Economia & Energia
Ano XI-No 62
Junho-Julho 2007
ISSN 1518-2932

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Apresentação de Versão Preliminar do Balanço de Carbono para Discussão

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O Balanço de Carbono

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Tabelas Anexas com Resultados 1970- 2005

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Edição Especial Balanço de Carbono

Texto para Discussão :

O Balanço de Carbono

Sumário

1. Introdução.

2. Metodologia.

  2.1 Balanço de Carbono.

  2.2 Emissões pela Metodologia Top-Down Estendida.

  2.4 Tratamento da Biomassa.

3. Emissões de Carbono.

  3.1 Agregação de Dados e Anos Escolhidos.

  3.2 Apuração das Emissões.

  3.3 Emissões Setoriais de Carbono.

  3.4 Emissões de Carbono por Tipo de Combustível

  3.5 Resumo das Emissões de Carbono.

4. Emissões de CO2

  4.1 Contabilidade do Gás Carbônico.

  4.2 Comparação com os Valores do Inventário.

  4.3 Forma de Apresentar do Balanço de CO2

  4.4 Evolução das Emissões de CO2 por Combustível

  4.5 Evolução das Emissões de CO2 por Setor (Conta)

  4.6 Resumo das Emissões de CO2

5. Emissões de CH4

6. Emissões de CO..

7. Emissões de NMVOCs.

8. Resultados e Apêndice Metodológico.

9 Uso do Programa bal_eec para obtenção dos resultados.

10 Siglas e Símbolos Utilizados:

Novo: Tabelas de Emissões Revistas para os anos 1970 a 2009

1.Introdução

O Brasil é parte da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas comprometendo-se a efetuar periodicamente um levantamento das emissões antrópicas causadoras do efeito estufa. Esta avaliação consta da Comunicação que o País apresenta àquela Convenção.

Cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT a coordenação dos trabalhos de elaboração deste documento, em parceria com diversos órgãos governamentais e privados.

Parte importante das emissões originárias das atividades humanas está relacionada às atividades de produção, transformação e uso da energia. Para avaliar estas emissões é necessário usar os dados de base do Balanço Energético Nacional - BEN, editado pelo Ministério de Minas e Energia - MME por mais de trinta anos e agora sob responsabilidade da Empresa de Pesquisas Energéticas - EPE.

O Balanço de Energia baseia-se em uma importante característica da energia que é sua conservação na natureza, estabelecida na Primeira Lei da Termodinâmica. Com isso é possível elaborar um balanço que, partindo da energia em sua forma primária na natureza (petróleo, lenha, energia hídrica, gás natural, carvão mineral, etc.), passa por uma série de transformações que a convertem em formas secundárias de mais fácil utilização (gasolina, carvão vegetal, eletricidade, coque, etc.) que é finalmente utilizada nos diversos setores da atividade humana (residências, indústrias, veículos, etc.).

A maior parte das emissões causadoras do efeito estufa está relacionada a gases que contêm carbono (dióxido de carbono e metano, principalmente). As fontes energéticas ditas fósseis (carvão mineral, petróleo e gás natural) têm sua energia química armazenada sob a forma de compostos de carbono. Também as fontes de origem na biomassa armazenam energia em moléculas de carbono retiradas da atmosfera pela fotossíntese nos vegetais.

A massa de carbono nesses processos, assim como acontece na energia, também se conserva sendo possível estabelecer um Balanço de Carbono nas atividades energéticas e fazer o mesmo em outros tipos de atividade onde existem emissões destes gases. Em todas as complexas reações químicas entre a matéria prima (e.g.: petróleo), suas transformações (nas refinarias) para finalmente sua emissão no uso final sob a forma de gases (principalmente CO2) na atmosfera e considerando uma pequena retenção na superfície, a massa de carbono segue o Princípio de Lavoisier: transforma-se, não é criada nem desaparece.

O Balanço de Carbono em Atividades Energéticas pode se constituir, a exemplo do Balanço Energético, em um importante instrumento de avaliação e planejamento no que se refere às emissões associadas à energia. O Balanço de Carbono passa a oferecer um retrato histórico (ou melhor, um filme), ao longo dos anos das emissões no território brasileiro, que contribuem para a formação do efeito estufa na área energética. Para cada ano, ele fornece um mapa, por setor energético e para cada tipo de gás das emissões destes gases.

