Economia & Energia |
Anterior A Evolução das Reservas ao longo do Tempo para outros Países A Figura seguinte mostra como evoluíram as reservas de alguns países desenvolvidos em dados relativos ao PIB de cada país.
Figura 4
Note-se que os países economicamente mais significativos do ocidente, Estados Unidos, França, Alemanha e Reino Unido mantiveram suas reservas dentro de um patamar, diferente em cada caso, mas relativamente constante em termos relativos ao PIB. Canadá e Itália tiveram um período de redução e outro de recuperação de suas reservas. O Japão, de maneira consistente, aumentou suas reservas de cerca de 2% para 5% do PIB. No caso dos EUA houve redução sistemática de suas reservas até o primeiro semestre de 1995 (crise do México) onde houve uma recuperação aos níveis de Dezembro de 1991, seguiu-se novo período de queda até Junho de 1997. Provavelmente esta nova crise que atingiu os países do oriente, com repercussões na América Latina, deve ajudar a recuperar as reservas americanas já que os bônus dos EUA são usados como refúgio em épocas de incerteza em outros mercados. Especial interesse para o Brasil é o acompanhamento das reservas de outros países em desenvolvimento principalmente México e Argentina já que o período inclui a adoção de políticas cambiais econômicas parecidas e o ataque às reservas do México e sua repercussão no Brasil e Argentina no chamado "efeito tequila". Os valores relativos ao PIB são mostrados na Figura 5 que se segue. Figura 5 Pode-se constatar que ao ataque às reservas do México, resolvido com a desvalorização da moeda e substancial ajuda externa, sucedeu-se o ataque às reservas argentinas, resolvido sem desvalorização da moeda, com apoio externo e vigoroso reajuste econômico. Em seguida veio um ataque às reservas brasileiras resolvido com taxa de juros reais elevadas e redução dos riscos inflacionários com a implantação do Plano Real. Países como a Coréia do Sul e Austrália não sofreram o efeito tequila. Pode-se notar, entretanto, que a Coréia do Sul elevou suas reservas após o episódio mexicano e que elas estavam em processo de queda desde meados de 1996. A Coréia, como se sabe, desvalorizou fortemente sua moeda no decorrer da presente crise e está a espera (final de Novembro de 1997) de ajuda do FMI. De certa forma o padrão observado no México - aumento das reservas mediante aumento de juros internos e rápida queda das reservas em virtude da falta de confiança dos aplicadores - se reproduziu na Coréia. O Custo Direto das Reservas As reservas são ativos de curto prazo remunerados, na melhor das hipóteses, com base nas taxas internacionais. Pode-se ter uma idéia da taxa de juros recebida comparando-se os juros recebidos pelo Brasil com o valor de sua reserva no início do ano. O Governo paga pelas aplicações resultantes uma taxa de juros fixada para o mercado interno. Para efeito de cálculo consideramos que o dinheiro tenha sido aplicado em títulos federais. O dinheiro de origem externa ao ser aplicado no Brasil é convertido da moeda original (considerada como dólar americano) para a moeda nacional (atualmente real) onde recebe rendimentos que consideramos os aplicados aos títulos do tesouro. Para cálculo do ganho de um investidor estrangeiro a moeda local é convertida novamente em dólar. Em período de taxas de dólares muito diferentes do cambio oficial e paralelo esse ganho passaria ainda pela diferença entre os diversos tipos de câmbio. Por simplicidade supomos que as aplicações tenham sido feitas de forma legal passando pelo câmbio oficial. A diferença desde 1991 quando foi estabelecida a liberdade de câmbio não é muito significativa. A figura 6, em seguida, mostra que o custo médio mensal das reservar foi positivo ou negativo segundo o período considerado. O ganho acumulado entre 1980 e 1991 foi praticamente nulo e é compreensível que esse mercado não atraísse investidores externos.
Figura 6
A partir de 1992 a reserva passou a custar ao Brasil cerca de 500 milhões de dólares mensais ou 6 bilhões de dólares anuais. Até o lançamento do Plano Real o ganho acumulado era de 18 bilhões de dólares, caindo para 10 bilhões pelas perdas na conversão de cruzeiros para URV e para dólar. Do lançamento do Plano Real para cá (Outubro de 1997) a reserva custou diretamente, pela diferença entre juros externos e internos, consideras as taxas de câmbio, cerca de 20 bilhões de dólares. Se a taxa real de juros praticada internamente houver sido conseqüência da política de captação de dólares - ela foi também praticamente nula entre 1980 e 1991 - o custo de manter as reservas estaria multiplicado por um fator 2 ou 3. Embora as reservas, como procuramos mostrar, representaram um considerável ônus para a economia brasileira elas se constituem atualmente fator positivo para enfrentar a atual crise dos mercados mundiais. Outro fator positivo é o montante de ativos a serem privatizados. Provavelmente após superada esta crise - em nossa avaliação com boas perspectiva de acontecer - caberá discutir se o preço pago não foi muito elevado e se não existiriam mecanismos menos onerosos de garantir a estabilidade da moeda. Meio bilhão de dólares mensais, ou até o dobro se persistirem as atuais taxas de juros, parece um preço exagerado. Trata-se de 1 a 2% do PIB mensal brasileiro. |