Economia
& Energia |
Apoio: MCT
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Energia e Emissões Evolução da Razão Capital/Produto no Brasil e nos Países da OCDE Dívida Pública e Reservas do Brasil Matriz
Energética e de Emissões
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Evolução da Razão Capital/Produto no Brasil e nos Países da OCDE
Aumara Feu
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|
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eletricidade, gás e água (EGA) |
Insti
tuições
financeiras e de seguro, negócios imobiliários e serviços
prestados às empresas |
serviços da administração pública não- mercantis (SAP) |
transporte, armazenamento e comunicação (TAC) |
indústria extrativa mineral (MIN) |
agricultura, caça, silvicultura e pesca (AGR) |
|
M.Aritmética(1970) |
7,2 |
5,3 |
3,8 |
3,3 |
2,7 |
2,6 |
|
M.Aritmética(1994) |
6,9 |
4,5 |
3,9 |
4,0 |
4,5 |
4,7 |
|
Variação |
-4% |
-14% |
3% |
21% |
70% |
83% |
|
D. Padrão (1970) |
3,6 |
1,0 |
2,1 |
0,9 |
1,5 |
0,9 |
|
D.Padrão (1994) |
1,9 |
1,1 |
2,6 |
0,8 |
1,9 |
1,3 |
|
M.Ponderada (1970) |
5,4 |
4,3 |
3,1 |
2,9 |
3,6 |
2,5 |
|
M.Ponderada (1994) |
5,7 |
3,7 |
3,8 |
3,6 |
6,1 |
5,0 |
|
Variação |
6% |
-14% |
23% |
26% |
70% |
103% |
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manufatura (MAN) |
serviços fornecidos à coletividade, serviços sociais e serviços prestados às pessoas (SSO) |
Comércio de atacado e varejo, restaurantes e hotéis (CRH) |
construção (CST) |
total (TET) |
agregada |
|
M.Aritmética(1970) |
1,7 |
1,7 |
1,2 |
0,6 |
2,7 |
2,6 |
|
M.Aritmética(1994) |
2,4 |
1,9 |
1,6 |
1,0 |
3,2 |
3,1 |
|
Variação |
41% |
17% |
38% |
70% |
20% |
20% |
|
D. Padrão (1970) |
0,3 |
1,0 |
0,5 |
0,2 |
0,5 |
0,5 |
|
D.Padrão (1994) |
0,5 |
1,0 |
0,6 |
0,4 |
0,4 |
0,4 |
|
M.Ponderada (1970) |
1,5 |
0,8 |
0,8 |
0,6 |
2,3 |
2,3 |
|
M.Ponderada (1994) |
2,3 |
1,2 |
1,0 |
0,9 |
2,8 |
2,8 |
|
Variação |
50% |
50% |
31% |
45% |
21% |
21% |
As médias das razões K/Y com maior crescimento foram, em ordem decrescente, as das atividades: agricultura, caça, silvicultura e pesca (AGR), indústria extrativa mineral (MIN) e construção (CST). Esta última atividade é a que apresenta menor média, ponderada e aritmética. Analisando o desvio padrão das razões por atividade para cada país em torno da média, as razões com maior desvio foram as das atividades: indústria extrativa mineral (MIN), eletricidade, gás e água (EGA) e serviços da administração pública não-mercantis (SAP).
O alto desvio da razão na atividade SAP pode ser explicado pelas séries da Austrália e do Japão. Em 1970, a Austrália se sobressai, pelo elevado nível da razão, 9,7, para uma média aritmética de 3,8, enquanto que, em 1994, são dois os países com o nível muito acima da média de 3,9, Austrália e o Japão, ambos com razões de 9,4. Cabe enfatizar aqui que o valor elevado da razão na Austrália se deve ao fato desta atividade, diferentemente do que ocorre nos outros países, só incorporar serviços da administração pública e de defesa, não incluindo por exemplo saúde, educação, cultura e outros.
As razões capital/produto por atividade apresentam níveis e tendências
díspares entre os países. No entanto, podemos verificar algumas características
semelhantes, como por exemplo, as tendências das razões referentes à
agricultura, caça, silvicultura e pesca (AGR), manufatura (MAN), construção
(CST) e comércio de atacado e varejo, restaurantes e hotéis (CRH) que são
crescentes em quase todos os países.