O Balanço apresenta, pela primeira vez, um quadro histórico das emissões por fonte energética e por atividades dos diversos gases que contêm carbono no período 1970/2005. Ele destaca, por outro lado, o importante papel do uso da biomassa no Brasil onde o gás carbônico é inicialmente retirado da atmosfera para posteriormente ser emitido, em sua maior parte, como o próprio CO2. Nas exportações de energéticos provenientes da biomassa ficarão explícitas também as “emissões negativas” que deverão ser creditas às atividades energéticas brasileiras. A apuração do Balanço de Carbono já possibilitou também a identificação de vários erros e omissões na apuração das emissões que contribuem ao efeito estufa.

A apresentação das emissões na forma do Balanço de Carbono unifica as abordagens denominadas Top-Down, onde é medida a quantidade de carbono que “entra” no sistema no país,e a abordagem Bottom-Up onde, partindo dos setores de atividade da sociedade humana, se identifica o tipo de emissões por energético a partir de dados de desempenho dos equipamentos utilizados. No presente trabalho a análise Bottom-Up foi feita a partir de coeficientes emissão / energia para cada setor e forma de energia, apurados pelo MCT para o período 1990 a 1999. As emissões dos gases que contêm carbono (CO2, CH4, CO e NMVOCs[2]) é fruto de uma extrapolação desses coeficientes para os anos anteriores e posteriores ao período focalizado. Os valores devem ser considerados apenas indicativos já que fundamentalmente se supõe um “congelamento” das tecnologias utilizadas.

A incorporação dos dados do Balanço de Energia Útil, também apurados pelo MME, associados aos dados sobre os equipamentos utilizados em cada setor e em cada uso por energético permitirá gerar dados mais confiáveis sobre essas emissões que poderão ser incorporados em cálculos futuros.

Os cálculos são feitos por software de fácil utilização onde estão disponíveis os dados completos referentes ao período 1970 a 2005.

A elaboração deste trabalho foi possível graças ao Termo de Parceria 13.0020.00/2005 firmado entre a Organização Social Economia e Energia – e&e – OSCIP e o Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT.

2. Metodologia

A metodologia detalhada para obtenção dos dados acha-se descrita nos relatórios referentes ao Termo de Parceria e&e /MCT sobre a Consolidação do Balanço de Carbono. Um resumo é apresentado no que se segue.

2.1 Balanço de Carbono

De uma maneira esquemática, os dados originais em energia são convertidos em massa de carbono através do uso de coeficientes massa de carbono / energia, para dado energético. Estes coeficientes são expressos em tC/tep (tonelada de carbono por tonelada equivalente de petróleo)[3]. As massas de carbono assim obtidas são submetidas ao mesmo esquema de contabilidade do Balanço Energético resumidos na Figura 1:

Figura 1: Esquema do Balanço Energético Nacional que é aplicado aos dados de massa de carbono.

Deve-se notar, no entanto que as chamadas “perdas” devem ser encontradas, no caso do balanço energético, em energia térmica como é o caso das usinas de produção de eletricidade ou em vazamentos ou fugas no uso e transporte dos energéticos. No caso do balanço de carbono estas perdas voltam, em boa parte para a atmosfera e devem ser contabilizadas nas emissões. No exemplo das usinas de geração de eletricidade, não existe conteúdo de carbono na eletricidade gerada e toda massa de carbono dos combustíveis utilizados deve ser contabilizada nas emissões.

Como o Balanço Energético não se preocupa, em princípio, com o balanço de massa de carbono não constitui surpresa se, aplicados coeficientes usuais (recomendados como default pelo Intergovernmental Panel on Climate Change - IPCC ou, específicos para o Brasil, usados na Declaração Inicial ou extraídos de estudos específicos) sejam encontradas diferenças, algumas significativas, na massa de carbono entre energia primária e secundária e as contabilizadas nos diversos usos. A análise do balanço de carbono propiciou uma série de correções nos coeficientes energia / massa baseadas em estudos que envolveram principalmente a biomassa e seus derivados.

Estabelecido o balanço de carbono, é possível avaliar as emissões como se todo o carbono fosse convertido em CO2 descontando-se, no entanto, uma pequena fração dos combustíveis utilizados (da ordem de 1%) de material não oxidado que se supõe não voltar à atmosfera. Existe igualmente uma fração do uso não energético que é considerada retida e incorporada em materiais onde a retenção é considerada definitiva. Esta metodologia denominada Top-Down pelo IPCC é brevemente descrita a seguir.

