| Economia & Energia No 19 - Março - Abril 2000 |
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Modelo
Macroeconômico |
O Modelo Macroeconômico Simplificado e&e
Projetar
Uma das falsas premissas da análise da situação brasileira é a
que pressupõe um aumento da inserção no comércio internacional pelo país. O
verificado é que, face uma conjuntura de menor preço de petróleo e de menor pressão
nas contas externas, o Brasil pôde aumentar o volume das importações. Como o volume,
relativo ao PIB, de exportações foi reduzido para atender à maior demanda interna, o
comércio exterior, aqui considerado como a média entre importações e exportações
relativa ao PIB, não cresceu e até foi reduzido em relação a décadas passadas. Houve,
nos últimos anos, uma sobrevalorização da moeda brasileira que traz alguma distorção
na apuração do PIB e contribuí também para reduzir o valor do comércio exterior como
percentual do PIB . De qualquer forma, a abertura ao exterior não é a que acreditaram
muitos brasileiros.
Uma análise dos dados históricos mostra uma notável estabilidade no comportamento médio deste parâmetro que faz descrer de previsões muito otimistas sobre a expansão do comércio externo. Este sofre limitações ligadas à extensão geográfica do Brasil e ao porte, relativamente modesto, da economia de nossos vizinhos. Mesmo assim, a economia brasileira continua relativamente fechada, com um comércio externo de 7% do PIB, quando segundo nossa avaliação no livro anteriormente mencionado, existe um comércio externo potencial para o Brasil da ordem de 13% do PIB, dos quais 5% são referentes ao comércio com nossos vizinhos. No ensaio aqui apresentado, projetamos uma evolução para uma
média de 8% no horizonte do ano 2020, veja Figura 12.Cabe mencionar, contudo, que a
tendência histórica (inercial) aponta para a manutenção de um valor médio próximo a
7% do PIB. O comportamento da balança comercial é introduzido, exogenamente, em nosso modelo e leva em conta a possibilidade de endividamento do Brasil, e de penetração do capital externo no estoque de bens de capital do país. A entrada dos valores exógenos é feita a partir da próxima
planilha, onde são indicados os anos: partindo do último conhecido, alguns anos
intermediários, o ano atual, o ano seguinte e mais 4 anos futuros, com intervalos de 5
anos entre eles, a partir do ano atual. O usuário ao criar um novo cenário deverá
fornecer os valores da Balança Comercial , a partir do último ano conhecido.Os
resultados, para exportação e importação, levam em conta a extrapolação do comércio
exterior, mostrada na figura anterior, e a interpolação, entre os valores exógenos
fornecidos, dos valores da balança comercial.
O programa calcula endogenamente, a partir dos dados do saldo da
balança comercial, as transferências ao exterior, que inclui bens e serviços não
fatores da dívida. A correspondência entre esses parâmetros é obtida através do
comportamento de dados anteriores. Grosso modo, existe um déficit da ordem de 1% do PIB
na balança de serviços não fatores . As transferências ao exterior são usadas, como
veremos a seguir, na avaliação do investimento. 9 - Taxa de Juros de Referência, visando balizar valores das Transferências para o Exterior O fluxo de investimentos externos, reais ou financeiros, só se efetiva na economia real com a entrada (ou saída) de bens e serviços na economia. Como o país não emite moeda de circulação externa e a capacidade de endividar-se é limitada, o fluxo histórico de bens reais acaba coincidindo no valor acumulado, com alguma defasagem, com o do fluxo financeiro, devida a variações nas reservas. Isto é, com efeito, o que aconteceu historicamente no Brasil, conforme mostramos no livro anteriormente citado. O chamado investimento produtivo segue comportamento parecido com o do investimento financeiro. A diferença está em quem administra os investimentos. Pode-se trabalhar, para controle cumulativo, com o passivo externo líquido que inclui a dívida líquida e o investimento acumulado em bens de capital no País. Existe a opção de se tentar impor, por razões práticas ou estratégicas, algum limite para esse passivo. No exemplo, assinalamos a linha de 54% do PIB que corresponde a cerca de 20% do estoque de capital. O limite absoluto seria, naturalmente, quando todo o estoque de capital estivesse em mãos de estrangeiros. Para uma razão capital/produto de 2,7 para a qual estamos supondo estar evoluindo - no exemplo aqui mostrado - este limite absoluto seria de 270% do PIB. Atingido esse limite o Brasil teria mudado, literalmente, de donos. Usamos a taxa de juros real (descontada a inflação) paga no país como parâmetro determinante dessa acumulação, já que é de se supor que os investimentos diretos, ditos "de risco", só serão realizados se tiverem uma previsão de taxa de retorno igual ou superior àquela taxa. Conhecido o valor da taxa de juros - e supondo a mesma taxa para remuneração do capital - seria, em teoria, possível supor a taxa de transferências do exterior necessária para manter no limite o passivo líquido. Como pode ser visto nas simulações, existem limitações práticas que impedem que isto se dê no mundo real, já que estamos supondo uma poupança interna limitada. Por isto, estamos supondo uma transferência líquida para o exterior positiva, ou seja, um fluxo líquido do exterior negativo o que significa, na prática, balanças comerciais positivas e superiores a 1% do PIB. Consideramos nesta simulação taxas de juros de 6% ao ano, que
poderiam ser consideradas ridículas nas atuais circunstâncias, mas que correspondem mais
ao que se passa na economia real dos investimentos produtivos lícitos. Como se vê na
Figura 14, os valores adotados para a balança comercial e essas taxa de juros conduzem a
estabilização do capital externo para cerca de 50% do PIB, o que corresponderia a cerca
de 19% do capital total. Também se indica um limite arbitrário de 50% do PIB.
