Frota de Veículos diesel no transporte rodoviário
Equipe e&e-ONG
1.
Introdução
Este trabalho é parte de um estudo cujo objetivo
é avaliar a emissão de gases causadores do efeito estufa por veículos rodoviários
diesel entre os anos de 1990 e 1997 como contribuição ao levantamento nacional
coordenado pelo MCT.
Também serão apresentados proximamente
resultados paramétricos a partir de 1970 e dados prospectivos até o ano de 2010
dependendo de hipóteses de crescimento macroeconômico e de evolução da frota.
A participação do transporte rodoviário no
Brasil é bastante importante como mostram as estatísticas de transporte de carga
divulgadas pelo GEIPOT-MT

Figura 1.1: Fonte: Geipot Anuários
Estatísticos diversos anos, os valores para o tráfico rodoviário são estimados e houve
mudança de metodologia em 1997 e (provavelmente) em 1997- Até 1980 os dados aparecem em
Estatísticas Históricas do Brasil IBGE 1987
No consumo de combustíveis esta participação
é ainda mais significativa segundo os dados do Balanço Energético 1998 - MME.

Figura 1.2: O consumo de energia reflete o
predomínio do transporte rodoviário no Brasil, ressaltado por sua relativa ineficiência
energética em relação ao transporte ferroviário e rodoviário.
O transporte de cargas e coletivo de passageiros
é predominante a diesel como será visto no decorrer do trabalho.
2.Avaliação
da Frota Diesel
Com o levantamento do cadastro único de
veículos que está sendo realizado pelo DENATRAN surge a esperança de se ter uma idéia
menos imprecisa da frota de veículos existente no Brasil.
Infelizmente só parecem estar disponíveis
resultados parciais que foram divulgados no Boletim da ANFAVEA e que faz a seguinte
estimativa para a frota existente no Brasil em 1997 (registrados até Agosto de 1998)
Tabela
2.1
|
Automóveis |
Com.Leves |
Caminhões |
Ônibus |
Microônibus |
Total |
| Tot.
licenciado |
15.352.638 |
2.070.977 |
1.019.889 |
208.162 |
73.702 |
18.725.368 |
| Outros
Veíc. |
895.005 |
184.331 |
58.221 |
12.338 |
11.640 |
1.161.535 |
| Total
Brasil |
16.247.643 |
2.255.308 |
1.078.110 |
220.500 |
85.342 |
19.886.903 |
| Id.
Média |
9,9 |
8,3 |
14,5 |
10,1 |
5,9 |
10 |
Denatran/Ministério da Justiça Notas:
a) os dados referem-se a autoveículos fabricados até 1997 e licenciados até agosto/98
b) Outros veículos referem-se aos cadastrados,
porém não licenciados até agosto/98
Estes dados contrastam com os divulgados pelo
GEIPOT e que se referem a veículos registrados nos DETRAN´s e sujeitos a dupla contagem
e cuja utilização para avaliação da frota vinham sendo contestada por vários grupos
dentro e fora do Governo
Tabela 2.2: FROTA NACIONAL DE VEÍCULOS
AUTOMOTORES
NÚMERO DE VEÍCULOS EXISTENTES - 1997
COMERCIAIS |
TRANSPORTE |
TRANSPORTE |
BICICLOS |
|
(1) |
|
LEVES |
COLETIVO |
CARGA |
TRICICLOS |
TOTAL |
IMPORTADOS |
3.158.695 |
348.168 |
1.699.338 |
3.365.121 |
28.766.204 |
1.293.446 |
FONTES: DETRAN's e GEIPOT. NOTA: Dados referentes
a veículos registrados nos DETRANS, até 31/12. (1) - Estes valores já estão somados na
coluna de total.
Neste trabalho
tomamos como base os dados globais do DENATRAN como representativos da frota em 1998 e
adaptamos a curva de sobrevivência de veículos de maneira a reproduzir aproximadamente a
frota e idade média levantada por esse órgão.
2.1 Venda de
Veículos de Fabricação Nacional
Os dados de Venda de Veículos de produção
nacional que serviram de base para a estimativa de frota estão relacionados abaixo de
acordo com transcritos da ANFAVEA.
Tabela 2.3 Vendas de autoveículos a diesel de produção
nacional ao mercado interno - 1957/1997