2.2 Emissões pela Metodologia Top-Down Estendida

O uso da metodologia Top-Down (TD), recomendada pelo IPCC em sua revisão 1996, permite estimar as emissões de CO2 em função apenas de dados sobre a oferta de energia no país e uns poucos dados sobre sua forma de uso. Esta metodologia consiste em contabilizar os combustíveis primários e secundários que entram no sistema econômico de um país no atendimento de necessidades geradas pelas atividades humanas (mesmo que não comerciais) e o quanto sai de carbono do sistema. Uma vez introduzido na economia nacional, em um determinado ano, o carbono contido em um combustível fóssil ou é emitido para a atmosfera ou é retido de alguma maneira, como por exemplo, através do aumento do estoque de combustível, de sua transformação em produtos não energéticos ou de sua retenção parcial não oxidada nos resíduos da combustão. Os dados energéticos usados são obtidos do BEN

A metodologia Top-Down (TD) apura o Consumo Aparente de um país por energético a partir da relação;

Consumo Aparente = Produção + Importação – Exportação 
– Bunkers Internacionais + Variações de Estoque

Na prática este conceito coincide com os dados da Oferta Interna Bruta do BEN/MME onde:

Oferta Interna Bruta = Produção + Importação – Exportação (no  BEN inclui Bunkers) + Variações de Estoque - Não Aproveitada – Reinjeção

Os conceitos de “Não Aproveitada” e “Reinjeção” referem-se especificamente à contabilidade do Gás Natural que normalmente é tratado à parte no processo TD.  No Balanço de Carbono a reinjeção do Gás Natural aos poços foi excluída e a energia não aproveitada (escapes de gás na atmosfera ou queimada nos flair durante a extração) foi contabilizada, na atual versão, como inteiramente convertida para CO2.

De maneira simplificada a metodologia Top-Down sugerida pelo IPCC pode ser assim descrita:

Apuração da massa de carbono dos combustíveis em uma unidade de energia comum – terajoules (TJ);

Apuração da quantidade de carbono de cada combustível destinada a fins não energéticos e a dedução de parte dessa quantidade de carbono (expressa por um coeficiente para cada uso não energético), para se computar o conteúdo real de carbono emitido;

Para combustíveis de uso energético são usados fatores de oxidação para se descontar a quantidade não oxidada na combustão.

 Conversão da quantidade de carbono oxidada em emissões de CO2 é feita multiplicando-se a massa de carbono por 44/12[4].

Na metodologia aqui utilizada, ao invés de considerar-se a emissão no nível da oferta interna bruta ela é considerada no setor de consumo. No caso do petróleo, por exemplo, as emissões no processo TD, seriam computadas como o carbono contido no petróleo subtraído de 1% de retenção (fator comumente aplicado aos combustíveis líquidos). Parte do petróleo é convertida em nafta que tem uso não energético e uma fração não é emitida; esta retenção é descontada separadamente. Ou seja, o item petróleo é responsável por boa parte das emissões da contabilidade Top-Down. No processo Top-Down estendido adotado no Balanço de Carbono não existe emissão atribuída ao petróleo, mas aos seus derivados em cada setor de uso. Também a fração não oxidada é calculada com base no consumo do combustível (primário ou secundário) no setor em que é utilizado (e.g.: 1% da gasolina de uso no setor rodoviário).

As emissões de carbono assim calculadas podem ser convertidas em CO2 como no processo Top-Down. A apuração mostrou que as duas metodologias se equivalem em termos de emissões globais se forem consideradas as emissões associadas às perdas e aos ajustes[5]. 

2.3 Emissões de Gases do Efeito Estufa por Coeficientes da Metodologia Bottom-Up

A opção adotada no Balanço de Carbono foi a de usar os coeficientes energia/emissões de gases específicos (CO2, CO, CH4 e NMVOCs) extraídos da abordagem Bottom-Up para contabilizar suas emissões.

Para a Declaração Nacional Inicial do Brasil à Convenção Quadro das Nações Unidas Sobre as Mudanças do Clima (MCT Novembro de 2004), a Coordenação Geral de Mudança Global do Clima, do Ministério da Ciência e Tecnologia – CGMGC/SEPED/MCT, consolidou o inventário das emissões que contribuem para a formação do efeito estufa. Os dados do inventário foram fornecidos[6] na forma de coeficientes emissão/energia onde foi possível obter, a partir dos dados do Balanço Energético Nacional – BEN/MME, as emissões dos diferentes gases, em massa de cada um deles, depois transformadas em fração de carbono emitida em cada gás e aplicadas às massas de carbono obtidas pela correspondência massa / energia conforme está resumido a seguir.

