O
Energia, Primária, Final, Útil e
Equivalente e Atividade Econômica
Carlos Feu Alvim
feu@ecen.com
Omar Campos Ferreira
omar@ecen.com
Frida Eidelman
frida@ecen.com
José Goldemberg
Introdução
Energia é insumo indispensável às atividades
do homem . A correlação entre energia e produção é um postulado da época industrial
em que energia é um dos insumos básicos.
A evolução do consumo após os choques de
petróleo da década de setenta colocou em cheque esta correlação quase linear entre
atividade econômica e uso da energia já que os países centrais conseguiram, durante
mais de uma década, crescimento econômico sem o correspondente crescimento da energia
consumida.
A evolução nos métodos de produção tornaram
evidente que havia ganhos de eficiência notáveis a serem alcançados seja por
providências de conservação (evitar perdas) seja na mudança do processo de produção.
Ficou também evidente que a política de
conservação ou de redução do conteúdo de energia por produto produzia melhores
resultados práticos em países desenvolvidos onde havia recursos financeiros para serem
mobilizados. Isto é natural uma vez que a conservação implica, depois de uma fase
inicial de otimização do uso, investimentos em máquinas, equipamentos e processos,
além do progresso gerencial.
Na comparação Energia X Atividade Econômica,
houve um progresso metodológico importante para tornar comparável as moedas de diversos
países de uma maneira que não se ficasse limitado à da taxa de câmbio entre as moedas,
freqüentemente distorcida ou manipulada pelos governos ou regidas por mercados
imperfeitos.
Por exemplo, se for utilizada simplesmente a taxa
de câmbio o PIB do Brasil teria se reduzido de 40% em poucos meses do início deste ano
de 1999. Esse inconveniente é evitado trabalhando-se com metodologias que procuram apurar
o poder de compra da moeda local.
Falta ainda, na área energética, uma medida
conveniente para levar em conta a diferença de rendimento dos diferentes energéticos nos
diferentes usos. Algum progresso foi alcançado quando se passou a medir não somente a
energia primária mas a energia final, em condição de ser consumida.
Expressando a energia ofertada e consumida em
termos de energia final se encontrava o justo meio de comparação entre, por exemplo, a
energia hidráulica e o gás natural na geração de eletricidade.
Mas, ainda sob a forma de energia final, o mesmo
gás é utilizado para aquecimento de água, concorrendo com a eletricidade em usos
domésticos, sem que suas eficiências relativas fossem consideradas.
O conceito de energia útil aprofunda a
consideração do fator eficiência ao levar em conta, para cada uso, a eficiência dos
diferentes energéticos. Foi necessário, para elaborar balanços de energia útil,
esquematizar os usos de uma maneira a tornar prática a aplicação deste conceito.
Embora o conceito de energia útil não
seja, sem jogo de palavras, inútil e permita comparar os diferentes energéticos
para cada uso - a soma da energia expressa nesta forma, apresenta dificuldades de
generalização que não são menores que as encontradas na soma da energia primária ou
final.
A solução ótima estaria na elaboração de uma
análise exergética do uso da energia em um país ou atividade. A generalização dessa
metodologia é possível e desejável mas teria que passar por um trabalho desenvolvimento
metodológico em parte já realizado e principalmente de um trabalho
didático. Esse trabalho poderia ter êxito, uma vez que, o conceito de exergia não é, a
rigor, menos intuitivo que o de energia.
Se aprendemos nas escolas que a energia se
conserva na natureza e apenas muda de forma seguimos falando de "gastar energia"
e, até os técnicos na área, falamos - como acabamos de fazer - em
conservar e
consumir
energia
. Isto sem falar na conversão de massa em energia (na área
nuclear) que é "perfeitamente compreendida" pelos que sempre consideram que a
massa da lenha que viram queimar em sua infância convertia-se na energia sob a foma mais
facilmente percebida como tal o calor.
