologia, infra-estrutura, gestão empresarial
e pública e ação social, otimizando o uso de suas disponibilidades e
multiplicando resultados. Governos e empresas coincidem ao identificar a
necessidade de modernizar e fixar bases de excelência em gestão para bem
competir no mercado nacional e no internacional. Compreende-se também que
as inovações – não só as tecnológicas, mas de todos os campos de saber e
do agir – devem estar disseminadas nas diversas áreas das empresas e
organizações.
Três Conferências Nacionais de Ciência e
Tecnologia – 1987, 2001 e 2005 –, assim como os estudos que as prepararam
e os que delas resultaram, orientaram a nação para valorizar a ciência, a
tecnologia e a inovação como bases de sustentação do progresso. No final
da década de 1990, a criação dos Fundos Setoriais, e em especial a criação
do CTPetro, pelo volume de aplicações que propiciou, foram pontos
marcantes. Outro evento foi a nova Lei do Setor Petróleo, datada de 1997,
que determinou a aplicação compulsória em P&D pelas empresas petrolíferas
de recursos equivalentes a 1% do valor do petróleo produzido em campos que
viessem a ser gravados com pagamentos de taxas especiais (Participações
Especiais).
No terreno prático, mais recentemente, o
Governo Federal lançou e fez aprovar a Política Industrial, Tecnológica e
de Comércio Exterior (2004)[1],
a Lei de Inovação (2005)[2]
e a Lei 11.487 (2007)[3],
que concede incentivos às empresas que aplicarem fortemente em P&D. Também
em 2007, foi lançado o PAC da Ciência e Tecnologia. E, por fim, em 2008, a
Política de Desenvolvimento Produtivo - PDP[4],
que tem na inovação um dos seus elementos fundamentais, citando
explicitamente a formação de Redes e de Centros de Excelência e destacando
o setor de petróleo e gás.
Dentro deste quadro, o BNDES[5],
o MCT[6],
o MME, o MDIC, a ANP, a CNI[7],
a Finep e a Fapesp, entre outros, clamam para que se agregue mais valor
aos produtos, processos e serviços nacionais, mudando a estrutura
produtiva nacional e valorizando a formação de redes que conectem
empresas, órgãos de governo e segmentos das universidades e dos centros de
pesquisa.
No entanto, apesar desses esforços, ainda
são poucas as experiências de excelência com base no setor produtivo – e,
em menor número ainda, as empresas brasileiras que detêm vanguarda mundial
nos seus segmentos. Assim, o Brasil ainda não conta com exemplos
suficientes para motivar e orientar os milhares de pessoas, empresários,
pesquisadores e governantes que neste momento deveriam estar lançando-se
em experimentos voltados para alcançar a vanguarda nacional e mundial.
Para que a nação venha a contar com
milhares de redes de vanguarda que importam à formação dessa base de
sustentação de seu desenvolvimento, abrangendo temas do interesse de todos
os setores da economia, indústrias, terceiro setor, educação e saúde,
esportes etc., será necessário:
disponibilizar para a
sociedade metodologias de formação de redes de excelência;
multiplicar e divulgar
redes de excelência de grandes empresas e entidades, públicas ou privadas;
e
promover entre as
instituições um movimento organizado, abrangente e valorizado pelas
gerências e lideranças voltado à formação de redes de excelência e de
ambientes que orientem sua multiplicação, criando um clima favorável em
todos os segmentos das organizações, entidades e regiões brasileiras.
O mundo entra na Era do Conhecimento: cada
vez mais, as riquezas decorrem da transformação da inteligência em
produtos, processos e serviços inovadores e também do melhor uso de
recursos existentes. Inovação e ganhos em produtividade são sinônimos de
competitividade no âmbito mundial e nacional. Essas são questões-chave
para o progresso.
É dentro deste contexto que a Petrobras
patrocinou a criação do Espaço Centros e Redes de Excelência[8]
em parceria com a UFRJ/COPPE[9]
tendo como objetivos diversificar os meios atualmente disponíveis para
atender a sua crescente demanda e, no que couber, apoiar o esforço
nacional, agregando metodologias em aprimoramento contínuo.
Há, no País, tentativas isoladas de
promover trabalhos que atendam às diretrizes governamentais e possam obter
a liberação das verbas para pesquisas em redes. Por outro lado, o esforço
de organizações e universidades tem evoluído de forma relevante no sentido
de trabalharem com o conceito de redes[11]
de especialistas, no seu âmbito ou mesmo em conjunto com outras entidades,
também disponibilizando metodologias para a sociedade.
Contudo, quando se trata de consórcios
entre empresas, órgãos de governo, unidades acadêmicas e órgãos de
pesquisas, não há uma sistematização disponível para todos. Sobretudo, não
há um movimento organizado conduzido pela sociedade nesse sentido. A
Petrobras é, seguramente, a empresa-líder na estruturação de redes e
parcerias de todas as categorias, e isso, desde sua fundação.
Sistematicamente, vem aprimorando seus mecanismos de gestão nesse campo e
disponibilizando, progressivamente, suas metodologias para a sociedade.