Os gases emitidos que contêm carbono têm, com exceção dos NMVOCs, uma relação bem conhecida entre a massa de carbono e a massa total que é a seguinte:

CO2c1 = 12/44

CO  c2 =12/28

CH4 c3 = 12/16

Para os NMVOCs foi suposta uma fração de massa de carbono (c4=0,85) baseada na média para emissões na indústria.

Se m1, m2, m3 e m4 forem as massas destes gases emitidos, tem-se da conservação da massa de carbono que:

m1.c1 + m2.c2 + m3.c3 + m4.c4 = MC*(1-fnox-fret)

onde, MC é a massa de carbono do combustível usado no setor subtraída da fração não oxidada (fnox) e da fração retida (fret).

As frações de combustível adotadas são, de maneira geral, as recomendadas pelo IPCC, observadas algumas particularidades brasileiras relacionadas, na maioria dos casos, ao uso da biomassa. De modo geral seus valores são de 1% para os líquidos e 0,5% para os gases. As frações não oxidadas (produtos de uso energético) e retidas (produtos de uso não energético) estão mostradas no item 8. Note-se que o fator de retenção foi suposto (por default) = 1 (100% de retenção) nos casos em que não se tem o seu valor, para que sejam detectados eventuais usos não energéticos em anos onde não houve apuração anterior das emissões[7].

Também foram computadas as emissões do rejeito produzido na elaboração de álcool constituído principalmente de CO2 obtido na fermentação do melaço e caldo de cana.

Os coeficientes de emissão a partir do processo Bottom-Up fornecidos pela equipe do Inventário de Emissões foram apresentados na estrutura usual do BEN. O Ministério das Minas e Energia fornece os dados originais do Balanço em uma estrutura ampliada de 49 contas e 47 energéticos que foi usada no Balanço de Carbono. Para usar essa estrutura, os coeficientes usados para emissão de gases formam expandidos adotando-se os valores disponíveis para o agregado como o de emissão para seus componentes[8].

Os coeficientes de emissão de gases fornecidos pela CGMGC/SEPED/MCT foram referidos aos dados dos balanços energéticos disponíveis na época do inventário que ainda usavam o conceito de PCS (poder calorífico superior) e a tonelada equivalente de petróleo (tep antigo = 10800 Mcal) na denominação adotada neste trabalho e nos programas auxiliares de cálculo. A ração de carbono emitida foi calculada a partir destes dados. A fração em massa de carbono independe da unidade de energia e a conversão em massa de carbono é feita para cada combustível já usando os novos valores adotados pelo BEN a partir de 2003, ano base 2002, usando o poder calorífico inferior (PCI) e com a tonelada equivalente tep=10000 Mcal.

2.4 Tratamento da Biomassa

As emissões de CO2 são o alvo principal das medidas deste trabalho já que foi constatado que, para vários energéticos, a soma dos átomos de carbono das emissões correspondia a valores que chegavam a superar em 30% os valores do carbono contido no combustível. Isto se deve a uma dupla contagem que é, de certa forma, inerente à abordagem do IPCC onde os dados das emissões de CO2, extraídos da abordagem Top-Down costumam ser usados como os da Bottom-Up. Este procedimento acaba gerando certa dubiedade nos resultados, já que as emissões de outros compostos de carbono podem ser somadas para avaliação do efeito estufa.

A opção aqui adotada é separar as emissões como é suposto acontecer na origem. Assim são estimadas as emissões de CO2, CO, CH4 e NMVOCs de maneira que a soma das massas de carbono seja igual à contida no combustível, descontado o carbono retido e/ou não oxidado.

Na abordagem do balanço de carbono deve-se levar em conta que na produção da matéria prima o gás carbônico da atmosfera é absorvido. A produção da biomassa é, pois contabilizada como “emissão negativa”. A inclusão dessa emissão negativa torna mais claro o papel da biomassa e de suas emissões, não permitindo o uso indevido das emissões provenientes da biomassa[9].

Na avaliação setorial deve ficar clara, no entanto, a separação entre as emissões provenientes da biomassa e as que têm origem nos combustíveis fósseis. Uma alternativa de apresentação, adotada aqui em alguns casos, é representar as “emissões negativas” referentes à produção da biomassa no setor energético.

3. Emissões de Carbono

3.1 Agregação de Dados e Anos Escolhidos

Pode-se ter um quadro resumido das emissões expressas em massa de carbono, escolhendo-se alguns setores e agrupando os energéticos. Foram escolhidos os setores:

·          Energético amplo (produção, transformação e uso no setor energético);

·          Residencial;

·          Comercial e Público;

·          Agropecuário;

·          Transportes e

·          Industrial.