Uso anterior do conceito de Energia
Equivalente
O conceito de energia equivalente foi utilizado
por um grupo inter-ministerial coordenado pelo MME-Brasil na elaboração da matriz
energética brasileira como evolução do conceito de energia útil. [Metodologia de
Projeção de Demanda de energia a partir da Energia Equivalente de Substituição Carlos
Feu Alvim et al. Reunião brasil/EUA de Planejamento energético Washington
4 a 6/12/1990]
Ele consiste em tomar para cada uso um
energético equivalente. No caso tomou-se "óleo combustível equivalente" para
os usos de
calor de processo e aquecimento direto e
de "diesel
equivalente" na área de transporte como já vinhamos utilizando nas análises do
"Programa do Álcool" brasileiro.
Note-se ainda que, levando em conta a maior
eficiência da energia hidráulica na geração de energia elétrica comparada a outras
fontes - e atendendo o um desejo político de enfatizar a participação da energia
doméstica no balanço energético brasileiro a energia hidráulica é valorizada
no Brasil como energia primária considerando sua capacidade de gerar eletricidade.
Tratamento similar chegou a receber o álcool combustível para valorizá-lo em relação
à gasolina.
Ou seja, o que se busca com o conceito de energia
equivalente é sistematizar, de uma maneira facilmente assimilável pelo analista externo,
o "consumo" de energia em energia equivalente. Tentaremos também passar todas
as equivalências pelo menor número de combustíveis de referência e, se possível, por
um único.
Conceitos
Torna-se conveniente rever alguns conceitos.
Normalmente o "conteúdo energético" de fontes primárias são consideradas
contabilizando sua capacidade de dissipação de calor no ambiente. Usa-se normalmente
para os combustíveis o "poder calorífico superior".
As fontes primária são menos aptas ao uso
direto e recorre-se a uma operação de transformação que converte o petróleo em seus
derivados para usos diversos, o carvão em coque, a lenha em carvão, etc. Diversos
combustíveis, primários ou secundários, são convertidos em eletricidade para usos, em
geral, mais nobres.
Nos balanços energéticos isto é tratado pela
relação
Energia Primária = Energia Final + Perdas na
Transformação
Nos balanços de energia útil considera-se, para
cada uso j, a eficiência do combustível i de tal forma que
Energia Útil(i,j) = Energia Final (i,j) *
Eficiência(i,j)
Ou
UE(i,j) = FE(i) * E (i,j)
Os usos considerados no Balanço de Energia Útil
brasileiro são: força motriz, aquecimento direto, calor de processo, iluminação,
eletroquímica e outros.
Como os balanços energéticos não subdividem
por uso a energia final, para calcular a energia final usada em cada setor é necessário
conhecer ainda a distribuição D(i,j) de cada energético por tipo de uso. Isso é feito,
por amostragem para cada setor econômico, e vale para uma determinada região ou país.
Usando-se a mesma tecnologia espera-se que esta
distribuição varie pouco entre os países. Como, na realidade, existem diferentes graus
de evolução tecnológica esta distribuição pode, em alguns setores, divergir
consideravelmente.
Tem-se
FE(i,j) = FE(i) * D(i,j)
Considerando-se a eficiência (sempre
para um determinado setor) do energético i no uso j como E(i,j)
teremos a energia útil definida
como
UE(i,j) = FE(i,j) * E(i,j)
Para cada uso específico faz sentido, por
exemplo, tratar o consumo de energia útil por unidade de produção. Esta relação é
notavelmente mais estável que a relação energia final / produto quando energéticos de
diferentes eficiências são utilizados. Para esse fim. faz sentido apurar a energia
útil, para o mesmo uso, proveniente de diversos energéticos.
UE(j)
= |
Σ FE (i) * D(i,j) * E(i,j) |
| i |
Pode ainda haver interesse em
apurar, para cada setor, a eficiência média com que um energético é utilizado
obtendo-se
UE(i) = FE (i) * |
Σ* D(i,j) * E(i,j) |
| j |
A somatória à direita é
o fator de conversão de energia útil em final para o energético i dadas
as distribuições D(i,j)
e as eficiências E(i,j).
A Energia Equivalente é definida como
Energia Equivalente(i,j)
= UE(i,j)/E(io,j)
Onde E(io,j)
é eficiência no setor considerado
do combustível io de referência.