Apenas para ilustração, mostramos na Figura 15 o resultado que
conduziria uma balança comercial como a considerada (tendendo a um superavit de 2% do
PIB) e taxas de juros reais de 13%. Nota-se que o comprometimento inicial considerado é
bastante inferior ao relatado atualmente (dado a ser revisto). Exercícios com taxas desta
magnitude só conduzem a impossibilidades práticas que não vale a pena considerar. Ou
seja, mecanismos naturais farão com que esta taxa caia para valores mais civilizados.
10 - Uso da Capacidade Instalada Nem todas as variáveis que influenciam o PIB são captadas pelo modelo. A diferença entre as projeções do modelo e a atividade econômica efetiva, medida pelo PIB, expressa esses fatores não captados pelo modelo. Ela é atribuída ao uso da capacidade instalada em relação à sua utilização média. O gráfico da Figura 16 mostra que ela pode ser associada a fatores conjunturais que elevam ou diminuem o nível do PIB em torno de sua tendência de longo prazo. O fator de utilização, assim medido, é extrapolado para o futuro tendendo para a média usando uma transição "de Poisson", como descrito anteriormente. Como o fator de utilização estaria, em 1999, cerca de 6 pontos percentuais abaixo da média, pode-se prever uma recuperação deste fator. Portanto , a economia elevaria sua capacidade de produção que tenderia novamente a atingir sua média histórica. Contrariando essa premissa, existe a possibilidade da concorrência de produtos externos ter provocado um "choque de sucatamento" que seria irreversível. Por outro lado, existem notícias de instalações produtivas que voltaram a funcionar normalmente após o choque no câmbio de 1999. O futuro dirá se a recuperação é possível, dentro da margem sugerida pelo modelo. A evolução do fator de utilização, em relação à média, é mostrada na Figura 16. Na tela mostrada é possível ver o comportamento passado do fator de utilização, bem como elencar algumas das causas conjunturais que o influenciaram. Nela pode-se indicar os valores esperados em anos, onde existem resultados parciais sobre o desempenho da economia (no caso 1999), que podem ser levados em conta na extrapolação. Da projeção do fator de utilização resultam correções nos valores do PIB. Na tela abaixo, tem-se então os valores inicialmente projetados do PIB pelo modelo e os valores estimados do PIB, que agora incorporam a influência da variação do fator de utilização. Pela própria evolução deste fator projetado, resulta que as taxas de crescimento, dos últimos anos da série, praticamente não são afetadas já que esse fator já teria atingido o valor 1.
Permite-se introduzir valores de crescimento do PIB nos primeiros anos projetados, estes serão levados em conta na projeção e o ajuste será compensado no crescimento do PIB, projetado para o ano seguinte.
11 Resultados do Módulo Macroeconômico Os resultados são apresentados no quadro seguinte, clique o botão "Resultados PIB" na planilha da Figura 16. A planilha mostrada na Figura 17 que busca resumir a projeção das varíáveis mais relevantes. Os mesmos resultados - e outros complementares - podem ser conferidos em planilhas ou gráficos específicos.
A planilha apresenta, ainda, os seguintes dados resumidos: Tabela 1:
Vários outros resultados estão disponíveis sob a forma
de gráficos ou de tabelas. Alguns valores servem de mecanismo adicional de controle como,
por exemplo, os dados do PIB e do consumo per capita mostrados na Figura 18. Com efeito,
crescer a poupança interna significa redução relativa de consumo. O cenário toma como
condição de contorno que o parâmetro consumo per capita - de verdadeira importância
social - pelo menos não apresente taxas negativas em virtude da retomada da poupança.
Esta condição de contorno não é automaticamente verificada pelo programa.
As planilhas de resultados podem ser acessadas através do
item do menu Resultados /Macroeconômicos como mostrados na Figura 19 para uma aplicação
desenvolvida para a Eletronorte.
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