 Os combustíveis foram agregados em:

·          Biomassa;

·          Gás Natural;

·          Petróleo e Derivados de Petróleo e de Gás Natural;

·          Carvão Mineral e Derivados.

Como anos de referência foram escolhidos os de 1994 (último do inventário inicial) e 2005 (último para o qual se dispõe de dados do BEN).

3.2 Apuração das Emissões

Na apuração das emissões foi usado o software bal_eec, desenvolvido pela ECEN Consultoria Ltda, que é uma modificação de programa anterior desenvolvido para a apuração do balanço em energia equivalente.

O programa sofreu modificações a fim de permitir apurar, além dos balanços energético, de energia equivalente e de carbono, as emissões por energético e por conta dos gases formadores do efeito estufa: CO2, CH4, NMVOCs, CO, NOx e N2O. A descrição do programa é feita no relatório final deste Termo de Parceria.

O programa permite, assim, elaborar tabelas para os energéticos e contas dos gases acima referidos, usando coeficientes específicos para os anos 1990 a 1999 e extrapolados para os demais anos. Podem-se ainda elaborar tabelas e gráficos para as diversas “contas” e energéticos para cada um dos gases.

O programa possibilita ainda calcular a emissão dos gases que contribuem para o efeito estufa, originária das atividades energéticas e resultando em gases que contêm carbono (CO2, CO, CH4, NMVOCs). Além disto, são calculadas as emissões de compostos de nitrogênio que não interessam para o balanço de carbono, mas que contribuem para o efeito estufa. A soma do carbono contido nestes gases fornece o total de carbono enviado à atmosfera.

3.3 Emissões Setoriais de Carbono

Na Tabela 3.1 mostra-se, para os anos de 1994 e 2005 as emissões setoriais que contribuem para o efeito estufa (fontes não renováveis).

Na Figura 3.1 comparam-se as participações nos anos de 1994 e 2005 dos diversos setores nas emissões. Os dois setores mais importantes para as emissões, que são Transporte e Industrial, mantiveram suas participações de 40% e 31% respectivamente. Transporte e Indústria são responsáveis por 71% das emissões de carbono proveniente das atividades energéticas. Dos demais setores, o energético ganhou uma maior participação (de 12% para 17%) e, em valor absoluto, suas emissões dobraram de 1994 para 2005. Os demais setores reduziram sua participação nas emissões com destaque para o setor residencial onde as emissões permaneceram praticamente estáveis em termos absolutos (4200 Gg/ano). O setor residencial teve sua participação diminuída de 7% para 5%. O crescimento no setor energético foi fundamentalmente devido ao maior uso da geração térmica que quase triplicou entre os dois anos considerados.  O crescimento do consumo nos transportes foi puxado pelo rodoviário. Na Indústria os setores que mais contribuíram para o crescimento das emissões foram os relacionados com a metalurgia, sendo que o de ferro-liga experimentou um crescimento de 312% entre os dois anos em consideração.

Tabela 3.1

Emissões de Carbono por Setor (Gg/ano) anos 1994 e 2005

 

1994

Partici-
pação

2005

Partici-
pação

Variação

1994/
2005

Variação
 Média
Anual

SETOR ENERGÉTICO

7601

12%

15277

17%

101%

6,6%

NÃO APROVEITADA

709

1%

1420

2%

100%

6,5%

CENTRAIS. ELET. SERV. PÚBLICO

1966

3%

5577

6%

184%

9,9%

CENTRAIS ELET. AUTOPRODUTORAS

1030

2%

2198

2%

113%

7,1%

CONSUMO SETOR ENERGÉTICO

3897

6%

6083

7%

56%

4,1%

RESIDENCIAL               

4152

7%

4207

5%

1%

0,1%

COMERCIAL                   

430

1%

514

1%

20%

1,6%

PÚBLICO

517

1%

470

1%

-9%

-0,9%

AGROPECUÁRIO

3415

5%

4037

4%

18%

1,5%

TRANSPORTES - TOTAL          

25422

40%

36876

40%

45%

3,4%

RODOVIÁRIO

22413

36%

33336

37%

49%

3,7%

FERROVIÁRIO

344

1%

472

1%

37%

2,9%

AÉREO

1695

3%

2097

2%

24%

2,0%

HIDROVIÁRIO

971

2%

971

1%

0%

0,0%

INDUSTRIAL - TOTAL           

19698

31%

27801

31%

41%

3,2%

CIMENTO                       

1345

2%

2331

3%

73%

5,1%

FERRO GUSA E AÇO

9688

15%

11889

13%

23%

1,9%

FERRO LIGAS

76

0%

313

0%

312%

13,7%

MINERAÇÃO E PELOTIZAÇÃO

880

1%

1958

2%

122%

7,5%

NÃO FERROSOS E OUT. METALURG.