Em 1996, a empresa lançou formalmente a
Prática de Gestão Centros/Redes de Excelência - PCREX, que vinha
desenvolvendo em conjunto com a COPPE, de acordo com seu Plano Estratégico
para 1992-2000, e o Centro de Excelência em Geoquímica, primeiro organismo
nacional a ostentar tal diferencial de vanguarda. Depois, dezenas de
outros empreendimentos da estatal e de terceiros seguiram essa linha, e
praticamente todos os modelos de redes mais elaboradas envolvendo
empresas, órgãos de governo, entidades acadêmicas e de pesquisas tiveram
no seu DNA parcelas da PCREX.
Em 1997, o Governo Federal lançou o
Programa Núcleos de Excelência - PRONEX, restrito à área científica, e as
Redes Cooperativas de Pesquisa - RECOPE[12],
uma união de empresas e Universidades, essa já praticamente descontinuada.
Foram tentativas mais contundentes de mudar o paradigma até então vigente,
que não exigia que os candidatos aos recursos incentivados formassem
parcerias entre especialistas ou entre unidades de pesquisas e empresas
(essas iniciativas do governo e a da Petrobras ocorreram sem ligação entre
si).
Em seguida, vários fundos de fomento às
pesquisas foram lançados e, a partir de experiências de aplicação
pulverizada em projetos de P&D, todos os candidatos aos seus recursos
passaram a ser orientados pelo governo a formar redes. São exemplos desse
esforço as Redes Tecnológicas do Norte-Nordeste, além de várias outras
redes importantes e das regulamentações que estabeleceram esse princípio
como condição para seleção das entidades candidatas aos recursos.
No fim da década passada, tiveram destaque
os grandes investimentos do CTPetro em vários Centros e Redes de
Excelência[13],
como aqueles realizados no Tanque Oceânico do Parque Tecnológico da UFRJ e
no Tanque Numérico da USP (ambos no âmbito do Centro de Excelência em
Engenharia Naval e Oceânica), entre outras inversões em mais de 50
projetos da RedeGasEnergia.
Em 2006, a Petrobras lançou, com
metodologia própria e específica para o caso e em acordo com ANP, as mais
de 40 Redes Tecnológicas que a conectam a universidades – como resultado
da aplicação compulsória de 1% do valor da produção de óleo nos campos de
petróleo que pagam Participações Especiais.
São dignos de nota os esforços do Sebrae
para reunir as pequenas e médias empresas em arranjos produtivos locais,
trabalhando com o conceito de Cadeias Produtivas, e outras iniciativas
brilhantes que levam à congregação de esforços no sentido do ganho em
produtividade e inovação em geral. Da mesma forma, merecem registro as
iniciativas do SENAI e do SESI para criar organismos de ponta que apóiem
as indústrias em geral e aos seus quadros.
O objetivo nacional é elevar os
investimentos em P&D&I para um patamar de 1,5-2% do PIB. Posteriormente,
essa meta terá que mirar os 3%, caso se deseje alcançar os países que mais
investem no desenvolvimento tecnológico. Pretende-se que esse crescimento
se faça preponderantemente através do setor empresarial. Este é um
movimento comum no mundo há tempos e, assim, deve ser uma jornada de
todos. Entretanto, não há metas ou movimentos definidos para investimentos
em aplicações semelhantes no campo da gestão e da ação social, por
exemplo, o que faz com que o conceito de inovação no seu sentido mais
amplo deixe a desejar.
Por exemplo, sem inovação continuada em
gestão até mesmo os investimentos na área técnica podem ficar
prejudicados, já que a otimização no uso dos poucos recursos disponíveis e
a multiplicação de resultados com a ação em redes/consórcios exige
vanguarda em gestão. Mas, isso só se atinge se movimento semelhante ao que
se faz no campo estritamente tecnológico e científico for
seguido/aprimorado para todas as ciências humanas, com estreita ligação às
questões sociais, da natureza, da relação homem em grupo e no trabalho na
busca da felicidade e da realização. E se nas companhias, nos órgãos de
governo, nas entidades da sociedade de qualquer tipo se pensar em inovação
em conceito mais amplo, disseminada em todos os segmentos dessas
organizações. A inovação resulta da ação do homem, isolada ou em grupo,
em todos os campos imagináveis. Tudo que evolui resulta da ação do homem e
jamais haverá excelência em uma organização, cidade ou país, se somente
houver a preocupação com inovação em bolsões, pois o elo mais fraco sempre
ditará o resultado final. Se um pai/mãe, uma professor/a, um gerente não
inova no seu dia-a-dia, acaba preparando filhos/alunos/funcionários de
forma convencional, que por sua vez na sua trajetória de vida agirão de
forma convencional, e os resultados serão convencionais, nunca de
vanguarda. Em um mundo globalizado, em algum lugar a inovação se destacará
para algum segmento, ou em todos os campos, e, assim, seremos sempre
“invadidos” pelos serviços, produtos, processos, métodos, conhecimentos,
tecnologias inovadoras. Então, ou inovamos de forma ampla ou sucumbimos na
competição mundial. O nosso povo difere do alemão, inglês, norte-americano
ou asiático e, por isso, não adianta somente importar técnicas, modelos e
conhecimentos sobre o como fazer, viver ou pensar, como, por exemplo, o
que fazer no campo de gestão, do ensino, ou da ação social e tecnológica,
estudados para outras realidades. Há que se inovar aqui.
