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Projeto: Fornecimento de Instrumentos de Avaliação de Emissões de Gases de Efeito Estufa Acopladas a uma Matriz Energética - Relatório Final - Resumo Executivo (continuação) Matriz de Emissões EnergéticasO uso dos coeficientes adotados na elaboração da comunicação brasileira do inventário das emissões permite transformar os dados do consumo final de energia em emissões de gases formadores do efeito estufa. Da aplicação dos coeficientes usados para o ano de 1999 em cada setor, resultaram os seguintes quadros consolidados de projeção de emissões: Emissão por Energético e por Setora) Emissão de CO2 Emissões Projetadas CO2 Gg/ano
(*) Valores não contabilizáveis por resultarem de uso de biomassa (renovável) Os resultados são mostrados no gráfico da Figura 23.
Figura 23: Emissões de CO2 devidas ao uso final de energia (históricas e projetadas) em Gg/ano. Os valores “vazados” correspondem a emissões não contabilizáveis por provirem de biomassa (renovável) Emissões Projetadas CO Gg/ano
(*) Valores não contabilizáveis por resultarem de uso de biomassa (renovável) As emissões de CO, históricas e projetadas,
estão mostradas na Figura 24
Figura 24: Emissões Históricas e Projetadas de CO. A representação “vazada” corresponde a valores não contabilizáveis por provirem de biomassa (renovável) Emissões Projetadas CH4 Gg/ano
Na Figura 25 mostramos a evolução das emissões,
históricas e projetadas, de metano, devidas ao uso final de energia.
Figura 25: Emissões de CH4 devidas ao uso final de energia. Emissões Projetadas NOX Gg/ano
Os valores para as missões de NOx estão
representados
Figura 26: Emissões históricas e projetadas de Nox. Emissões Projetadas N2O Gg/ano
Os valores para as missões de N2O estão
representados
Emissões Projetadas NMVOCS Gg/ano
A Figura 28 mostra os resultados históricos e
projetados de emissões de outros hidrocarbonetos, exclusive o metano.
Figura 28: Emissões de NMVOCs devidas ao uso final de energia, valores históricos e projetados Emissões por SetorFocalizando no gás mais relevante para a apuração do efeito estufa, o CO2, podemos verificar a evolução da contribuição dos diversos setores para o efeito estufa. Observamos que os Setores de Transporte e Industrial predominam na emissão de CO2. Na figura 29, mostramos a evolução das emissões desse gás, no período 1970 a 2020, resultantes do consumo energético final. Não estão incluídas as emissões de combustíveis renováveis que não devem ser contabilizadas para fins de efeito estufa. Na figura 30, mostramos a contribuição dos setores levando em conta as emissões indiretas na geração de eletricidade. Estas emissões indiretas vão ficando mais relevantes, uma vez que está prevista uma participação não desprezível de térmicas a gás na geração de eletricidade.
Figura 29: Emissões de CO2 sem as de fontes renováveis
Figura 30: Emissões de CO2 sem as de fontes renováveis e com as provenientes da geração de eletricidade Na Figura 31, mostramos, separadamente, as emissões devidas ao consumo final de energia sem fontes renováveis, as emissões não contabilizáveis devido ao uso de renováveis e as emissões resultantes da produção de energia elétrica. Essas emissões, no gráfico da figura 5, foram distribuídas entre os setores de acordo com seu consumo de eletricidade.
A emissão de CO2 por unidade de PIB fornece uma medida interessante para avaliar a evolução das emissões.
Figura 32: Emissões de CO2 por setor por unidade de PIB.
Nas figuras 32 e 33, podemos observar a contribuição do incremento do PIB nas emissões em cada setor. Trata-se simplesmente da divisão dos dados mostrados nos gráficos 30 e 31 pelo PIB global. Pode-se observar o efeito no Setor Transportes do programa do álcool, diminuindo a emissão no período das crises de petróleo. A tendência de crescimento em alguns setores, no final do período, sofre a influência do uso de usinas térmicas e do crescimento da intensidade energética, já comentado anteriormente, e do menor uso de biomassa.