1072

2%

2205

2%

106%

6,8%

QUÍMICA

2481

4%

4020

4%

62%

4,5%

ALIMENTOS E BEBIDAS          

992

2%

1015

1%

2%

0,2%

TÊXTIL

365

1%

314

0%

-14%

-1,4%

PAPEL E CELULOSE             

805

1%

1033

1%

28%

2,3%

CERÂMICA

687

1%

1031

1%

50%

3,8%

OUTRAS INDÚSTRIAS

1307

2%

1692

2%

29%

2,4%

CONSUMO NÃO ENERGÉTICO

1738

3%

1940

2%

12%

1,0%

TOTAL GERAL

62973

100%

91123

100%

45%

3,4%

Figura 3.1: Comparação da participação dos setores nas emissões de gases formadores do efeito estufa entre 1994 e 2005

A maior participação na Indústria é a do setor siderúrgico (ferro gusa e aço) que representava, em 1994, metade das emissões no setor industrial. Houve uma queda de participação nas emissões nesta atividade, mas ela segue sendo a principal responsável pelas emissões na Indústria.

A variação das emissões de carbono (fontes não renováveis) por setor pode ser acompanhada na Tabela 3.2 e no gráfico da Figura 3.2.

Tabela 3.2

Emissões de Carbono por Setor, Fontes Não Renováveis,
Período 1970 a 2005 em Gg/ano

 

1970

1975

1980

1985

1990

1995

2000

2005

SETOR ENERGÉTICO AMPLIADO

3221

4006

5296

6470

6857

7978

13226

15277

NÃO APROVEITADA

570

245

398

1051

684

709

1556

1420

CENTRAIS. ELET. SERV. PÚBLICO

1181

1086

1429

1602

1630

2382

5041

5577

CENTRAIS ELET. AUTOPRODUTORAS

413

420

648

568

899

1118

1931

2198

CONSUMO SETOR ENERGÉTICO

1057

2256

2821

3248

3645

3769

4698

6083

RESIDENCIAL                  

1367

1701

2282

2961

3771

4343

4646

4207

COMERCIAL                    

152

229

317

255

567

429

578

514

PÚBLICO

80

167

215

152

139

551

573

470

AGROPECUÁRIO

338

1043

1959

2538

2741

3662

3831

4037

TRANSPORTES - TOTAL          

10477

17847

19790

18914

22175

28116

33863

36876

RODOVIÁRIO

9030

14831

16425

14648

19203

24824

30155

33336

FERROVIÁRIO

377

457

520

505

443

369

338

472

AÉREO

575

1072

1402

1501

1589

1968

2571

2097

HIDROVIÁRIO

495

1487

1443

2261

940

954

799

971

INDUSTRIAL - TOTAL           

6545

11301

17636

14670

16250

20933

26897

27801

CIMENTO                      

1051

1665

2110

1172

1529

1599

2843

2331

FERRO GUSA E AÇO

2166

3015

5252

7112

7271

9900

11165

11889

FERRO LIGAS

0

30

67

34

49

58

157

313

MINERAÇÃO E PELOTIZAÇÃO

194

501

856

599

661

889

1531

1958

NÃO FERROSOS E OUT. METALURG.

136

265

599

794

857

1276

1758

2205

QUÍMICA

710

1273

2468

2219

2349

2733

3896

4020

ALIMENTOS E BEBIDAS          

597

1051

1417

696

881

1110

1208

1015

TÊXTIL

316

540

602

271

437

362

343

314

PAPEL E CELULOSE             

389

726

1021

485

669

923

1164

1033

CERÂMICA

278

590

871

379

461

732

912

1031

OUTRAS INDÚSTRIAS

708

1645

2374

910

1085

1351

1921

1692

CONSUMO NÃO ENERGÉTICO

13

215

459

1398

1537

1656

2052

1940

TOTAL GERAL

22194

36508

47954

47358

54036

67667

85666

91123

Na Figura 3.2 pode-se observar o efeito do 2º choque de preços de petróleo (1979) que produziu modificações significativas no consumo de combustíveis fósseis. Também a crise de crescimento no início dos anos 2000 e o posterior choque nos preços de petróleo mostram seu efeito nas emissões. As mudanças estruturais que foram marcadas pelo Plano Real (1994) produziram um significativo incremento das emissões no Transporte (incremento na frota de veículos e redução da participação do álcool) bem como o já mencionado maior uso das térmicas na geração elétrica.