Ou
EE(i,j) = UE(i,j)/E(io,j) = FE(i,j) * E (i,j) /
E(io,j)
Eleito um energético io de referência teremos,
por definição,
EE(i) = FE (i) * |
S D(i,j)*E(i,j)/E(io,j) |
| j |
Gera-se, para cada setor e cada
energético, um coeficiente de conversão de energia final em equivalente que resulta da
média das eficiências relativas ponderada pela destinação da energia final no setor.
Na expressão para a energia útil obteve-se, da mesma forma, um coeficiente de conversão
para cada energético para cada setor. Será visto, através de um exemplo prático, a
maior conveniência de usar a energia equivalente.
Coeficientes de Equivalência Energia
Útil
Foram consideradas, para cada setor especificado
no balanço energético eficiências de referência para as quais deveria tender o uso de
cada energético fornecidas pelo Balanço de Energia Útil 1993 - MME/Brasil), Essas
eficiências são as usadas para avaliar o potencial de conservação no Brasil usando-se
tecnologias existentes. Como se pretende usar as eficiências médias para a
intercomparação entre vários países estas eficiências foram consideradas mais
significativas que as atualmente praticadas no Brasil onde os esforços de conservação
de energia ainda são bastante limitados. A distribuição por uso de cada energético em
cada setor usada foi a considerada para o Brasil no ano de 1993.
Como os dados dos balanços utilizados são mais
agregados que os disponíveis no Balanço Energético Brasileiro e como o objetivo deste
trabalho é obter uma primeira aproximação foram obtidos os coeficientes de conversão
médios, considerados os usos dos energéticos em cada setor, para três agregados a
saber: industrial, transportes e outros. Os coeficientes foram obtidos fazendo-se, para
cada energético, e os diferentes setores k da economia que compõem cada agregado
Fazendo-se o mesmo para energia
final obtem-se para cada energético e por agregado a:
UCa(i) = UEa(i)/FEa(i)
Analogamente, para energia equivalente obtem-se
coeficientes
CEa(i) = EEa(i)/FEa(i)
Coeficientes médios de conversão de Energia
Final para Energia Útil
|
Indústria |
Transportes |
Outros |
Total |
| GÁS NATURAL |
0,76 |
0,34 |
0,57 |
0,75 |
| CARVÃO VAPOR |
0,54 |
|
|
0,54 |
| CARVÃO METALÚRGICO |
0,85 |
|
|
0,85 |
| LENHA
|
0,56 |
|
0,20 |
0,33 |
| PRODUTOS DA CANA |
0,66 |
|
|
0,66 |
| OUTRAS FONTES PRIM. |
0,50 |
|
|
0,50 |
| ÓLEO DIESEL |
0,54 |
0,44 |
0,44 |
0,45 |
| ÓLEO COMBUSTÍVEL |
0,75 |
0,59 |
0,77 |
0,73 |
| GASOLINA |
|
0,29 |
|
0,29 |
| GLP |
0,55 |
|
0,50 |
0,50 |
| QUEROSENE |
0,73 |
0,33 |
0,01 |
0,32 |
| GÁS |
0,83 |
|
0,52 |
0,80 |
| COQ. DE CARVÃO MIN. |
0,84 |
|
|
0,84 |
| ELETRICIDADE |
0,83 |
0,94 |
0,68 |
0,77 |
| CARVÃO VEGETAL |
0,79 |
|
0,15 |
0,73 |
| ÁLCOOL ETÍLICO |
|
0,40 |
|
0,40 |
| OUTRAS FONTES SEC. |
|
|
|
|
| OUTRAS F. SEC. PETR. |
0,80 |
|
|
0,80 |
| ALCATRÃO |
0,79 |
|
|
0,79 |
O presente trabalho pretende fazer, em uma
primeira aproximação, uma comparação entre o uso de energia, primária, final, útil e
equivalente expressa em função da atividade econômica expressa em paridade de poder de
compra. Para esta aproximação usou-se a estrutura agregada mostrada na tabela e uma
agregação de energéticos conforme aparecem nos balanços energéticos divulgados pela
OCDE para vários países. Na estrutura utilizada chega-se, tomando-se uma estrutura de
uso da energia final como a do Brasil, à seguinte tabela de equivalência
|
Indústria |
Transportes |
Outros |
Total |
| Carvão |
0,81 |
|
|
0,81 |
| Derivados de Petróleo |
0,74 |
0,40 |
0,48 |
0,49 |
| Gás |
0,78 |
0,34 |
0,52 |
0,77 |
| Combust. Renováveis |
0,65 |
0,40 |
0,20 |
0,48 |
| Eletricidade |
0,83 |
0,94 |
0,68 |
0,77 |
Esta tabela surge da anterior onde os diversos
energéticos são agrupados e ponderados em função de seu uso (soma dos valores em
energia útil / soma de valores em energia final).