Particularmente, na
AGR, onde a tendência ascendente é mais acentuada,
distinguimos, no final do período, o nível elevado da razão em dois países,
Itália e Japão. Na CST, três países
se destacam por terem razões elevadas a Dinamarca, a França, a Itália e
temos, em quase todos os países, um ciclo positivo que se inicia no começo
da década de 80, coincidentemente, com o aumento da taxa de juros e se
reverte em meados da década de 80, quando da queda da taxa de juros. Na
atividade CRH, destacamos o
alto nível da razão na Finlândia e na Noruega. Nos gráficos abaixo,
confirmamos a tendência ao crescimento da razão nas atividades AGR, MAN,
CST e CRH na OCDE.
Razão Capital/Produto por Atividade na OCDE


Conforme
visto anteriormente, a razão K/Y na indústria extrativa mineral (MIN)
tem grandes variações positivas e grande dispersão entre os países. A
tendência crescente desta série não é comportada, destacamos, como
característica da maioria dos países, a elevação acima da tendência
da razão em meados da década de 80 e uma queda nos últimos anos.
Ressaltamos também grandes ciclos do início da década de 70 ao início
da de 80 (Dinamarca, Suécia e Inglaterra - ciclos positivos, e Austrália
e Noruega - ciclos negativos). A razão para a França é, singularmente,
baixa.
Como esta
atividade inclui a extração de petróleo, os dados parecem indicar que
os choques de petróleo, 1973 e 1979, causaram uma alteração no
comportamento normal das razões em alguns países. É interessante
observar ainda, quando da queda do preço de petróleo em 1986, a razão
parece ter aumentado em vários países, em conseqüência da queda do
valor do produto desta atividade (denominador da razão capital/produto).
É bom lembrar que trabalhamos com a participação das atividades no
produto e no investimento a preços correntes.
A série
da razão K/Y na atividade MIN na OCDE segue de perto o comportamento da série
nos EUA, uma vez que o peso do estoque de capital e do produto desse país
em relação ao conjunto dos países analisados[27]
é enorme, maior que 48%.
As atividades
instituições financeiras e de seguro, negócios imobiliários e serviços
prestados às empresas (INF) e eletricidade, gás e água (EGA) têm razões
K/Y com tendência não crescente. Na EGA, destacamos a tendência
decrescente da Inglaterra, Noruega e Suécia, e como exceção o
comportamento crescente do Japão e da Dinamarca. Na INF, salientamos a
existência de um ciclo positivo na maioria dos países da metade da década
de 70 à metade da década de 80, quando da queda dos juros em 1986. O
comportamento da razão na OCDE é semelhante para a atividade INF e
praticamente constante para a atividade EGA, onde as tendências
crescentes (no Japão e na Noruega) contribuíram para diminuir o peso do
comportamento declinante mais acentuado nos países acima mencionados.
Nas séries da
razão K/Y da atividade transporte, armazenamento e comunicação (TAC), o
comportamento, para a maioria dos países, é crescente, com ciclo
positivo acima da tendência pós choque de petróleo até meados da década
de 80, tornando-se praticamente constante no restante do período.
Ressaltamos a tendência decrescente na Finlândia. A série na OCDE segue
o comportamento da maioria dos países nesta atividade.
Por
outro lado, as atividades serviços fornecidos à coletividade, serviços
sociais e serviços prestados às pessoas (SSO) não têm razão com tendência
definida. Destacamos o comportamento crescente da razão na Dinamarca e no
Japão, decrescente na Finlândia, no Canadá e nos EUA, e crescente até
1987 e decrescente até o final do período na Inglaterra. Conforme
mencionado anteriormente (nota de rodapé 15), esta atividade, na Bélgica
e na Itália, incorpora a atividade INF, mais especificadamente os negócios
imobiliários e serviços prestados às empresas, que correspondem a
noventa porcento do capital investido em INF. Como a maior razão
capital/produto e a maior
participação no produto (veja Quadro III na Seção V) é
justamente da atividade INF, esta altera significantemente a razão e o
comportamento da atividade SSO nestes países, por isto o comportamento
crescente da razão na OCDE foi calculado retirando a Bélgica e a Itália.
Finalmente,
o comportamento da razão na atividade serviços da administração pública
não-mercantis (SAP) é decrescente na maioria dos países, excetuando a
França e o Japão, onde tem tendência com inclinação positiva.