Como exemplo dessa complexidade e
oportunidade, vejamos o caso do desejado aumento em investimentos no
segmento de P&D. Não existem recursos humanos e financeiros adicionais
substanciais para aumentar, de imediato, os investimentos em P&D. Então, o
processo terá que ser progressivo, otimizando o uso dos existentes, o que,
degrau a degrau, incrementará as disponibilidades, em decorrência dos
melhores resultados obtidos com os ganhos em produtividade e qualidade.
Assim, o grande objetivo nacional e de todos que queiram crescer em
inovação e conhecimentos será trabalhar em redes e criar as condições para
multiplicar os seus resultados.E, fundamentalmente, evoluir e inovar muito
em gestão (ver a seguir “Como fazer o País crescer em inovação”).
Nesse quadro, muito pode contribuir a
metodologia aplicada na formação de Centros e Redes de Excelência, que
resultam de uma diversidade de Parcerias Estratégicas[14],
sustentáveis e permanentes, com visão empresarial e atuando em toda a
cadeia de valor. Esses empreendimentos unem, obrigatoriamente, empresas e
entidades nacionais e estrangeiras, órgãos governamentais, universidades e
centros de pesquisas e são liderados por seus fundadores que compõem o
núcleo de poder. A metodologia aplica-se a todos os campos, como Gestão,
Processos, Tecnologia, Ação Social e Meio Ambiente, por exemplo.
Acredita-se que, somente no âmbito das
empresas públicas (Petrobras, Correios, Eletrobras, Banco do Brasil,
BNDES, EMBRAPA etc) e entidades da sociedade, mais de uma centena de
Centros ou Redes de Excelência possam ser implantados a curto prazo.
Empresas e entidades privadas em geral (como o Sesi e o Senai) e mesmo
ministérios poderiam em pouco tempo lançar centenas de empreendimentos
dessa natureza, valendo-se da experiência e sistematização promovida e
disponibilizada pela Petrobras/COPPE. Também os Estados estariam aptos a
planejar a criação de Espaços de Excelência partindo de suas competências
locais, porém sempre com visão nacional e mundial. A orientação inicial
para a configuração desses projetos seria dos Espaços Centros/Redes de
Excelência que são objeto deste estudo e cujas definições e
características apresentamos mais à frente.
As razões que presidiram a criação de
entidades como a FINEP, a FGV, o Prêmio Nacional da Qualidade, o MBC, a
CNI, o Senai, o Sebrae, o CGEE, a Onip, o IBP e tantas outras que visam
promover a inovação ou preencher lacunas na formação de recursos humanos,
no ensino, no apoio tecnológico às indústrias, na gestão ou na
administração, são as mesmas razões que, agora, impõem-nos avançar no
apoio à estruturação de redes de vanguarda com viés pragmático.
É nesse contexto que se imagina criar,
juntamente com as universidades, Espaços Centros/Redes de Excelência
ampliando a experiência desenvolvida entre a COPPE e a Petrobras. A partir
da aplicação dessa metodologia, estruturas envolvendo a maioria das
universidades, centros de pesquisas e dezenas de órgãos de governo e
empresas e entidades nacionais e estrangeiras já se encontram configuradas
e vêm influenciando o lançamento de metodologias assemelhadas.
Esses Espaços Centros/Redes de Excelência
atenderão de imediato às demandas da Petrobras e a outras por ela
indicadas, contando com estrutura para esse fim específico. Com estruturas
adequadas, atenderão demandas nacionais e regionais na sua temática e
competência e ampliarão suas parcerias para formar uma rede com maior
número de instituições, incluindo consultorias, a fim de promover a
multiplicação de Centros/Redes de Excelência no País.
Os Espaços Centros/Redes de Excelência
propiciarão as condições efetivas para que seus fundadores e o Brasil
possam multiplicar seus empreendimentos de vanguarda, através de:
i) apoio à ampliação e à multiplicação de Centros e Redes de
Excelência nas entidades fundadoras;
ii)apoio à multiplicação de Centros e Redes de Excelência fora das
entidades fundadoras, porém indicados por ela;
iii)
sistematização de
conhecimentos, para uso dos fundadores ou a serem disponibilizados para a
sociedade;
iv)apoio à estruturação de outros Centros e Redes de Excelência e a
parcerias com recursos patrocinados por terceiros; e
v)apoio aos fundadores para formação de outros Espaços ou a outras
entidades para criarem seus Espaços cativos.
No momento, vários Centros e Redes pedem
apoio executivo à Petrobras. Além disso, eleva-se a demanda por maior
participação da equipe atual do núcleo da COPPE, e a Petrobras, de um modo
geral, amplia em muito o seu desejo de formar Centros e Redes de
Excelência. Paralelamente, vários Estados e entidades pretendem promover
algo semelhante a esses movimentos da Petrobras no campo da formação
dessas redes de vanguarda.
Tendo em vista o quadro apresentado
anteriormente, pressupõe-se que há interesse geral no crescimento das
aplicações em ciência e tecnologia, que boa parte desse incremento venha a
ser capitaneado por empresas e que inovação e vanguarda são
elementos-chave para o progresso sustentado nacional e empresarial. Em
decorrência, torna-se necessário estimular dois movimentos nacionais:
Aumento gradativo das
inversões dos governos em P&D&I, favorecendo a formação de redes de
recursos e a aplicação em temáticas abrangentes e ainda sem interesse para
a iniciativa empresarial (por exemplo, tecnologias e questões emergentes)
e, também, em redes criadas espontaneamente pela sociedade, estimulando,
com isso, a busca pela inovação.