Nas duas tabelas anteriores ficam aparentes
alguns inconvenientes do uso deste tipo de equivalência quando considerados os totais. Os
derivados de petróleo, na última coluna que especifica o total, aparecem com eficiência
relativamente baixa quando comparado com carvão e gás nessa coluna. A explicação é
facilmente compreensível quando se olha na coluna indústria onde as
equivalências são as esperadas e compara-se com a coluna transportes, onde
as equivalências também são as esperadas mas com eficiências mais baixas, já que se
está medindo a conversão energia química em motriz, enquanto, na indústria, o
predominante é a conversão dessa energia em calor de processo ou de aquecimento direto.
Logicamente como os derivados de petróleo são predominantes no uso energia no transporte
eles aparecem, na média, com baixa eficiência.
Comentários análogos podem ser feitos para as
fontes na primeira tabela ressaltando-se as baixas eficiências da gasolina e do álcool
quando comparados com o óleo combustível ou o carvão mineral em suas diversas formas.
Coeficientes para Energia Equivalente
Na obtenção da energia sob a forma de energia
equivalente é necessário escolher, para cada tipo de uso, um tipo de combustível de
referência. Para força motriz foi escolhida a gasolina, para calor de processo e
aquecimento direto foi escolhido o gás natural. Para iluminação, eletroquímica e
outros foi usada a eletricidade que é exclusiva ou praticamente exclusiva nestes usos.
Em seguida esses valores foram unificados para
equivalente em gás natural usando-se a equivalência 1 (razão entre as eficiências)
entre gás natural e gasolina apontada para o uso em força motriz pelo Balanço de
Energia Útil brasileiro. Por fim, tomou-se como equivalência entre eletricidade e gás
natural o valor de 3,57 que a eficiência de geração de eletricidade a partir de gás
natural (28%). Este procedimento permitiu expressar todos os energéticos em função de
energia equivalente em gás natural. O resultado é mostrado na tabela seguinte.
Os valores relativos nas diversas colunas são
menos discrepantes entre si o que conduz a valores totais mais compatíveis. A única
surpresa parece ser uma eficiência do carvão metalúrgico, 6% superior a do gás
natural, que tem uso muito específico na siderurgia, em direto contacto com o material a
que é fornecido o calor (parte se incorporando ao mesmo).
Coeficientes médios de conversão de Energia
Final para Energia Equivalente
|
Indústria |
Transportes |
Outros |
Total |
| GÁS NATURAL |
1,00 |
1,00 |
1,00 |
1,00 |
| CARVÃO VAPOR |
0,87 |
|
|
0,87 |
| CARVÃO METALÚRGICO |
1,06 |
|
|
1,06 |
| LENHA |
0,80 |
|
0,37 |
0,52 |
| PRODUTOS DA CANA |
0,73 |
|
|
0,73 |
| OUTRAS FONTES PRIM. |
0,72 |
|
|
0,72 |
| ÓLEO DIESEL |
1,19 |
1,52 |
1,51 |
1,51 |
| ÓLEO COMBUSTÍVEL |
1,00 |
1,36 |
1,00 |
1,03 |
| GASOLINA |
|
1,00 |
|
1,00 |
| GLP |
1,00 |
|
1,00 |
1,00 |
| QUEROSENE |
1,00 |
1,14 |
0,01 |
1,09 |
| GÁS |
1,00 |
|
1,00 |
1,00 |
| COQ. DE CARVÃO MIN. |
1,06 |
|
|
1,06 |
| ELETRICIDADE |
2,63 |
3,10 |
2,93 |
2,76 |
| CARVÃO VEGETAL |
1,05 |
|
0,30 |
0,97 |
| ÁLCOOL ETÍLICO |
|
1,38 |
|
1,38 |
| OUTRAS FONTES SEC. |
|
|
|
|
| OUTRAS F. SEC. PETR. |
0,89 |
|
|
0,89 |
| ALCATRÃO |
1,00 |
|
|
1,00 |
Para a estrutura agregada dos balanços da OCDE
usamos as seguintes equivalências
|
|
Indústria |
Transportes |
Outros |
Total |
|
Carvão |
1,04 |
|
|
1,04 |
|
Derivados de Petróleo |
0,99 |
1,34 |
1,19 |
1,23 |
|
Gás |
1,00 |
1,00 |
1,00 |
1,00 |
|
Combust. Renováveis |
0,83 |
1,38 |
0,37 |
0,81 |
|
Eletricidade |
2,63 |
3,10 |
2,93 |
2,76 |
Os resultados são os esperados intuitivamente
com exceção do carvão cuja explicação foi apresentada anteriormente. Este fator, para
uso em outros países, deveria estar mais próximo do encontrado na tabela anterior para o
carvão vapor já que, no caso do Brasil, sua utilização na indústria é praticamente
nula na geração de calor.
