Economia
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Energia e Emissões Evolução da Razão Capital/Produto no Brasil e nos Países da OCDE Dívida Pública e Reservas do Brasil Matriz
Energética e de Emissões
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Matriz Energética e de Emissões:
Nota
sobre a Redação: Coordenador
: Carlos Feu Alvim feu@ecen.com Estudaremos, neste capítulo, a evolução dos coeficientes energia/produto e a distribuição do consumo em energia equivalente pelas diversas fontes de energia finais, visando a projeção do consumo de energia final (usando os coeficientes que refletem a eficiência relativa dos energéticos) para o Setor Industrial. Essa abordagem também é possível para cada uma das atividades industriais e deverá ser feita nos trabalhos referentes à matriz energética. A utilização dos coeficientes de emissão relativos às diversas fontes de energia final para o setor permite obter a emissão de gases que contribuem para o efeito estufa no uso de energia pelo setor. a) Participação do Setor Industrial no PIBA participação histórica dos setores no PIB foi discutida no item 4 onde foram apresentados dados históricos para o Brasil e países da OCDE a preços correntes e a preços constantes. Foi visto que a perda de participação do setor a preços correntes foi, nos países da OCDE, bastante superior à observada a preços constantes. No caso do Brasil, a participação do Setor Industrial caiu, em relação à década de oitenta, tanto a preços constantes como correntes, conforme é mostrado na Figura 29.
Tendo em vista a queda da participação do setor industrial nas décadas oitenta e noventa do século passado e levando em conta que o Brasil não chegou a ser um país industrializado na plena acepção dessa palavra[1] preferimos manter a participação do setor industrial e energético aproximadamente na mesma proporção observada para os últimos anos da série histórica disponível. A participação média na OCDE do produto industrial no PIB era cerca de 30% em 1995. Deve-se notar que países como Japão e Alemanha ainda mantém participações da indústria de cerca de 35% e que a média OCDE é fortemente influenciada pela baixa participação dos EUA que mantém, por vários anos, um déficit comercial externo mormente constituído de produtos industriais. Os valores projetados para o Brasil da participação dos setores industrial e energético foram, respectivamente, de 28,0% e 4,5% totalizando 32,5% e a relação entre as participações a preços correntes e constantes foi suposta, em ambos os casos, tendendo para 1. Na Figura 30, mostramos, a preços constantes, a evolução suposta para os setores energético e industrial.
b) Razão Energia Equivalente / Produto SetorA razão energia equivalente / produto do setor industrial mostra elevação sistemática a preços constantes ou correntes como pode ser visto na Figura 31. Aparentemente esses valores estariam tendendo para um valor limite. Os valores projetados se estabilizariam em 0,42 kEP/US$94. Uma análise preliminar dos dados para as diversas atividades industriais mostra que o aumento da razão energia/produto se deveu fundamentalmente ao setor metalúrgico.
Figura 31: Energia Equivalente / Produto Industrial em diversos países em ordem de PIB per capita (ppp - paridade de poder de compra). Existe uma grande variação nos valores observados que dependem fortemente das atividades industriais de cada país. A linha azul, no gráfico representa o produto industrial per capita)
É interessante apurar a situação da indústria brasileira em relação à de outros países. Na Figura 32, mostra-se a razão energia equivalente / produto para diversos países. Além dos países do atual e antigo bloco comunista, os países que se destacam por suas atividades em mineração e metalurgia apresentam valores mais elevados de energia equivalente/produto. Existe uma grande dispersão de valores sendo que o Brasil tinha um valor energia equivalente/ produto praticamente igual ao da OCDE em 1995. A hipótese adotada de que a intensidade energética atual permaneça constante parece coerente com essa observação. Uma melhor avaliação depende de uma análise prospectiva das diferentes atividades industriais no Brasil.
Figura 32: Avaliação da evolução do parâmetro energia equivalente/produto no setor industrial.
c) Projeção da Energia Equivalente e Final para o Setor IndustrialA metodologia de avaliar a participação dos setores a preços constantes no PIB foi descrita anteriormente quando se discutiu o Setor Agropecuário. A participação do Setor Industrial projetada é mostrada na Figura 32 . Os dados de participação, para anos intermediários, foram mostrados na Tabela 5 . A partir do PIB (em valores de dólares equivalentes ao de 1994) é possível obter os valores do Produtos Setoriais correspondentes que foram mostrados na Tabela 6 . Multiplicando os Valores do Produto Industrial assim projetados pelos valores anuais do parâmetro energia equivalente/produto industrial projetado chega-se à demanda em energia equivalente. EE indústria (ano i) = Prod. Industrial (ano i) * (EE/PI) (ano i) A Figura 33 mostra a evolução dos valores do produto a preços constantes e da energia equivalente no Setor Industrial. Os valores históricos refletem o aumento da razão energia/produto mostrada na Figura 32 que provoca um distanciamento das curvas, principalmente após o ano de 1980, onde a produção industrial se dirigiu para produtos semi-acabados.