Lembramos que nesta atividade o nível é elevado em relação à média
na Austrália e no Japão.
V – Efeito Estrutura e Conteúdo por Atividade
Os gráficos abaixo representam os efeitos estrutura e conteúdo e o resíduo, acumulados ano a ano, e a variação da razão K/Y (soma dos dois efeitos e do resíduo):









O efeito estrutura acumulado é positivo em nove países
(Austrália, Bélgica, Canadá, Dinamarca, EUA, Finlândia, França, Itália
e Suécia) e oscila entre positivo e negativo em três (Inglaterra, Japão
e Noruega). O efeito conteúdo acumulado é positivo em nove países e
oscilante em três (Dinamarca, Noruega e Suécia), a tendência positiva
do efeito conteúdo, contudo, torna-se negativa após início da década
de 80 com pequeno ciclo positivo no início da década de 90 na maioria
dos países.
Na OCDE, como um todo, notamos que os dois efeitos acumulados são positivos,
crescentes até 1984, e após esta data praticamente constantes (o efeito
estrutura com pequena inclinação decrescente, e o efeito conteúdo
oscilando entre decrescente e crescente). A variação da razão K/Y é
crescente até meados dos anos 80, quando sua inclinação positiva cai,
chegando a ficar negativa e depois voltar a crescer no final da década de
80, mantendo-se a partir do início da década de 90 até o final do período
praticamente constante. Estes movimentos na variação da razão K/Y,
seguem de perto o efeito conteúdo acumulado, o qual tem um peso maior que
o efeito estrutura.
Como
os efeitos, acumulados, estrutura e conteúdo são positivos na maioria
dos países e na OCDE, no geral, o comportamento crescente da razão
capital/produto é determinado pela combinação da re-alocação do
produto em atividades mais intensivas em capital e pelo aumento da razão
K/Y em algumas atividades. Para uma análise mais detalhada destes efeitos
apresentamos, no Quadro III abaixo, a participação do produto de
cada atividade[28]
no PIB e o peso da razão de cada atividade, ponderada por sua participação
no produto, na razão K/Y total.
Quadro III – Participação do PIB por Atividade no PIB ( ea ) e
Peso de Cada Atividade na
Razão K/Y (
)[29]na
OCDE
|
|
eletricidade, gás e água (EGA) |
Instituições financeiras e de seguro, negócios imobiliários e serviços prestados às empresas (INF) |
serviços da administração pública não-mercantis (SAP) |
transporte, armazenamento e comunicação (TAC) |
indústria extrativa mineral (MIN) |
agricultura, caça, silvicultura e pesca (AGR) |
|
M.Aritmética(1970) |
7,2 |
5,3 |
3,8 |
3,3 |
2,7 |
2,6 |
|
M.Aritmética(1994) |
6,9 |
4,5 |
3,9 |
4,0 |
4,5 |
4,7 |
|
Variação |
-4% |
-14% |
3% |
21% |
70% |
83% |
|
D. Padrão (1970) |
3,6 |
1,0 |
2,1 |
0,9 |
1,5 |
0,9 |
|
D.Padrão (1994) |
1,9 |
1,1 |
2,6 |
0,8 |
1,9 |
1,3 |
|
M.Ponderada (1970) |
5,4 |
4,3 |
3,1 |
2,9 |
3,6 |
2,5 |
|
M.Ponderada (1994) |
5,7 |
3,7 |
3,8 |
3,6 |
6,1 |
5,0 |
|
Variação |
6% |
-14% |
23% |
26% |
70% |
103% |
|
|
manufatura (MAN) |
Instituições financeiras e de seguro, negócios imobiliários e serviços prestados às empresas (INF) |
Comércio de atacado e varejo, restaurantes e hotéis (CRH) |
Serviços da administração pública não-mercantis (SAP) |
Serviços fornecidos à coletividade, serviços sociais e serviços prestados às pessoas (SSO) |
|
Participação no PIB(1970) |
26,0% |
15,8% |
14,9% |
11,9% |
8,4% |
|
Participação no PIB(1994) |
20,1% |
23,3% |
15,1% |
11,0% |
11,5% |
|
Variação na participação |
-5,9% |
7,5% |
0,2% |
-1,0% |
3,1% |
|
Peso na Razão K/Y (1970) |
17,4% |
31,5% |
6,2% |
16,7% |
3,8% |
|
Peso na Razão K/Y (1994) |
16,8% |
32,2% |
7,3% |
14,9% |
5,9% |

No
quadro acima, o peso da razão capital/produto de cada atividade na razão
total, demonstra claramente a importância da atividade INF, mais de 30%,
das atividades MAN e SAP, ambas com mais de 15%.