Entretanto, como o carvão ousado no Brasil é de
má qualidade o valor do coeficiente a ser usado deveria ser superior ao de 0,87. Além
disto, seria necessário considerar o uso na siderurgia nos outros países que também
apresentaria alta eficiência relativa.
Os resultados preliminares que apresentaremos
usam os coeficientes encontrados para o Brasil. Em trabalhos futuros, deve-se considerar
setores e energéticos em uma maior desagregação o que evitaria os inconvenientes da
análise agregada que estamos apresentando.
Energia e Atividade Econômica
No que se segue, apresenta-se o resultado da
comparação dos valores do consumo energético para países em uma vasta gama de
desenvolvimento comparadas as atividades econômica medidas pelo poder de compra
(metodologia PPP). Os valores foram também obtidos nos balanços energéticos da OCDE.
Todos os valores referem-se ao ano de 1996.
Os países estão ordenados por ordem de PIB per
capita sendo o PIB medido em paridade do poder de compra (metodologia PPP) expresso em
dólares de 1990.
Países, população, Energia Equivalente e
intensidade de uso de Energia Primária (PE), Final(FE), Útil (UE) e Equivalente (EE) por
produto medido em paridade de poder de compra (GDP PPP Gross Domestic Product,
Purchase Power Parity)
|
População |
PIB PPP |
Energia
Equiv. |
EE/
hab |
PIB/ hab. |
PE/ PIB |
FE/ PIB |
UE/ PIB |
EE/ PIB |
|
10^6
habit. |
10^9
US$(90) |
10^6
tep
|
tep/
hab.
|
10^3
US$(90)/
hab. |
kep/ US$ |
kep/ US$ |
kep/ US$ |
kep/ US$ |
| Etiópia |
58,2 |
25,1 |
6,9 |
0,12 |
0,43 |
0,66 |
0,68 |
0,12 |
0,28 |
| Haiti |
7,3 |
3,9 |
2,9 |
0,40 |
0,53 |
0,50 |
0,92 |
0,61 |
0,75 |
| Congo |
45,2 |
30,3 |
8,3 |
0,18 |
0,67 |
0,46 |
0,43 |
0,13 |
0,27 |
| Nigéria |
114,6 |
119,8 |
39,6 |
0,35 |
1,05 |
0,69 |
0,61 |
0,16 |
0,33 |
| Bengladesh |
121,7 |
130,4 |
16,9 |
0,14 |
1,07 |
0,18 |
0,17 |
0,07 |
0,13 |
| Índia |
945,5 |
1224,5 |
308,5 |
0,33 |
1,30 |
0,37 |
0,29 |
0,11 |
0,25 |
| Bolívia |
7,6 |
17,0 |
3,1 |
0,41 |
2,24 |
0,21 |
0,16 |
0,07 |
0,18 |
| El Salvador |
5,8 |
15,5 |
2,9 |
0,51 |
2,67 |
0,26 |
0,20 |
0,07 |
0,19 |
| China |
1215,0 |
3594,0 |
869,8 |
0,72 |
2,96 |
0,31 |
0,24 |
0,13 |
0,24 |
| Argélia |
28,7 |
86,4 |
18,2 |
0,63 |
3,01 |
0,28 |
0,17 |
0,09 |
0,21 |
| Rússia |
147,7 |
687,9 |
104,5 |
0,71 |
4,66 |
0,90 |
0,08 |
0,05 |
0,15 |
| África do Sul |
37,6 |
178,5 |
77,4
|
2,06
|
4,75 |
0,56 |
0,30 |
0,17 |
0,43 |
| Brasil |
161,4 |
877,7 |
178,7 |