Lançamento de metodologias
e programas de amplo uso gerados pela sociedade, suas empresas e entidades
em geral, de forma a criar massa crítica para a inovação em inúmeros
campos e estimular o surgimento de milhares de redes de vanguarda que
sustentarão o desenvolvimento nacional.
O objetivo é criar o efeito “bola de neve”
na criação da riqueza: promovendo um razoável acréscimo inicial nas
aplicações em P&D&I, inovar e produzir resultados[15],
que gerarão um recurso nacional e empresarial adicional, a ser
parcialmente reinvestido, para inovar ainda mais e, desse modo, produzir
mais renda, para aplicar ainda mais, e assim sucessivamente. Sem esse
movimento, sem essa espiral de inovação crescente, tudo mais que se faça
será insuficiente para impulsionar um vigoroso processo de desenvolvimento
sustentado do País. Note-se que nenhuma das empresas que hoje lideram os
investimentos em P&D&I começou aplicando o montante atual. Foram os
sucessos decorrentes das aplicações crescentes que permitiram a ampliação
desses recursos.
No momento, um aumento das aplicações
equivalente a 1% do PIB representa o investimento de mais US$ 10 bilhões
por ano. Para que, no prazo mínimo necessário de 20 anos, o País alcance
um novo patamar de riqueza econômica e social, será preciso organizar um
movimento capaz de gerar recursos muito superiores a US$ 200 bilhões. Como
esse montante não existe de pronto, nem mesmo os US$ 10 bilhões para
começar o movimento, será preciso obter resultados crescentes que gerem
aplicações também crescentes, que permitam atingir o ponto desejado de 2 a
3% do PIB, a ser igualmente suplantado em etapa posterior. Ou seja, é uma
tarefa hercúlea, principalmente quando se leva em conta a pouca tradição
de trabalhos em redes que se sustentem no tempo, otimizadas e de
vanguarda. Trata-se de gerar centenas de bilhões de dólares e aplicar bem
esses recursos.
Os conhecimentos gerados nos Espaços
Centros/Redes de Excelência contribuirão para estimular empresas,
cidadãos, ONGs, órgãos de governos, universidades e centros de pesquisas e
demais entidades nacionais a investir somas crescentes em redes, com foco
no mercado e no progresso empresarial e sócio-ambiental, aportando bons
exemplos e metodologia adequada.
Surge, portanto, um excelente momento para
a criação desses Espaços Centros/ Redes de Excelência.
Vários empreendimentos que aplicam a
metodologia da Prática de Gestão Centros/Redes de Excelência constituem
projetos eficazes de alto interesse empresarial e nacional como subsídio
ao desenvolvimento sustentável
[17].
Tanques Oceânicos e
Numéricos do Centro de Excelência em Engenharia Naval e Oceânica: devido a
sua forma de funcionamento, operam como entidades em rede e hoje permitem
que o País desenvolva projetos de novas plataformas e navios de produção
de óleo, participando ativamente da recuperação do setor naval nacional e
constituindo-se em parte importante do PROMINP.
Centro de Excelência em Gás
Natural – CTGas: em termos de resultados gerais, é similar a uma OSCIP e,
ao mesmo tempo, a uma Parceria Público-Privada, pois somou recursos da
Petrobras e do Senai, estabelecendo um consórcio com personalidade
jurídica e prestação de serviços em todo o País, multiplicando, inclusive,
os núcleos regionais, que já são 16.
Centro de Excelência em
Asfalto – CEASF: inovou ao criar núcleos regionais e multiplica-se pelo
País. Com base no Ceasf e na metodologia Petrobras/COPPE, o Ministério dos
Transportes, o Ministério da Defesa, o IME e o DNIT lançaram o Centro de
Excelência em Engenharia dos Transportes, ação de interesse para a
recuperação da infra-estrutura nacional de transportes.
RedeGasEnergia: desenvolve
ou nacionaliza tecnologias e serviços na área do gás, considerando o
mercado consumidor e toda a cadeia produtiva do setor. Vital para a
internação otimizada e mais rápida do gás no País, tornou-se a maior rede
de pesquisa nacional e a maior demandadora de recursos em um único tema,
influenciando o sistema de fundos oficiais. Também já se multiplica em
Centros temáticos derivados.
Rede de Excelência em
Petroquímica: está sendo estruturada pela Petroquisa e organizará o
sistema de P&D e a cadeia de valor do setor, acelerando seu
desenvolvimento.
Centro de Excelência
Ambiental da Petrobras na Amazônia: recém-aprovado, será um diferencial do
País em assuntos de desenvolvimento sustentável, constituindo a maior rede
de pesquisas e aplicações no tema da Região Amazônica.
Centro de Excelência em
Automação e Controle Avançado de Processos, Rede de Excelência em
Engenharia de Poços e Centro de Excelência em Geoquímica: cumprem seus
papéis, agora muito em linha com as Redes Temáticas. Também o Centro de
Excelência em Qualidade da Terceirização, entre outros, desempenha função
relevante no desenvolvimento tecnológico da Petrobras e das empresas
brasileiras.