Para
analisar o efeito estrutura, nos deteremos ás atividades com maior variação
na participação no PIB (INF, MAN, SSO e AGR). A variação positiva na participação do produto da atividade INF
e a variação negativa da MAN tiveram quase mesmo valor absoluto similar
7,5% e 6%, respectivamente.Observamos que, de 1970 a 1994, a atividade INF
trocou de lugar com a MAN, deixando de representar a segunda atividade de
maior participação do PIB e passando a ocupar o primeiro lugar, que
antes pertencia à MAN.
Como
o peso da mudança estrutural é dado pela razão capital/produto (veja Equação
(3) na Subseção II.2), a modificação estrutural positiva suplanta
a negativa, uma vez que a média ponderada[30]
da razão K/Y da atividade INF é mais que o dobro da média da razão da
MAN (veja Quadro II na Subseção IV). A este efeito estrutural positivo soma-se o aumento na participação
da participação da atividade SSO no
PIB de 3%, enquanto que a queda da participação da atividade AGR, de 2%,
vem suavizar o aumento do efeito estrutural acumulado, à medida que o
aumento na razão desta atividade, eleva o peso do efeito estrutural nesta
atividade.
Distinguindo
agora os efeitos por país, esclarecemos, a principio, que o sentido das
variações na participação no PIB nas atividades AGR, MAN, INF e SSO,
é igual em todos os países[31]. Quanto aos valores
absolutos semelhantes das mudanças na MAN e na INF, a variação positiva
na INF foi significativamente maior na Dinamarca, na Finlândia e no Japão,
e menor na Noruega.
Além
destas quatro atividades, a CST, também, tem variação na participação
no PIB com mesmo sentido (negativo) em todos os países, principalmente na
Dinamarca, Finlândia e Itália, no entanto como esta é a atividade de
menor peso não afeta muito o efeito estrutura total.
Quanto
a diferenças entre os países, na re-alocação do produto por atividades,
mencionamos a Dinamarca, a Finlândia, a França, a Noruega e a Suécia
pelo aumento na participação da atividade SAP, cujo peso (razão K/Y) só
perde em valor para atividades EGA e INF. O aumentando da participação
no produto da atividade SAP tem o efeito positivo sobre o efeito estrutura
acumulado nestes países (apesar da re-alocação do produto em outras
atividades tornar o efeito estrutura negativo na Noruega).
No
Japão, no Canadá e na Noruega, destacamos a queda na participação da
atividade TAC e, especificadamente para o Japão, a queda na atividade SAP.
O efeito destas mudanças re-alocativas diminui o efeito estrutura no Canadá,
na Noruega e no Japão. Nestes dois últimos, o efeito estrutura acumulado
passa a ser negativo, apesar de pequeno quando comparado ao efeito conteúdo.
Estas mudanças de sentido do efeito estrutura se devem em grande parte à
queda da participação das atividades SAP e TAC, cujas razões
capital/produto têm níveis elevados.
Quanto
ao efeito conteúdo acumulado na OCDE, analisaremos as atividades que mais
sofreram modificação positiva na média ponderada da razão K/Y (veja
Quadro II da Seção III), ou seja, AGR, MIN, MAN, bem como a
atividade INF que obteve a maior variação negativa. O peso da mudança
no conteúdo é dado, conforme Equação (4) na Subseção II.2,
pela participação da atividade no PIB. Notamos, portanto, que as variações
positivas nas médias das razões K/Y da AGR e da MAN são amortecidas na medida em que a participação cai ao longo do
período, de 4,1% para 2,1% na AGR e de 26% para 20,1% na MAN.