Figura 3.2: Evolução da emissão de carbono de fontes fósseis por setores onde se pode notar a influência dos choques nos preços do petróleo e na economia.

Tabela 3.3

Emissões de Carbono por Setor, Fontes Não Renováveis e Biomassa,
 Período 1970 a 2005 em Gg/ano

 

1970

1975

1980

1985

1990

1995

2000

2005

SETOR ENERGÉTICO

-36434

-35785

-33827

-35620

-29813

-26860

-22534

-33115

 PRODUÇÃO

-41856

-44128

-46994

-58789

-53338

-51084

-49878

-68910

NÃO APROVEITADA

639

456

446

1345

931

831

1564

1420

CENTRAIS. ELET. SERV. PÚBLICO

1181

1086

1429

1627

1630

2382

5041

5603

CENTRAIS ELET. AUTOPROD.

531

589

992

1175

1614

2114

3335

4711

CARVOARIAS                   

1754

3664

4610

6460

6417

5067

4662

6112

DESTILARIAS                  

181

168

1076

3334

3290

3668

3122

4678

CONSUMO SETOR ENERGÉTICO

1137

2379

4615

9229

9644

10162

9620

13270

RESIDENCIAL                  

21769

21186

18905

15233

12852

11242

11996

13424

COMERCIAL                    

391

470

559

507

752

592

758

674

PÚBLICO

96

176

226

165

145

573

573

470

AGROPECUÁRIO

5466

5256

5337

5292

5014

5633

5542

6313

TRANSPORTES - TOTAL          

10599

17925

20901

22216

26738

33467

38397

42300

RODOVIÁRIO

9107

14898

17533

17947

23764

30176

34689

38760

FERROVIÁRIO

411

465

523

508

446

369

338

472

AÉREO

575

1072

1402

1501

1589

1968

2571

2097

HIDROVIÁRIO

506

1490

1444

2261

940

954

799

971

INDUSTRIAL - TOTAL           

15049

21824

30378

33299

34035

39932

47361

56056

CIMENTO                      

1051

1665

2241

2105

1995

2003

3222

2799

FERRO GUSA E AÇO

3456

6083

8913

11844

12680

14313

15699

17840

FERRO LIGAS

62

142

309

556

497

530

752

1115

MINERAÇÃO E PELOTIZAÇÃO

194

501

900

713

704

889

1531

1958

NÃO FERROSOS E OUT. METAL.

148

319

676

962

1212

1499

1766

2215

QUÍMICA

838

1426

2640

2611

2653

2956

3974

4093

ALIMENTOS E BEBIDAS          

5212

5760

6924

7370

6907

9289

10121

14535

TÊXTIL

582

662

668

523

603

471

427

411

PAPEL E CELULOSE             

734

1159

1978

2443

2780

3726

4678

5793

CERÂMICA

1501

1962

2281

2353

2171

2261

2661

2860

OUTRAS INDÚSTRIAS

1271

2146

2847

1819

1835

1994

2531

2436

CONSUMO NÃO ENERGÉTICO

13

215

459

1398

1537

1656

2052

1940

TOTAL GERAL

16950

31266

42937

42490

51261

66233

84145

88062

Na Tabela 3.3 estão representadas as emissões por setor de fontes renováveis e da biomassa para os anos de 1970 a 2005 (de cinco em cinco anos). A produção da biomassa está incluída, com sinal negativo, nas emissões referentes à produção da biomassa. O total apurado é um pouco inferior à emissão das não renováveis porque, de acordo com as hipóteses de retenção adotadas (por não oxidação ou uso não energético), parte do carbono capturado não volta à atmosfera.

3.4 Emissões de Carbono por Tipo de Combustível

As Figuras 3.3 e 3.4 mostram as participações das emissões totais por tipo de combustível, incluindo a biomassa, com representação indicativa (vazada) de que não deve ser contabilizada para apuração dos gases de efeito estufa. Pode-se observar nas figuras que os choques no preço de petróleo, de 1979 e o atual, provocaram um retorno ao uso da biomassa cuja tendência histórica vinha sendo a de redução.

Nas Figuras 3.5 e 3.6 comparam-se, por energia de origem, as participações nas emissões de carbono com as participações na energia (medida como oferta interna bruta). Note-se a vigorosa penetração do gás natural. Chamam ainda atenção as participações diferentes do gás natural e do carvão mineral nas emissões e na energia, explicadas pelo conteúdo de carbono por unidade de energia que é de 15,3 tC/Tj para o gás natural e de 25,8 tC/Tj (69% maior) para o carvão mineral.