Vários Centros e Redes de
Excelência estão conectados às Redes Tecnológicas que vêm sendo formadas
pela Petrobras, criando uma super-malha de relacionamentos que demanda
grande atenção.
Rede de Tecnologia Social –
RTS: estruturada também com base na metodologia de formação de Centros e
Redes de Excelência, agrega inúmeras entidades em rede, promovendo
identificação, multiplicação e disseminação de trabalhos de base
tecnológica na área social.
Prominp: talvez o maior
movimento de recuperação, transformação e inovação em uma cadeia produtiva
de grande impacto, foi formatado inspirado na Prática de Gestão
Centros/Redes de Excelência. É particularmente interessante o fato de
passar a utilizar-se intensamente e formalmente da estruturação de Centros
e Redes de Excelência como um dos seus instrumentos para alcançar a
competitividade da cadeia produtiva de petróleo e gás brasileira, contando
mais de vinte empreendimentos em curso ou análise. Assim, configura em
verdade uma Rede de Centros e Redes de Excelência, com ações
estruturantes, comandadas pelo núcleo de poder, e ramifica-se criando
empreendimentos permanentes, para alcançar a vanguarda em vários temas de
seu interesse.
Um Espaço Centros/Redes de Excelência tem
como produto principal o apoio à formação de Centros e Redes de
Excelência.
A base teórica dos empreendimentos
denominados “Centros” ou “Redes” de Excelência deve ser consultada nos
documentos e na bibliografia sobre o assunto (http://www.ecentex.org).
Para facilitar o entendimento, serão apresentados a seguir, resumidamente,
os fundamentos de sua metodologia de formação.
Um Centro ou Rede de Excelência é um
empreendimento formado por um conjunto de recursos físicos, financeiros,
de tecnologias e conhecimentos, conduzido por lideranças e grupos que
busca vanguarda sustentada em determinada temática. É constituído com a
intenção de atuar por prazo ilimitado, e sempre através de Parcerias
Estratégicas, seguindo a metodologia, as normas e os padrões que compõem a
Prática de Gestão Centros/Redes de Excelência, sob a responsabilidade da
Petrobras/DSG, ou orientada pela COPPE para uso de terceiros. Conta com
modelos de gestão adequados às suas circunstâncias, porém conformes aos
padrões homologados. Seu curso pressupõe a definição de Ações e Projetos
Estruturantes desafiadores, que mudam seu patamar de conhecimentos e
tecnologias, sempre buscando ampliarem-se. Sua malha, obrigatoriamente,
envolve órgãos governamentais, universidades, centros de pesquisas,
empresas e entidades nacionais e entidades do exterior.
A partir desse Modelo Básico, podem-se
formatar pelo menos três arranjos mais complexos como:
Modelo Expandido: estimula
a criação de Centros e Redes de Excelência na sua órbita;
Modelo Corporativo: uma
variação do anterior, que, no entanto, reserva as ações corporativas
estratégicas ao núcleo de poder central e as ações executivas, aos
empreendimentos em órbita;
Rede Nacional de
Excelência: na verdade, uma rede de Centros e Redes de Excelência,
constituindo-se numa evolução do modelo anterior, porém com atuação mais
abrangente e de interesse para múltiplas organizações ou para o País. Os
empreendimentos em órbita são modelos que também podem adotar
configurações ainda mais complexas. Esse modelo é especial para o momento
presente do País, quando precisamos acelerar nosso desenvolvimento e assim
otimizar o uso dos recursos disponíveis e as várias iniciativas que embora
isoladas sejam exitosas.
As ações de um Centro ou Rede de Excelência
são apresentadas em linhas gerais no quadro a seguir.
A Prática de Gestão Centros/Redes de
Excelência tem um valor especial em relação a tudo que se refira à
inovação e à motivação dos recursos humanos – pontos hoje cruciais no
mundo competitivo. Um dos pressupostos de cada novo empreendimento é
estimular um alto grau motivação nos grupos operativos. Além disso, aponta
para o aprimoramento do funcionamento de setores, a geração e a captação
de recursos adicionais, a solução de problemas críticos, a viabilização de
parcerias, o destaque das atividades dos fundadores e o estabelecimento de
um conveniente processo de marketing.
Em relação à Gestão do Conhecimento, essa
Prática é um caminho adequado para aumentar o estoque de conhecimentos de
forma natural, contínua e sustentável, acrescentando novos focos de saber
interligados, criando processos, produtos e serviços ou agregando-lhes
valor, e, ao mesmo tempo, motivando as entidades e pessoas. É um modelo de
gestão de recursos intangíveis que coloca vanguarda e inovação em primeiro
plano, como objetivos naturais.
Com base nessa Metodologia, serão
configurados Espaços Centros/Redes de Excelência (ou seja, cada Espaço
será um Centro de Excelência no tema Metodologia), que se
responsabilizarão por apoiar a formação de Centros e Redes de Excelência
nacionalmente.
Desde 1995 e até o ano passado, a Coppe/UFRJ
contava com uma estrutura para apoiar a Petrobras na formação e
acompanhamento de Centros e Redes de Excelência, bem como para apoiar o
aprimoramento da metodologia aplicada e que fora desenvolvida em conjunto
com a estatal. Com o intuito de ampliar seu envolvimento com as
universidades, a estatal decidiu promover a criação de Espaços
Centros/Redes de Excelência nesses ambientes, começando pela Coppe.