A
atividade MIM, por sua vez, tem baixa participação no PIB, portanto a
variação da sua razão, apesar de significativa, tem seu efeito limitado
na razão K/Y total, peso de 3% em 1970 para 3,9% em 1994. Lembramos que a
razão K/Y possui uma quebra na tendência em meados da década de 80,
quando ela praticamente duplica de valor. Ressaltamos que, apesar da alta
variação na razão K/Y da atividade construção (CST), 70%, não nos
deteremos em sua análise, levando em consideração o pequeno valor
absoluto da variação da razão na CST, 0,3, uma vez que possui a menor
razão
capital/ produto média entre as atividades. O peso desta atividade na
determinação da razão capital/produto agregada não somente é o menor
como também caiu de 2% para 1,8%, veja Quadro III.
No
que concerne à queda na razão capital/produto da atividade INF (14% em média),
destacamos que como o peso no efeito conteúdo, dado pela participação
desta atividade no produto é grande, 15,8% em 1970 e 23,3% em 1994, bem
como é grande o valor absoluto da variação 0,8, esta atividade alterará
significativamente para baixo o efeito conteúdo, principalmente após a
queda dos juros em 1986. Lembramos o choque positivo na razão K/Y desta
atividade em meados da década de 70 até 1986, quando o efeito conteúdo,
fugindo da tendência, torna-se positivo em vários países.
O
efeito o conteúdo procura mostrar o peso da variação nas razões
capital/produto por atividade no computo da razão capital/produto total.
Dos países com efeito conteúdo agregado positivo (Austrália, Bélgica,
Canadá, Dinamarca, EUA, França, Finlândia, Inglaterra, Itália e Japão),
confirmamos o aumento na razão capital/produto positivo das atividades
AGR, MAN e MIN[32],
restringido pela queda do peso no efeito conteúdo, dado pela queda na participação do PIB nas atividades AGR e
MAN, e pela baixa participação no PIB da atividade MIN. Bem como o
efeito conteúdo negativo e de alto peso da atividade INF (à exceção do
Japão que possui tendência ligeiramente crescente nesta atividade), mas
com ciclo positivo da metade da década de 70 terminando em 1986.
A Itália,
juntamente, com o Japão se destacam pelo efeito conteúdo acumulado
elevado, sendo o do Japão sempre crescente. O efeito conteúdo é reforçado,
na Itália, pelo aumento da razão capital/produto na atividade TAC e, no
Japão, pelo aumento nas razões EGA, TAC, SSO e SAP. Lembramos que,
apesar da queda da participação no produto da atividade SAP no Japão, a
razão capital/produto da atividade ficou muito acima da média no final do período, de tal modo que o peso
desta atividade na determinação da razão capital/produto cresceu de 19%
para 21% no Japão.
Dos
países com efeito conteúdo acumulado oscilante (Dinamarca, Noruega e
Suécia), notamos que o efeito conteúdo é crescente a partir de
1973 até meados da década de 80, quando torna-se decrescente. Na
Noruega, atentamos para as razões capital/produto neste país que
apresentam ciclo positivo neste período, TAC, INF e MAN, que suplantam o
ciclo negativo que ocorre neste país à mesma época na atividade MIN. No
final do período, a atividade TAC e MIN, trocam de peso na determinação
da razão capital/produto, com razões semelhantes, mas com participação
crescente de MIN e decrescente de TAC. Finalmente, na Suécia, observamos
um elevado ciclo positivo na MIN no período e uma queda na razão K/Y da
atividade EGA, de 13,6 para 8,6.
VI - Conclusões
As razões capital/produto dos países membros da OCDE, bem como
para o Brasil, mostraram tendência positiva. A relação inversa entre o
nível inicial e o crescimento da razão, sugere um comportamento
convergente que se daria em torno do nível médio de 3. Notamos, ainda,
um arrefecimento da tendência
crescente a partir da década de 80 na maioria dos países e uma maior
queda da razão após a recessão de 1992, coincidindo, com a aceleração
do crescimento do produto.
Das razões capital/produto por atividade, aquelas com maior nível
inicial, eletricidade, gás e água (EGA) e instituições financeiras e
de seguro, negócios imobiliários e serviços prestados às empresas (INF),
apresentaram decréscimo, enquanto todas as outras mostraram comportamento
médio, entre os países, crescente. A evolução das razões K/Y por
atividade mostrou-se, como é natural, mais sujeita a choques. Destacamos
as tendências crescentes apresentadas nas atividades agricultura, caça,
silvicultura e pesca (AGR), indústria extrativa mineral (MIN), manufatura
(MAN) e construção (CST).