Figura 2.1: Vendas de fabricantes nacionais
no mercado interno. Fonte: ANFAVEA
As vendas de veículos importados estão sujeitas
a maiores imprecisões mas foram pouco significativas de 1960 a 1990.
2.2 Venda de
Veículos Importados
Para a determinação da frota existente a cada
ano partiu-se dos dados de venda e importações de veículos disponíveis. Os dados de venda dos produtores nacionais
afiliados a ANFAVEA bem como suas importações são facilmente encontráveis nos boletins
daquela organização. Os dados referentes a outras importações são mais difíceis de
recuperar. Foram usados, neste caso, dados colhidos pelo GEIPOT e suposta distribuição
por tipo de combustível análoga aos da ANFAVEA.
Para os dados de importação anteriores a 1957
(data do início das atividades da indústria automobilística nacional) foram tomados os
dados fornecidos por BARROS e al. em comunicação do IPEA (1). que fornece os dados a
partir de 1937 e estima a fração gasolina e diesel para alguns anos. A frota inicial
existente em 1936 foi tomada de dados do GEIPOT coletados na publicação Estatísticas
Históricas do Brasil IBGE - .Estatísticas Históricas do Brasil (2). Usou-se para
distribuição entre gasolina e diesel o mesmo critério adotado por Barros para os
primeiros anos. Nota-se que os dados iniciais têm influência praticamente nula na
apuração dos dados de frota a partir de 1970 e nula a partir de 1990 segundo os
critérios de sucatamento adotados.
A coleta de dados foi abrangente e não se
limitou aos veículos diesel. Isto será útil nas projeções a serem realizadas em que
torna-se necessário estudar a possível substituição de combustíveis.
Os dados de Importação estão resumidos na
Tabela 2.4. Os dados até o ano de 1990 referem-se a importações e os dados posteriores
a este ano referem-se a vendas de veículos importados. Para efeito deste trabalho
considerou-se para os anos anteriores a 1990 as importações como correspondete a vendas desses veículos no mercado interno. Entre
1980 e 1990 faltam as informações mas sabe-se que as importações foram mínimas em
virtudes das restrições quase absolutas então vigentes.
Tabela 2.4: Importação (até
1990) e vendas de veículos importados no Brasil
Os dados para os veículos diesel são os
mostrados na tabela 2.5
Tabela 2.5:
Importação (até 1990) e vendas de veículos importados no Brasil movidos a diesel
2.3 Venda Total
de Veículos
A partir dos
dados de vendas de veículos nacionais e importados chega-se ao total ce veículos
vendidos no Brasil por categoria que foram usados na determinação da frota.
Tabela 2.6 Venda de Veículos no Brasil - Todos
Tabela 2.7 Venda de Veículos no Brasil movidos a
diesel
Tabela 2.8 Venda de Veículos no Brasil movidos a
gasolina
Tabela 2.9 Venda de Veículos no Brasil movidos a
álcool
Os gráficos abaixo mostram que as vendas no mercado
interno sofreram grandes variações no decorrer das três últimas décadas. Na
implementação da indústria automobilística no Brasil o diesel foi definido como de uso
exclusivo para carga e transporte coletivo o que levou a favorecer seus usuários com um
preço menor por energia fornecida. Esta tendência foi acentuada após o primeiro choque
de petróleo (1973) quando a participação do diesel nos comerciais pesados chegou a
praticamente 100%.

Figura
2.2: Participação do Diesel nas vendas de veículos pesados por combustível
Com o
evento do segundo choque de petróleo em 1979 houve um grande incentivo ao uso do álcool
e acentuou-se o subsídio ao preço do diesel. A participação do álcool nos veículos
pesados foi episódica mas teve maior importância nos comerciais leves onde os três
combustíveis concorreram realmente mantiveram uma concorrência efetiva. A tendência á
diesilização foi contida pelo álcool que perdeu o espaço para a gasolina. Em virtude
da diferença importante de custo do veículo nesta faixa a concorrência entre o
combustível do ciclo Otto e do Diesel ainda é possível, mesmo com a diferença de
preços dos combustíveis.

Figura
2.3: Participação do Diesel nas vendas de veículos comerciais leves por combustível
Como no
mercado dos automóveis houve uma forte retração da venda de veículos a álcool que
praticamente foi reduzida a zero.