Um Espaço Centro/Rede de Excelência conta,
inicialmente, com recursos de uma universidade e de uma entidade
patrocinadora, trabalha de acordo com princípios gerais orientados neste
documento e especificados em contratos entre as partes e segue uma
estrutura organizacional semelhante à do Modelo Básico de um Centro de
Excelência:
No
primeiro momento, estrutura-se uma parceria entre a entidade patrocinadora
e a universidade escolhida, formando-se a Comissão Gestora inicial. Essa
comissão poderá escolher, de forma consensual, Parceiros Estratégicos.
Parceiros Estratégicos do Espaço são
aqueles que desenvolvem atividades permanentes e afinadas com seus
objetivos, missão e visão. Trabalham com o Espaço em ações coletivas ou
segmentadas, comercializam produtos, tecnologias e serviços acordados,
fornecem, recebem ou trocam conhecimentos e tecnologias e unem pessoas e
recursos físicos ou financeiros ao conjunto, segundo o interesse das
partes. Não participam do núcleo de poder do Espaço, a não ser quando seja
de interesse dos Fundadores. Sua ligação é estabelecida em acordos
definidos com o núcleo de poder das ações, conforme temática de sua
especialidade. Uma vez que contribuem de forma contínua, podem
apresentar-se ao mundo como parte da rede formada pelo Espaço,
valorizando, assim, sua marca ou sua organização. Ganham escala e força na
sociedade e no mercado por participarem de um empreendimento de vulto e
vanguarda, o que é um forte atrativo para que se aproximem e aceitem as
regras coletivas.
No segmento Centros de
Pesquisas/Universidades, a unidade acadêmica escolhida é a primeira
Parceira Estratégica, com direito a participar da gestão, já que se
caracteriza como Fundadora, ao lado da entidade patrocinadora. Outras
unidades poderão contribuir com atribuições específicas, tendo-se sempre
em vista a diversificação de apoios.
Vale frisar, contudo, que a universidade
que sedia o Espaço não goza de preferência na seleção dos Parceiros
Estratégicos que comporão a malha dos Centros e Redes de Excelência,
formados com seu apoio metodológico. Essa escolha é de total
responsabilidade das entidades fundadoras do empreendimento e obedece
exclusivamente a critérios de relevância para o tema em foco e capacidade
tecnológica e acadêmica.
Os órgãos de governo selecionados
constituirão acordos, associações e/ou convênios para aportes de fundos,
tendo em mira programas de interesse público na temática gestão, inovação,
gestão do conhecimento, redes e assemelhados. Com apoio do Espaço, numa
ação ainda mais estratégica, poderão adotar a Prática Centros/ Redes de
Excelência como ferramental para, por exemplo, formar Redes Nacionais de
Excelência ou criar internamente empreendimentos de menor abrangência.
Entre empresas e entidades em geral, o
Espaço buscará parcerias com aquelas que queiram aplicar a metodologia em
seus domínios ou pretendam promover o desenvolvimento nacional e que
possam induzir a disseminação do uso da Prática.
O Espaço buscará ainda estabelecer ligações
com entidades no exterior, não só para expandir-se globalmente (objetivos
de marketing) como para trocar experiências, conhecimentos e
tecnologias.
No livro sobre a metodologia da Prática de
Gestão Centros/Redes de Excelência, são elencadas outras atividades,
cabendo ressaltar que parceiros ocasionais são tratados como fornecedores
ou clientes e não figuram na categoria Parceiros Estratégicos.
Ações como as indicadas no quadro a seguir
são atribuições gerais de um Espaço Centros/ Redes de Excelência. Elas
apontam para a busca de parcerias para o desenvolvimento de Projetos e
Ações Estruturantes.
Antes de
tudo, a universidade escolhida deve estruturar o Espaço fisicamente e
engajar-se num processo de capacitação conduzido junto com a Petrobras ou
com a COPPE, com o intuito de transferir conhecimentos sobre o assunto e
tomar ciência das experiências relativas aos Centros e Redes de Excelência
que estejam em curso.
Um Espaço Centros/Redes de Excelência tem a
visão de ser sempre reconhecido como organização de ponta dedicada a
apoiar a estruturação de empreendimentos de vanguarda – e, portanto, de
Centros e Redes de Excelência – de interesse das instituições brasileiras,
bem como participar do aprimoramento contínuo das metodologias envolvidas.
Sua missão será criar meios e condições
para apoiar a multiplicação de Centros e Redes de Excelência no âmbito das
instituições patrocinadoras e incentivar e apoiar empresas, instituições,
universidades e órgãos governamentais, para que constituam Centros e Redes
de Excelência em temáticas de seus interesses.
O principal Produto de um Espaço
Centros/Redes de Excelência é a concretização, junto com seus
patrocinadores e no País, de empreendimentos de vanguarda. O segundo
Produto na linha de importância é a contribuição para o aprimoramento
contínuo da metodologia de formação de Centros e Redes de Excelência.
Adicionalmente, o Espaço tem outros produtos como seminários, cursos,
avaliações, certificações e contribuição executiva e orientadora para sua
implementação. De uma maneira geral, os produtos de um Espaço
relacionam-se às ações anteriormente mencionadas.