As séries das razões apresentam: a) maior inclinação positiva na AGR;
b) grandes ciclos (determinados pelos choques de petróleo e pela queda do
preço deste produto em 1986) na atividade de MIN, como também na de
transporte, armazenamento e comunicação (TAC); e, c)menor nível na CST.
Ressaltamos ainda, na atividade INF, que apesar da tendência decrescente
da razão capital produto, ela é marcada por um ciclo positivo, que começa
na metade da década de 70 e acaba por volta de 1986, quando da queda dos
juros a nível mundial.
As razões capital/produto das atividades
INF, SAP e manufatura (MAN) são
responsáveis por de mais de 50% da determinação da razão
capital/produto, não só pela grande participação destas atividades no
produto, mas também pelo nível de sua razão. Verificamos que a
participação da atividade MAN no produto vem caindo, sendo que o produto
está sendo alocado em uma atividade mais intensiva em capital, a INF.
O efeito estrutura -
re-alocação do produto em setores mais ou menos
intensivos em capital - acumulado no período mostrou-se predominantemente
positivo com grande crescimento até a década de 80, ficando praticamente
constante a partir desta data. Este efeito, cuja série é bem comportada,
ajuda a determinar a tendência da razão capital/produto.
O efeito conteúdo - aumento da razão capital/produto por atividade -
acumulado ano a ano vem, na maioria das atividades, se adicionar ao efeito
estrutura positivo. A significância deste efeito é maior nos países em
que ele é positivo, onde por vezes determina sua tendência, e menor
quando oscilante, onde além
de diminuir o efeito estrutura positivo em determinados períodos, aparece
com maior volatilidade, determinando, na maioria dos casos, as variações
em torno da tendência da razão capital/produto.
Portanto, os países desenvolvidos, membros da
OCDE, investiram em
atividades capital intensivas, bem como na maioria dos casos adotaram técnicas
mais intensivas em capital. No entanto, a adoção de técnicas menos
intensivas em capital na atividade instituições financeiras e de seguro,
negócios imobiliários e serviços prestados à empresa e, em alguns países,
na eletricidade, gás e água, o fim de ciclos positivos coincidentes com
os choques de petróleo e de juros em algumas atividades, bem como a queda
na participação de setores com razões capital/produto crescentes AGR e
MAN, tendem a arrefecer a tendência de alta da razão K/Y total na década
de 80 na maioria dos países da OCDE.
No Brasil, não nos detemos
à análise por atividade, dado a falta de dados desagregados de
investimento. No entanto, devemos realçar o seu comportamento
acentuadamente crescente, bem como o nível alcançado da razão
(utilizando tempos de vida médios iguais ao da OCDE). A razão K/Y para o
país duplicou no período de 1970 a 1998, de 1,5 para 3, indicando que o
país necessita, hoje, do dobro de capital necessário na década de 70
para gerar uma unidade de produto.
Países menos desenvolvidos, onde o fator escasso é o capital, devem
levar em consideração a necessidade de aporte deste fator ao planejar a
re-alocação de recursos no produto e ao absorver, ou até mesmo,
desenvolver tecnologias, de forma a evitar pontos de estrangulamentos no
seu crescimento. Esta situação é agravada quando o país, além de não
levar em consideração este fator limitante ao crescimento nas suas
estratégias de desenvolvimento, também deixa de se preocupar com o
planejamento de longo prazo só se atentando para o curto prazo.
Bibliografia
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[1] Aluna do doutorado em economia da Universidade de Brasília e analista de finanças e controle da Secretaria do Tesouro Nacional – STN do Ministério da Fazenda. Começou o desenvolvimento deste trabalho para ser apresentado ao final da disciplina "Tópicos Especiais em Métodos de Análise Econômica 2" do Professor Dr. Joaquim Pinto de Andrade e contou com os conselhos do Professor Dr. Maurício Barata de Paula Pinto, orientador de sua tese de doutorado, da qual este trabalho fará parte.
[2] A taxa de retorno sobre o capital não mostra tendência crescente ou decrescente e as participações na renda per capita do capital e da mão-de-obra não apresentam tendência.
[3] Por tempo de sucatamento médio (h), entende-se o tempo gasto em média para o bem perder sua capacidade de agregar valor, desconsiderando o período de defasagem. Portanto, h determina o desgaste considerado como normal para cada bem.