1,11 |
5,44 |
0,19 |
0,16 |
0,08 |
0,20 |
| Polônia |
38,6 |
229,1 |
77,6 |
2,01 |
5,93 |
0,47 |
0,31 |
0,16 |
0,34 |
| Gabão |
1,1 |
7,6 |
1,1 |
1,02 |
6,91 |
0,21 |
0,18 |
0,07 |
0,15 |
| Argentina |
35,2 |
245,5 |
52,4 |
1,49 |
6,97 |
0,24 |
0,16 |
0,09 |
0,21 |
| Chile |
14,4 |
165,5 |
20,6 |
1,43 |
11,49 |
0,12 |
0,10 |
0,05 |
0,12 |
| Coréia |
45,6 |
542,9 |
163,0 |
3,58 |
11,92 |
0,30 |
0,22 |
0,13 |
0,30 |
| Espanha |
39,3 |
521,3 |
163,8 |
4,17 |
13,27 |
0,19 |
0,23 |
0,14 |
0,31 |
| Alemanha |
81,9 |
1421,8 |
339,1 |
4,14 |
17,36 |
0,25 |
0,18 |
0,09 |
0,24 |
| Reino Unido |
58,8 |
1021,2 |
286,4 |
4,87 |
17,37 |
0,23 |
0,22 |
0,14 |
0,28 |
| Suécia |
8,9 |
157,0 |
53,7 |
6,03 |
17,64 |
0,33 |
0,23 |
0,12 |
0,34 |
| Áustria |
8,1 |
146,2 |
30,4 |
3,78 |
18,14 |
0,19 |
0,15 |
0,08 |
0,21 |
| Austrália |
18,3 |
332,6 |
96,4 |
5,27 |
18,19 |
0,30 |
0,20 |
0,11 |
0,29 |
| França |
58,4 |
1077,2 |
228,6 |
3,92 |
18,45 |
0,24 |
0,15 |
0,08 |
0,21 |
| Canadá |
30,0 |
568,7 |
266,7 |
8,90 |
18,98 |
0,42 |
0,32 |
0,18 |
0,47 |
| Japão |
125,6 |
2590,9 |
509,3 |
4,06 |
20,63 |
0,20 |
0,13 |
0,07 |
0,20 |
| EUA |
265,6 |
6316,4 |
2108,8 |
7,94 |
23,79 |
0,34 |
0,23 |
0,12 |
0,33 |
Na Figura 1 estão representados os países, em
ordem de PIB/hab, o valor do produto per capita, e os coeficientes Energia Final/PIB.
Pode-se notar que os países mais pobres apresentam maior índice de energia final por
produto que os países mais ricos. Quando se observa esta relação em termos de energia
útil e energia equivalente esta diferença praticamente desaparece como pode-se observar
nas figuras 2 e 3

Figura 1: Energia Final por dólar de produto para países ordenados por PIB/hab.

Figura 2: Energia Equivalente por dólar de
produto para países ordenados por PIB/hab.

Figura 3: Energia Útil por
dólar de produto para países ordenados por PIB/hab
Da análise preliminar dos gráficos pode-se
notar que países com baixa renda apresentam alto consumo de energia final em relação ao
produto. Isto se deve fundamentalmente a baixa eficiência do tipo de energéticos usados
(eficiências para cada país não foram aqui consideradas). Com exceção do Haiti, cujo
consumo relativo é elevado em qualquer critério considerado, os países mais pobres não
se destacam da média quer nos coeficientes de energia útil quer no de energia
equivalente. A relação Energia Final / Energia Equivalente mostrada na Figura 4 deixa
isto bastante explícito.