A sistematização oferecida pela Prática
Centros e Redes de Excelência permite que qualquer grupo de uma
organização se sinta à vontade para desenvolver seu projeto de otimização
e persecução de vanguarda. Os exemplos, a literatura, o banco de dados, as
normas e as diretrizes indicarão os caminhos a seguir. Assim, a motivação,
no seu sentido mais amplo, pode ser considerada um dos mais nobres
produtos dos Espaços.
Os Produtos gerais e específicos destinados
ao patrocinador, que aporta os recursos iniciais para manutenção e
operação do Espaço Centros e Redes de Excelência, são estipulados caso a
caso e registrados em contratos. São negociadas principalmente a
formatação de Centros e Redes de Excelência, a assessoria aos
empreendimentos em curso e mesmo ações executivas de interesse em apoio a
Centros e Redes que demandem esse suporte. No caso de os Espaços
estabelecerem acordos com terceiros, os serviços e produtos ofertados
deverão guardar semelhança com os disponibilizados pelos patrocinadores.
A Gestão de um Espaço Centros/Redes de
Excelência será inicialmente conduzida por uma Comissão Gestora composta
por representantes da universidade escolhida e do patrocinador, ambos com
direito a veto nas decisões. Cada Espaço terá um Coordenador indicado pela
universidade e aceito pelo patrocinador. Havendo vários Espaços
patrocinados por uma mesma entidade patrocinadora, caberá a ela a
coordenação do conjunto, em acordo com as unidades acadêmicas envolvidas.
O modo de funcionamento dos Espaços em
relação aos serviços de interesse de qualquer entidade é definido em
contratos com a fundação da universidade.
Como já mencionado, é preciso ter em mente
que a idéia não é formar órgãos de comando reunindo todos os Parceiros
Estratégicos do Espaço, pois eles se transformariam em estruturas pesadas,
com pouca capacidade de decisão. A salvaguarda dos interesses nacionais e
dos participantes é alcançada através de acordos operacionais específicos
e da definição de áreas de ação. A incorporação de um novo membro à
Comissão Gestora dependerá do atendimento de duas condições simultâneas:
i) que essa admissão seja consensual entre a universidade e os membros da
Comissão Gestora; ii) que a necessidade de incorporação do novo membro
seja considerada, também consensualmente, indispensável ao cumprimento da
visão e da missão do Espaço.
Participações governamentais são possíveis
e desejáveis através de contratos de gestão ou acordos especiais, de forma
a cumprir determinados papéis de interesse público.
Cada Centro ou Rede de Excelência tem vida
e modelo de gestão próprios, sem nenhuma subordinação ao Espaço que apóia
sua formação. No entanto, caso seja solicitado, o Espaço poderá compor
apoios específicos à gestão desses empreendimentos, sem prejuízo das suas
obrigações com os seus Fundadores. Logicamente, um Espaço pode também
criar Centros ou Redes de Excelência nos temas de sua competência ou de
seu interesse e, nesse caso, participar de sua gestão.
O País precisa gerar divisas, aumentar seu
PIB, centrá-lo em produtos e serviços de mais alta tecnologia ou de valor
agregado e, ao mesmo tempo, obter melhores resultados a partir dos
recursos de que dispõe, incrementando sua produtividade. Em paralelo às
medidas implicadas na modernização da gestão pública, ajustes na economia
e aperfeiçoamento de infra-estruturas, o Brasil precisará mobilizar toda a
sociedade para inovar em todos os campos – e, assim, criar valor adicional
no seu esquema produtivo e social e, conseqüentemente, riquezas.
Agora, isso se mostra mais premente do que
nunca, com o desenrolar da crise mundial. O Brasil se encontra em uma
posição impar para aproveitar essa crise como sendo uma oportunidade.
Também, o surgimento da oportunidade trazida pelo petróleo do pré-sal
ressalta a necessidade do País ordenar, desde já, um esforço de otimização
em pesquisas e desenvolvimentos e inovação sem o que não será capaz de
criar sua própria identidade na indústria de petróleo e gás mundial, na
dimensão que se espera para os anos vindouros. Há desafios a vencer bem
como a possível fartura futura de divisas poderá inibir o desenvolvimento
da cadeia de valor nacional no tema, situação que ocorre em todos os
países não ainda inteiramente desenvolvidos. mas ricos em óleo e gás[18].
Assim, no momento, a crise mundial nos leva a meditar como ousar já em
novos paradigmas de gestão e organização de nossos recursos; e o pré-sal
nos obriga a fazê-lo desde já, pois os investimentos começam agora, mas os
ganhos de grandes somas somente estarão disponíveis a contar de cinco anos
à frente.
Partindo do setor produtivo e das
universidades, os Espaços Centros/Redes de Excelência colocam metodologias
e meios à disposição da sociedade, para multiplicar livremente
empreendimentos de vanguarda no campo empresarial, social ou da
administração pública. Isso, a partir dos próprios recursos ou dos que já
estariam naturalmente disponíveis. Colocam, assim, o setor produtivo e o
terceiro setor à frente de movimentos que modificarão a estrutura
industrial e gerencial brasileira. Esse é o ganho e a novidade da criação
dos Espaços. Vale dizer: os governos ofertam meios e querem fazer crescer
seus incentivos, e a sociedade – através do uso da metodologia de formação
de Centros e Redes de Excelência – mobiliza-se para interagir eficazmente
no contexto nacional.
