sen MME

SINOPSE DE 1999
DADOS GERAIS DESTAQUES ENERGÉTICOS


Em 1998, por força da crise nos países asiáticos, o Governo Brasileiro determinou medidas que levaram a uma forte retração no crescimento econômico. Ocorre, entretanto, que na área de energia, os energéticos associados ao bem estar da população, mantiveram altos níveis de consumo, como é o caso da eletricidade residencial e comercial, da gasolina automotiva e do querosene de aviação. Em conseqüência, o consumo final de energia com crescimento de 3,0% , apresentou elasticidade atípica de 20 em relação ao PIB.

Em dezembro de 1998, as reservas totais (medidas, indicadas e inferidas) de petróleo, LGN e gás natural atingiram 17,3 bilhões de barris equivalentes de petróleo - bep, volume 2,4% superior ao de 1997. Ao se considerar somente as reservas medidas de petróleo, de 7,4 bilhões de barris, verifica-se que correspondem a cerca de 20 anos da produção atual.

A produção média de petróleo foi de 972 mil barris/dia, em 1998, (1001 mil, se incluído LGN), crescendo 16,4% em relação a 1997. O consumo de derivados de petróleo cresceu 3,6% (1666 mil bep/dia, incluindo o consumo próprio do Setor de Petróleo). No mesmo ano, as importações de petróleo e derivados chegaram a 820 mil bep/d e as exportações a 132 mil bep/d. Neste contexto, a dependência externa de petróleo e derivados ficou em 40%, contra 46% em 1997.

A exemplo de 1997, o querosene de aviação e a gasolina automotiva continuaram a apresentar expressivas taxas de crescimento de consumo em 1998, 10,6% e 5,1%, respectivamente. Considerando o consumo automotivo total de gasolina e álcool, observa-se uma queda na taxa de crescimento, de 3,0% em 1997 para 1,9% em 1998.


Assim, após três anos de elevadas taxas de crescimento do consumo e atendidasas demandas reprimidas resultantes do período recessivo de 1990/93, o consumo de combustível do ciclo otto volta a ter desempenho mais próximo ao do crescimento econômico.

O consumo de álcool automotivo foi de 13,0 milhões de m3 em 1998, 2,5% inferior ao consumo de 1997. Em razão do volume de
vendas de veículos novos a álcool ter ficado abaixo do montante de carros sucateados, o que provocou a redução e o envelhecimento da frota, o consumo de álcool hidratado decresceu 7,9% em 1998. Já o consumo de álcool anidro acompanhou o crescimento do consumo de gasolina.

Em 1998, foram incorporados ao mercado interno cerca de 1,4 milhões de automóveis ciclo otto, que consumiram, segundo estimativas, cerca de 1,6 milhões de m3 de gasolina e álcool. No mesmo ano, foram acrescidos ao mercado 0,6 milhões de m3 deste combustível (gasolina e álcool), quantidade menor que a exigida pela nova frota. Assim, cálculos estimados apontam para uma redução de 3,0% no consumo médio por veículo em 1998.

O consumo de energia elétrica cresceu 4,2%, em 1998, impulsionado pelos desempenhos dos Setores Comercial (8,9%) e Residencial (7,2%), bem superiores ao desempenho da Indústria (0,7%). Embora com menor vigor, o consumo residencial continuou sendo impulsionado pelas novas ligações e pela incorporação de bens de consumo durável, principalmente pelas classes menos favorecidas, que têm seu poder de compra aumentado com a redução da inflação. No Comércio, o consumo de energia elétrica continuou refletindo a expansão e modernização dos serviços e o uso mais intenso de aparelhos de ar condicionado, além da abertura de grandes centros comerciais.

Ainda, em relação ao Setor Residencial, cabe acrescentar que, mesmo tendo havido um acréscimo de cerca de 1,6 milhão de novas contas em 1998, o consumo médio por conta apresentou crescimento de 4,5% (cerca de 177 kWh/mês), ainda expressivo, mas menor que os 8,8% verificados em 1995.

No Setor Industrial (exclusive a Indústria de Energia), o consumo de energia cresceu 2,05% em 1998, contra um desempenho negativo de 0,99% do Valor Agregado - VA do seguimento. Os ramos industriais que mais influenciaram no crescimento do consumo de energia, com taxas superiores a 4%, foram o de Açúcar, de Papel e Celulose e de Cimento, todos energointensivos. Ao nível dos energéticos, o bagaço de cana apresentou crescimento de 16,8% e o carvão mine-ral de 8,6%, ambos associados aos ramos industriais mencionados. No caso da eletricidade, o crescimento do consumo foi de apenas 0,6%, explicado pelo desempenho negativo ou próximo de zero de ramos industriais eletrointensivos, como Ferro-Gusa e Aço, Ferro-Ligas e Alumínio.

 

DESTAQUES ECONÔMICOS

O Produto Interno Bruto - PIB, da economia brasileira, cresceu 0,15% em 1998, resultado bem menor que o verificado em 1997, de 3,68%. Considerado um crescimento anual da população de 1,3%, o PIB per capita do Brasil decresceu 1,2% em 1998,passando de US$4,860.00 para US$4,800.00 (dólares de 1998).

A economia brasileira, no início de 1998, não apresentou a retração esperada, não apresentando o PIB, no primeiro trimestre, variação significativa em volume em relação ao quarto trimestre de 1997, sustentada, basicamente, pela manutenção do crescimento da Indústria de Transformação. Além disso, diante das taxas de juros atrativas, apesar de declinantes em termos nominais, as reservas brasileiras foram se recompondo e ultrapassaram o nível anterior `a crise asiática no final do trimestre.

Dentro deste quadro, o segundo trimestre do ano apontava para uma relativa recuperação do nível de atividade econômica, traduzido por um crescimento do PIB de 1,33% na comparação com o primeiro trimestre e, 1,32% no acumulado do primeiro semestre.

No início do segundo semestre, a crise da Rússia, deflagrada com a sua moratória, afetou a recuperação em curso da economia, interrompendo o fluxo de capitais para os países emergentes, entre os quais o Brasil. Diante de tal quadro, o governo elevou bruscamente as taxas de juros, buscando maior nível de confiança externa, uma vez que o país havia perdido aproximadamente US$30 bilhões de reservas internacionais.

No terceiro trimestre, a continuidade na evasão de capitais levou o governo a buscar um acordo junto ao FMI e a outras instituições financeiras internacionais, para reforço às reservas do país e, consequentemente, da confiança dos investidores quanto à possibilidade do país de honrar seus compromissos.

O acordo com o FMI teve como contrapartida do país o saneamento das contas públicas, consubstanciado no Programa de Estabilização Fiscal (PEF) divulgado no mês de outubro.

Apesar do acordo citado e da razoável média mensal do fluxo de investimentos diretos (US$2,2bilhões por mês) - o que indica a confiança em estabilização futura do País por parte dos investidores produtivos - não ocorreu o estancamento da saída de reservas, que depois de ter atingido US$74,6 bilhões no mês de abril, chegou a US$44,5 bilhões em dezembro, contabilizando o valor referente à primeira parcela dos recursos repassados pelo FMI.

Portando, 1998 foi marcado, basicamente, além dos fatores internos citados, pela posição cautelosa dos mercados internacionais em relação ao Brasil. Ao final do ano, o objetivo do governo centrava-se no equilíbrio das contas públicas, postergando o crescimento da atividade econômica para um ambiente de maior estabilidade.