Figura 4: Os países mais
pobres apresentam alta relação Energia Final / Energia Equivalente assinalando a baixa
eficiência dos processos usados.
Outro fato interessante é que a pequena
dispersão dos valores de Energia Final / Energia Equivalente torna claro que a vantagem
de se trabalhar com energia equivalente - e não energia final - são maiores para países
de baixa e média renda. No caso de paises ricos, se a modificação não produz melhoras,
também não produz distorções o que a torna de uso mais geral.
Mesmo para países com PIB per capta superiores
pode-se notar a tendência de uso de energéticos mais eficientes quando aumenta a renda,
como mostra a Figura 5.

Figura 5: Valores da figura anterior para
países com PIB per capta superior a 10 000 dólares anuais
Energia x Produto
A relação positiva entre o produto e energia
continua a existir, qualquer que seja a forma de computar a energia, como é demonstrado
no gráfico da Figura 6 onde estão representadas as energias primária, final,
equivalente e útil em função do PIB.

Figura 6: Valores Energia X PIB para os diversos
países estudados (gráfico logarítimico)
Em termos de coeficientes Energia/Produto a serem
utilizados é fácil perceber na Figura 7 que as energias primária e final apresentam
valores bastante diferentes entre países ricos e pobres.

Figura 7: Coeficientes Energia/Produto para diferentes países para energia primária,
final, útil e secundária
Ajustes de retas aos pontos da Figura 7 mostram
inclinações negativas para as curvas referentes aos coeficiente para energia primária e
final, menor inclinação para energia útil e inclinação praticamente nula para energia
equivalente.
|
PE/GDP |
FE/GDP |
UE/GDP |
EE/GDP |
| Inclinação da reta |
-0,00909 |
-0,01011 |
-0,00251 |
-0,00004 |
Em termos de dispersão os resultados da tabela
abaixo mostram que, muito embora o coeficiente de energia útil possa ser usado nas
diferentes faixas de energia, ele introduz uma maior dispersão relativa em relação a
todos os países. a menor dispersão é encontrada no coeficiente de energia equivalente.
|
Unidade |
PE/GDP |
FE/GDP |
UE/GDP |
EE/GDP |
| Coeficiente |
koe/US$ |
0,34 |
0,26 |
0,12 |
0,27 |
| Desvio
Padrão |
koe/US$ |
0,18 |
0,19 |
0,10 |
0,13 |
| Desvio
Padrão |
% |
53% |
71% |
82% |
46% |
Na Figura 8 mostra os valores de Energia
Equivalente per capta em função do GDP PPP per capta para os diferentes países
estudados.

Figura 8: Energia
Equivalente/habitante em relação ao consumo por habitante.
Conclusão
Assim como os índices de atividade econômica
necessitam de uma correção que minimize os efeitos da taxa de câmbio os dados de
energia necessitam alguma correção que leve em conta as diferentes eficiências nos
diversos usos.
Para um mesmo tipo de uso (força motriz, calor
de processo, aquecimento direto, iluminação, etc ) o conceito de energia útil parece
satisfatório para se lidar com diferentes tipos de energia. O conceito de Energia
Equivalente, aqui sugerido, parece adequado para estudo das relações energia com
produto. Aconselha-se que, em trabalhos adicionais, uma melhor determinação dos
coeficientes a partir de um aperfeiçoamento das eficiências utilizadas e da
distribuição da energia por uso em cada país.
Os resultados preliminares mostram que os países
mais pobres usam fontes de energia normalmente usadas com menor eficiência. Note-se que
quase não existem tecnologias adequadas a melhoria dessa eficiência, apesar de estudos
em laboratório haverem indicado possibilidade de incrementar substancialmente essas
eficiências com baixo custo. Citamos, como exemplo, o trabalho desenvolvido em 1984/85
pela Fundação Christiano Ottoni para o Plano de Contingência de Combustíveis, da
Comissão Nacional de Energia, em que foram obtidos ganhos de 300 e 200% respectivamente,
para o uso de lenha e carvão vegetal em fogões domésticos de projeto melhorado. |