Em virtude da sua forma particular de
entrelaçar os parceiros, os Centros e Redes de Excelência alcançam todos
os ministérios e órgãos de governo e neles repercutem, criando condições
desejadas para o trabalho em rede e com alto rendimento. Graças a sua ação
integradora, multiplicam resultados e favorecem a ação dos conselhos e
programas nacionais e órgãos corporativos. Transformam-se, assim, em
Programas de Estado.
O Espaço Centros e Redes de Excelência
sediado na COPPE/UFRJ pode ser contactado pelas entidades nacionais
através endereços encontrados no http://www.ecentex.org/ . Visitem este site para conhecer mais sobre o assunto
Desde 1995, a COPPE sedia um núcleo de
Apoio à Petrobras no tema Centros/Redes de Excelência, com patrocínio
dessa empresa. Esse núcleo deu continuidade a um trabalho desenvolvido em
1995 pela COPPE quando essa unidade acadêmica fora contratada para estudar
e avaliar a idéia de formar Centros de Excelência, um dos 14 projetos do
Plano Estratégico de 1992 da companhia.
Em consonância com essa aproximação inicial
e de acordo com contratos e acordos firmados com a UFRJ e a COPPE, a
Petrobras financiou a modernização das instalações do Centro de
Tecnologia, criando-se o chamado Bloco I-2000, ainda hoje uns dos maiores
conjuntos de laboratórios e recursos de alta tecnologia brasileiros. A
base dos acordos foi a antevisão da expansão das atividades de pesquisas
na Ilha do Fundão em apoio à Petrobras e, dentro deste contexto, a
formação de Centros e Redes de Excelência na estatal
[19].
No novo prédio, foi instalado o núcleo de Apoio à Petrobras em Centros/
Redes de Excelência e firmado contrato de participação da Coppe no esforço
de criação desses empreendimentos.
No presente, especificamente nos últimos
quatro anos, verificou-se grande expansão na demanda pela formação de
Centros e Redes de Excelência – tanto na Petrobras quanto na sociedade – e
o assunto ganhou destaque no País. Esta evolução criou um novo paradigma
no campo da formação de redes de vanguarda em cadeias produtivas e
sociais.
O Espaço, evolução do núcleo inicial,
oferece agora uma ampla gama de produtos, como se definiu no plano geral
deste documento.
(*) José Fantine é o coordenador do Espaço Centros e Redes de Excelência
da COPPE/UFRJ
[8] A definição do nome, “Centro” ou “Rede”, é uma questão de
marketing, e, em todos os casos, esses empreendimentos serão
sempre redes de recursos.
[9]
Dentro do mesmo formato, está no momento (outubro de 2008) ultimando a
estruturação de um segundo Espaço em parceria com a UFBA.
[10]
Para a plena compreensão deste texto, é importante conhecer o conteúdo
do livro da Metodologia de Formação de Centros/Redes de Excelência,
editado pela área de Desenvolvimento de Sistemas de Gestão (DSG) da
Petrobras (http://www.ecentex.org).
[11] O conceito de redes pode alcançar diferentes matizes. A uma
delas, a nossa, dá-se o nome de rede a um conjunto de parcerias
lideradas por um núcleo de poder, independente de todos se
relacionarem entre si. O nome mais adequado empresarialmente seria
Consórcio, que por vezes utilizamos.
[12] Ao remontar aos documentos que lançaram esses programas,
resgata-se a visão que o governo tinha, à época, quanto à
inexperiência das empresas e universidades, em geral, na formação de
cooperativas de pesquisas (caso RECOPE) e à pulverização da pesquisa
científica.
[13] Esses empreendimentos seguem metodologia lançada pela Petrobras
em 1996 e desenvolvida em conjunto com a COPPE/UFRJ, objetivando criar
redes sustentáveis e de vanguarda entre empresas, universidades,
centros de pesquisas e órgãos de governo.
[14]
Na maioria das vezes, essas parcerias realizam-se entre seus
departamentos, segmentos e setores, embora se refiram às entidades
como um todo.
[15] Cada Real bem investido em P&D&I retorna multiplicado para o
aplicador ou para a sociedade. Esse índice de multiplicação é tanto
maior quanto melhores e mais eficazes forem a escolha dos temas e
projetos, os métodos seguidos na aplicação de recursos, a proteção do
interesse nacional e a concentração progressiva em redes de vanguarda.
[16] A Petrobras pratica um modelo de gestão de tecnologia que lhe
deu o destaque mundial que hoje desfruta. A Prática Centros/Redes de
Excelência é uma das metodologias de gestão, aplicada em casos
específicos, que demandem uma ampla malha de parcerias em toda uma
cadeia produtiva e que se pretendam sustentáveis e permanentes.
[17] Com o surgimento de Redes Temáticas da Petrobras, alguns
Centros/Redes de Excelência, por força das regulamentações definidas
no âmbito da ANP, adotaram um viés exclusivamente tecnológico e
voltado para parcerias com universidade definidas, enquanto outros
adotaram um viés mais abrangente, mantendo a ação em toda a cadeia de
valor, assim associando as duas metodologias.