A crise de petróleo reduziu, pelo uso de renováveis, a emissão de CO2 por unidade de PIB. O comportamento tendencial que orientou essa rodada da Matriz Energética significa um aumento considerável da emissão de CO2 por unidade de produto. A tendência observada na década de noventa continuaria nas duas décadas seguintes.
ConclusõesO Brasil não dispõe de uma Matriz Energética que expresse uma Política Nacional Energética. O País também não dispõe de um Planejamento Econômico de longo prazo. A melhor aproximação disto foi o trabalho da então Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República SAE/PR, para o qual foi desenvolvida a primeira versão de nosso modelo macroeconômico. O presente trabalho não pode, em si, representar esta expressão da Vontade Nacional para o qual é necessário um mecanismo de consenso que deve ser capaz, inclusive, de superar amplamente o período de um governo. O que apresentamos aqui é um mecanismo de criação desse consenso e os valores encontrados devem ser encarados, na parte econômica, como o crescimento econômico possível dentro do quadro atual e na suposição de uma retomada da poupança interna e em um quadro de remuneração do capital externos moderados (4,3% reais ao ano). Na parte energética, os resultados devem ser encarados como os resultantes do cenário econômico apresentado e da continuação da política energética - não explícita - vigente. A saber: introdução vigorosa de gás natural tanto no uso direto como na geração termelétrica, pequena participação de carros a álcool no mercado e manutenção da política de mistura na gasolina, decréscimo do uso da biomassa dentro da tendência histórica observada e preservando alguns “nichos” específicos e política de conservação incorporando tecnologias já disponíveis. Esta política implícita – cujo contorno pode ser percebido de formas diferentes – substitui, na prática, uma política energética mais explícita. Ela não evita, no entanto, que se caia em “armadilhas do mercado” que pode induzir decisões de longo prazo baseadas em preços de curto prazo. Isto se agrava quando o Governo assume – direta ou indiretamente – garantias de lucratividade que livram o investidor de uma correta avaliação dos riscos futuros. Não existe país responsável sem uma política energética que leve em considerações aspectos estratégicos desse insumo. Países capazes de projeção externa de força, como os EUA, optaram por ações militares e políticas que garantam o abastecimento externo de petróleo. Também se preocupam com suas reservas estratégicas. Uma das primeiras preocupações do governo W. Bush, foi encomendar a uma comissão de alto nível um estudo sobre o futuro energético dos EUA. Ao mesmo tempo, países de menor influência optam por pagar um sobre-preço por medidas que induzam a conservação. Exemplos disso são: o preço elevado de combustíveis líquidos ao consumidor europeu - com impostos, criando um “colchão” que absorve variações externas - e a opção pelo nuclear da França, Japão e Coréia do Sul. Também a opção contra o nuclear, da Alemanha e Suécia, é uma atitude política. Os resultados da presente “rodada” da matriz energética e de emissões, para um crescimento do PIB médio de 3,0%, apontam para um crescimento anual médio de eletricidade de 3,9%, de carvão mineral e seus derivados de 2,9% e dos derivados de petróleo e gás natural de 3,4%. O uso do gás natural cresceria de 8,7% ao ano e o de biomassa somente de 0,3% ao ano. As emissões de CO2, principal gás causador do efeito estufa e novo aspecto estratégico a ser considerado nas decisões energéticas, cresceriam cerca de 3,4%. Considerando o CO2 emitido na geração de eletricidade passa-se de uma emissão, em 1999, de 0,5 kg de CO2 por dólar (a valores de 1994) de PIB para quase 0,6 kg CO2/US$(1994). No final da década de oitenta esse fator era pouco superior a 0,4 kg CO2/US$(1994 ) quando as políticas de substituição de petróleo produziam seu efeito máximo. O cenário aqui apresentado poderia ser considerado como o cenário inercial de emissões de CO2 para efeito de avaliação de políticas alternativas. Devemos assinalar, finalmente, que a metodologia permite, com relativa facilidade, estudar cenários alternativos de crescimento econômico e de uso de energéticos. ------------------------------------------------------ (*) Parte da análise econômica deste trabalho, faz parte do Trabalho de Tese de Doutorado de Aumara Feu em curso no Departamento de Economia da Universidade de Brasília. Final |
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Revised/Revisado:
Tuesday, 17 May 2011. |