[4] Na Equação (1), a seguir apresentada, x será dado pela diferença entre t-m-r, sendo r o ano em que foi realizado o investimento. Aqui, o r não aparece, pois é tomado como sendo igual a zero, ou seja, o investimento foi realizado no ano zero.
[5] Entendemos como taxa de depreciação adicional (d) o valor da taxa que incide no primeiro ano de sucatamento de um investimento, sendo que, a partir deste momento até chegar à unidade, a taxa, aplicada ao investimento inicial, é cumulativa e aumenta de d anualmente.
[6] Somando h + m obtemos o período final da vida média do bem, v, ou seja, após os m períodos, onde a depreciação do bem é zero, e os h períodos, nos quais o capital se deprecia à taxa adicional de d. No ano v, a capacidade de agregar valor ao bem é zero.
[7] Os valores de m=5 e v=24 correspondem ao período de defasagem e ao tempo de vida médio para máquinas e equipamentos, fornecidos pela OCDE.
[8] Por investimento, tomaremos as séries da Formação Bruta de Capital Fixo (FBKF).
[9] Este procedimento é semelhante ao utilizado por Solow (1959) em um Modelo de Geração para o capital, onde o investimento é tratado de acordo com sua geração (sua idade). A importância de fazer a depreciação variar segundo a idade do capital na dinâmica do crescimento pode ser verificada no Capítulo II. O usual, nos modelos teóricos, é utilizar a depreciação geométrica, que possibilita agregar diferentes gerações de ativos, mas tem a desvantagem de nunca exaurir o ativo e de não permitir visualizar o efeito de mudanças no comportamento do investimento na dinâmica do crescimento. Como um dos objetivos deste trabalho é verificar a evolução da quantidade investimento necessária para crescer, deve-se calcular o envelhecimento do estoque de capital , sua taxa de depreciação e a quantidade de investimento necessária para repor o desgaste do capital. Cabe, adiantar, que, com os períodos recessivos pelos quais o Brasil tem passado nas últimas décadas, seu estoque de capital envelheceu e, conseqüentemente, sua depreciação aumentou ( veja Capítulo IV).
[10] O tempo de vida ativa de um bem - tempo de defasagem mais tempo de sucatamento, ou seja, tempo em que um ativo permanece no estoque de capital – é estimado por diversas fontes. As usualmentes utilizadas são as autoridades tributárias, a contabilidade das empresas, as pesquisas estatísticas, os registros administrativos, os estudos de especialistas e as estimativas de outros países. A maioria dos países utiliza tempo de vida fixo para o cálculo do estoque de capital, apesar de que na prática está ocorrendo na maioria das atividades o tempo de vida está diminuindo o que seria explicado ou pela diminuição do tempo de vida dos ativos ou pelo aumento da porção de ativos com menor tempo de vida no estoque da atividade. Como exemplo de bens com vidas menores, podemos citar aqueles com componentes computadorizados, e como exceção a OCDE(1993) menciona as estradas rodoviárias e os aviões.
[11] Quanto ao tempo de sucatamento médio do capital (h), é importante mencionar que, conforme analisado em exercícios em que mudamos seu valor, quanto maior o h utilizado, maior será a tendência de crescimento e o nível da razão K/Y e menor será a volatilidade desta razão. O aumento de nível e da inclinação positiva da tendência é explicado pela maior evolução do estoque de capital, pois quando se eleva h diminui-se a depreciação. Portanto, um estoque de capital com maior nível e crescendo mais rápido para um determinado produto, determina uma razão K/Y maior e com comportamento positivo mais acelerado. A menor volatilidade da razão por sua vez é explicada pela sua menor sensibilidade a mudanças conjunturais no investimento, dada a maior permanência destes investimentos na série. Portanto, quanto maior h, menos suscetível é a depreciação a variações temporárias no comportamento do investimento.
[12] Para maiores informações sobre as atividades, consulte OCDE(1999).
[13] Entre as séries a preços constantes e preços correntes, optamos por utilizar as séries a preços correntes. Primeiro, porque estas abrangem um período mais longo no tempo; e, segundo, porque evitam problemas que surgiriam caso adotássemos séries a preços constantes com base fixa. A série a preços constantes na base fixa tem problemas de consistência gerados quando se muda o ano base e, sendo um índice quantum, ignora mudanças de preços que refletem alterações na produtividade de ativos. O procedimento por nós adotado, no entanto, ignora variações dos preços do investimento em relação às variações no preço do PIB, bem como as diferenças nas variações dos preços entre atividades.