Figura
2.4: Venda de veículos diesel por tipo de veículo (inclui importados)
A venda de veículos pesados, contrariamente ao
verificado na de automóveis de passeio, não apresentou uma reação tão espetacular nos
anos noventa. Ela está fortemente condicionada ao crescimento econômico e
particularmente ligada aos setores produtivos primários. A venda de ônibus cresceu de
maneira consistente ao longo das quatro últimas décadas refletindo o processo de
urbanização verificado no período.
2.3 Sucatamento
de Veículos
Na ausência de estatísticas confiáveis da
frota tem-se que recorrer a aplicação sobre as vendas de veículos de uma curva de
sucatamento. No caso usamos como contorno as estimativas do DENATRAN que fornecem a frota
total e a idade média da frota. Aplicamos uma curva logística (integral ) da forma;
Y = Y0/(1+Exp(a*(t-t0)))
onde t0 corresponde ao ponto de
inflexão da curva em S (valor remanescente metade do inicial).
Nota: Não se tratando de uma curva com valor
1 no tempo zero é necessária uma renormalização adotando-se a soma da curva
espelhada para fazê-lo, tomando-se Y =
Y0/(1+Exp(a*(t-t0)))+Y0/(1+Exp(a*(t+t0))) que para os valores de t0 utilizados neste
trabalho representa uma correção apenas de rigor.
Os valores de a e t0 , foram ajustados
para reproduzir aproximadamente os valores da frota e idade média dos veículos dados
para 1997 pelo DENATRAN.
As curvas utilizadas para os diversos tipos de
veículos não sofreram modificações substanciais para os diversos tipos de veículos e
são mostradas na figura seguinte

Figura 2.5: Curvas de sucatamento adequadas
para reproduzir os parâmetros de frota e idade média dos veículos
A tabela seguinte registra as constantes de
ajuste utilizadas
| Veículo |
t0 |
a |
Frota Estimada |
Idade Estimad |
Frota DENATRAN |
Idade DENATRAN |
| Automóveis |
21,0 |
0,19 |
161187 |
9,90 |
16248 |
9,90 |
| Comerciais Leves |
15,3 |
0,17 |
2416 |
8,15 |
2340 |
8,21 |
| Caminhões |
17,0 |
0,10 |
1096 |
14,45 |
1078 |
14,50 |
| Ônibus |
19,1 |
0,16 |
220 |
10,09 |
220 |
10,10 |
Outras formas de curva de sucatamento foram
utilizadas (parabólica, de Gompertz e polinomiais). Particularmente no caso de caminhões
a frota e idade só conseguem ser reproduzidas com curvas de sucatamento próximas da
linear para os primeiros anos.
Apresentamos neste relatório, em caráter
preliminar, os resultados obtidos com estes parâmetros. Existem alguns testes de
consistência relacionados com o consumo de combustíveis que poderão servir de
indicação sobre a validade dos parâmetros.
De qualquer forma foi elaborado um programa de
computador (visual basic + Excel) que permitem, com alguma facilidade testar outras
hipóteses de curva de sucatamento. A frota de diesel obtida está mostrada na tabela
2.10.
Tabela 2.11 - Frota a
Diesel
O gráfico seguinte ilustra a evolução da Frota
a Diesel

Figura 2.6: Frota diesel no Brasil
por tipo de veículo
No gráfico seguinte indicamos o consumo médio
de diesel por veículo pesado. A frota mais significativa em termos de consumo é a de
comerciais pesados (caminhões e ônibus). Para uma equivalência de 5 comerciais leves
(ou automóveis) para 1 veículo pesado pode-se estimar o consumo médio por veículo
pesado.

No gráfico seguinte
estão representadas as idades dos veículos diesel por tipo.

Figura 2.7:Idade média da frota
diesel no Brasil por tipo de veículo
Continuação
REFERÊNCIAS
(1)
Um Modelo econométrico para Demanda de Gasolina pelos Automóveis de Passeio
Ricardo Paes de Barros e Silvério Soares Ferreira IPEA - Maio de 1992 - 135 pag
(2)
Estatísticas Históricas do Brasil IBGE 1987 - Volume 3
(3)
Últimos anos GEIPOT e ANFAVEA (paginas na Internet ver víuclulos)