Figura 33: Evolução histórica e projeção da atividade econômica (medida pela demanda de energia equivalente) e do produto para o Setor Industrial
d) Participação dos Energéticos na Indústria em Energia EquivalenteA participação dos energéticos para a indústria foi feita em duas etapas. Uma primeira aproximação é feita considerando os energéticos agrupados como é feito na apresentação dos Balanços Energéticos da OCDE. Esta classificação é aplicada de maneira a agrupar os derivados de petróleo,de gás natural e de carvão guardando uma idéia da fonte primária de origem. Isso facilita a planejar o atendimento da demanda em função das disponibilidades. Em uma segunda etapa, considerou-se a participação percentual dos energéticos em cada subgrupo. A metodologia adotada torna possível rever as participações entre os energéticos de forma a possibilitar o estudo de substituições entre energéticos de outros grupos. Na Figura 34 , mostramos a evolução da participação dos energéticos, assim agrupados, observada historicamente e a projetada. Ao projetarmos esta participação também consideramos a comparação da participação dos energéticos no Brasil com a de outros países. Na Tabela 16, mostramos as participações dos energéticos agrupados, extraídas dos dados da OCDE em energia final e convertidas em energia equivalente, de acordo com metodologia descrita anteriormente [F1] . Como o BEN não considera separadamente a energia na forma de calor, o total foi renormalizado distribuindo seu valor entre os outros energéticos (exclusive a eletricidade) como mostrado na Tabela 17 onde estão indicadas as participações adotadas para o ano de 2020 no Brasil.
Tabela 16: Participação, em Energia Equivalente, de energéticos agrupados, no uso na Indústria no ano de 1996.
Fonte: Dados de Energia Final de Balanços publicados pela OCDE e convertidos em energia equivalente pela e&e
Tabela 17: Renormalização de dados da Tabela 16 (sem o calor) e participação projetada para o Brasil
Na Figura 35 , mostramos a participação dos energéticos na indústria para diversos países, ordenados por PIB/hab. Como era de se esperar a participação da energia elétrica cresce com o desenvolvimento e atinge um patamar de cerca de 50%. A participação da biomassa se reduz com o desenvolvimento. A participação do Gás Natural na indústria é bem superior à observada no Brasil, mostrando que existiria espaço para uma maior participação desse energético cuja maior aplicação dependerá da disponibilidade futura. A participação do carvão mineral, no entanto, é praticamente o dobro da média da OCDE. Isso reflete o peso da siderurgia em nossa matriz industrial. Para o futuro, foi suposta, nesta primeira aproximação onde estamos tratando o setor industrial como um todo, que a participação do carvão mineral e seus derivados cairia dos atuais 13% (em 1999) para 12% (em 2020). Nos anos intermediários consideramos um acréscimo na participação do carvão mineral e seus derivados devido à necessidade de incrementar as exportações nos próximos anos.
Figura 35: Participação do energéticos em uso no Setor Industrial nos diversos países, ordenados por PIB/hab.
Na Tabela 18, indicamos as participações em anos passados e as projetadas para anos intermediários até 2020. Tabela 18: Valores de Participação dos energéticos agregados e valores projetados
Figura 36: Participação histórica e projetada dos energéticos usados no Setor Industrial .
Para a definição das participações dos vários energéticos por grupo, foi utilizada a variação percentual de seus componentes. As Figuras 37 a 39 mostram a evolução e a projeção dos energéticos ao longo dos anos estudados.
d) Participação dos Energéticos em Energia FinalOs valores em energia equivalente foram, como nos outros setores, convertidos em energia final usando-se coeficientes de equivalência já descritos anteriormente (baseados nos valores de eficiência dos usos esperados para o futuro, conforme indicação no BEU/MME 1993). Baseado nesses coeficientes de equivalência, foram obtidos o consumo de energia final por energético no Setor Industrial mostrados na Figura 39 3 Tabela 19. Os valores do Produto utilizados são os da Tabela 6.
Tabela 19: Valores Projetados da Energia Final para o Setor Industrial (10^6 tEP) Energia Final 10^3 tEP
e) Emissões Correspondentes ao Consumo em Energia FinalA partir do consumo em energia final e de coeficientes de emissão para o Setor, pode-se deduzir as emissões finais. Nessa avaliação foram usados os valores fornecidos pela equipe que está elaborando o Inventário Nacional de Emissões (valores fornecidos por Branca Americano à equipe da e&e). Como primeira aproximação, foram usados fatores constantes ao longo do período 2000 a 2020. Os fatores usados, mostrados na Tabela 21, correspondem aos fornecidos para o ano de 1999. Cabe observar que somente estão mostrados os coeficientes de emissão para energéticos que foram projetados para uso no Setor no período 2000 a 2020. Os usos não energéticos não foram computados na avaliação de emissões.
Tabela 20: Coeficientes de Emissões no Setor Industrial CO2 Gg/10^3tEP demais t/10^3tEP
Fonte: MCT: Comunicação de Branca Americano à e&e
A aplicação desses coeficientes aos dados de energia final fornece os valores de emissão indicados nos gráficos para cada gás, considerado como contribuindo para a formação do efeito estufa.. Os resultados para CO2, CO, CH4, NOX, N2O e NMVOCs são mostrados nas Figuras 40 a 45 e nas Tabelas 21 a 26.
Figura 40: Emissões Históricas e Projetadas de CO2 no Setor Industrial, provenientes do uso final de energia por energético. No caso das emissões de CO2 (e CO, veja próxima Figura), os correspondentes ao uso da biomassa renovável não alteram o inventário no longo prazo e não contribuem para o efeito estufa. Esses valores são indicados de forma “vazada” na Figura.
Tabela 21: Emissões de CO2 em Gg/ano
(*) Emissões não contabilizáveis por provirem de biomassa renovável
Tabela 22: Emissões de CO em Gg/ano (*) Emissões não contabilizáveis por provirem de biomassa renovável
Tabela 23: Emissões de CH4 em Gg/ano
Tabela 24 : Emissões de NOX em Gg/ano
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