[14] Cabe esclarecer que o total (TOT) e a soma dos seus componentes, muitas vezes, não batem. Segundo a ISDB da OCDE, isto se deve às diferentes fontes utilizadas para um mesmo país, e, particularmente, quanto a séries com preços constantes pela mudança de base. Tendo em vista o exposto, normalizamos os dados das séries.
[15] v = m + h = 19 + 5
[16] Informamos que o primeiro ano fornecido é: 1900(Brasil); 1947(EUA); 1948(Canadá e Inglaterra); 1949(Austrália e Noruega); 1950(Dinamarca e Finlândia e Suécia); 1952 (França e Itália); 1953(Bélgica) e 1955(Japão).
[17] Do investimento realizado em 1950 (ano em que existem dados de investimento total disponíveis para a maioria dos países, veja Nota de Rodapé 14), restaria 35,8% sobrevivente em 1970 e 8,4% em 1990. Como exercício calculamos para a Austrália o peso dos investimentos anteriores a 1951 no estoque de capital de 1970 e 1990, achando 9% e 0,6%, respectivamente.
[18] As séries do PIB a preço de mercado de 1990 para cada país foram completadas usando os índices de crescimento do PIB fornecidos pela OCDE (1995).
[19] À exceção da Dinamarca, que, como a ISDB não forneceu as vidas médias deste país, foi utilizada a proporção de máquinas e equipamentos, calculada com as médias das vidas médias dos outros países. Cabe mencionar que o desvio padrão para a proporção de máquinas e equipamentos por atividade nos outros países, afora a Dinamarca, é bem pequeno, ficando abaixo de 0,03 em todas as atividades, excetuando a atividade serviços da administração pública não-mercantis onde ele é 0,098.
[21] Excetuando os Países Baixos (pois os dados por atividade, por estando incompletos, diferiam muito do somatório) e a Alemanha (dada a descontinuidade de sua série com a unificação da Alemanha Ocidental com a Oriental). Os períodos fornecidos pela ISDB estão descriminados por país e por atividade no OCDE(1999).
[22] As séries em moeda nacional, a preços de 1990, foram convertidas para dólar dos EUA pela taxa de câmbio fornecida pela ISDB.
[23] O estoque de capital e o produto utilizados dependem da razão (agregada, total ou por atividade) que está sendo estimada.
[24] Anos abrangidos por todos os países em suas séries de dados.
[25] Os países, Bélgica e Itália, não possuem dados sobre o produto na atividade INF, incorporado em grande parte (90%) na atividade SSO, e sobre o produto e a FBKF na atividade MIN, incorporados na atividade MAN. Esta diferença deve-se diferenças no sistema de desagregação por atividade utilizados por estes países – Nomenclature des Activités dans les Communautés Européennes (NACE) – em relação ao sistema utilizado pela maioria dos países – International Standard Industrial Classification (ISIC).Não incluímos, portanto, no cálculo das médias da atividade SSO e INF e no cálculo da razão K/Y na OCDE, os países, Bélgica e Itália. O tratamento dado ao cômputo da razão da atividade SSO nestes países será visto adiante.
[27] Os dados para a atividade MIN na Bélgica e na Itália, estão incorporados na atividade MAN.
[28] No calculo da participação do produto das atividades no produto do total, retiramos dois países, Bélgica e Itália.
[29] O peso de cada atividade na razão K/Y total corresponde aos termos da Equação (2), depois de dividida pela razão capital/produto (v).
[30] Utilizamos a média ponderada por estarmos tratando da razão K/Y para a OCDE, onde o estoque e o produto de cada país têm pesos diferentes no cômputo da razão.
[31] Lembramos o caso particular da Bélgica e da Itália onde a variação positiva na participação no PIB na atividade INF é sentida na atividade SSO, dado que esta última incorpora a maior parte da atividade INF (veja nota de rodapé 24).
[32] Distinguimos nestes países, a Bélgica e a Itália, que dada a desagregação dos seus dados ser diferente dos outros países, possui, na atividade MAN (MAN + MIN), uma maior variação positiva da razão K/Y, e uma maior variação negativa, com ciclo positivo, na SSO (SSO + INF), que segue de perto o comportamento da atividade INF.
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Revised/Revisado:
Thursday, 19 February 2004. |