Figura 3.3: Emissões totais de carbono, inclusive as da biomassa, que são representadas em área “vazada” para mostrar que não contribuem para o efeito estufa.

 

Figura 3.4: Participação das emissões totais de carbono nas atividades energéticas ficando claro o efeito preço do petróleo na intensificação de seu uso nos inícios das décadas de setenta e dois mil

 

Figura 3.5: Participação dos combustíveis fósseis na geração dos gases que contribuem para o efeito estufa, com indicação dos percentuais para o ano de 2005.

Figura 3.6: Participação dos combustíveis (energia) na oferta interna bruta, notando-se a menor importância relativa do carvão e a maior de gás natural em relação ao gráfico anterior (emissões).

Nas Figuras 3.5 e 3.6 estão indicadas para o último ano (2005) as participações percentuais dos combustíveis em emissões e em energia. Para os derivados de petróleo e de gás natural elas são iguais (dentro da aproximação adotada). Para o gás natural a participação em energia é de 17%, sendo superior a das emissões (14%); o inverso ocorre para o carvão mineral cuja participação em energia é de 11% e nas emissões de 16%. Esta diferença se deve ao maior teor de carbono por unidade de energia do carvão em relação ao gás natural.

Tabelas para 2005 das emissões por combustíveis e por setor estão disponíveis no item 8 (valores totais). Também estão disponíveis no item 8 os quadros anuais do balanço de carbono (conteúdo de carbono dos combustíveis) e das emissões de carbono. As tabelas para todos os anos estão disponíveis em http://ecen.com.

Tabela 3.4 :

Emissões de carbono, para o período 1970 a 2005
 por combustível, em Gg/ano

 

1970

1975

1980

1985

1990

1994

1995

2000

2005

GAS NATU RAL

615

460

878

2301

2537

2999

3163

6542

12423

CARVAO VAPOR

617

610

1291

2657

2068

2070

2077

2817

2360

CARVAO MET.

0

0

0

0

0

277

653

2634

3363

OUTRAS NAO REN.

44

39

95

178

287

259

258

679

833

OLEO DIESEL

4675

8608

13451

14650

18009

20482

21887

25955

28691

OLEO COMBUST.

6629

11906

15073

8255

9105

9931

10477

10119

6357

GASOLINA    

5834

8827

6940

4777

5863

7274

8699

10432

10681

GLP

974

1436

2169

2926

4054

4364

4621

5590

5076

NAFTA      

1

205

284

673

830

1031

1020

1359

1218

QUEROS. ILUM.

403

395

356

223

155

98

82

45

20

QUEROS. AVIACAO

513

1008

1343

1456

1550

1653

1929

2524

2063

GAS DE REFIN.

175

854

884

1301

1410

1670

1595

2143

2828

COQUE  PETROLEO

0

0

0

435

445

618

737

3780

4353

OUT.EN. PETROLEO

38

81

709

461

546

704

881

1804

1768

GAS CIDADE

99

130

171

219

211

106

90

64

0

ASFALTOS

0

0

0

0

0

0

0

0

0

LUBRIFICANTES

0

0

0

310

292

268

282

344

358

SOLVENTES    

0

0

0

0

0

0

0

0

0

OUT.NAO   EN.PET.

0

0

0

0

0

0

0

0

0

COQUE CARV.MIN

1445

1959

3908

6040

6274

8221

8322

7953

7847

GAS DE COQUERIA

170

226

402

692

736

813

821

769

790

OUT.SEC.  ALCATRAO

30

41

94

119

182

254

243

145

97

NÃO RENOVÁVEIS

22262

36786

48049

47672

54553

63090

67838

85700

91126

LENHA    

-6841

-9095

-9789

-12062

-11333

-9782

-9062

-8591

-10988

CALDO DE CANA

-68

-63

-1498

-5166

-5009

-4970

-4795

-3728

-5109

MELACO

-235

-218

-410

-695

-675

-884

-988

-1109

-1939

OUTRAS

-1

-3

-36

-78

-66

-72

-61

-31

-115

BAGACO DE CANA

-394

-467

-853

-1471

-1417

-1825

-1807

-1716

-2756

LIXIVIA

-1

-3

-7

-9

-11

-18

-18

-24

-36

OUTRAS RECUPER.

0

0

-29

-69

-55

-53

-43

-7

-80

CARVAO  VEGETAL

1970

4115

5292